Leo
é um garoto de 16 anos de idade e, sendo um adolescente típico, age como tal:
detesta a escola, não entende os pais, gosta de tocar guitarra, não desgruda do
celular e do iPod, não perde uma partida de futebol com os amigos e adora
disputar corridas de motoneta. Ah...sim, ele está apaixonado pela primeira vez.
O objeto de seu afeto é Beatriz, garota branca como o leite, vermelha como o
sangue.
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
As Cidades Invisíveis (Ítalo Calvino)
“As Cidades Invisíveis” é uma das obras mais conhecidas de Calvino. São várias histórias narradas pelo famoso viajante Marco Polo ao imperador dos tártaros Kublai Khan. As cidades são divididas por temas: “as cidades e a memória”, “as cidades e o céu”, “as cidades e o desejo” etc e têm sempre nome de mulher. Isso é apenas um indício da sedução exercida pelas cidades, tornando impossível saber o que é real e o que é imaginário:
“Anastácia, cidade enganosa, tem um poder, que às vezes se diz maligno e outras vezes benigno: se você trabalha oito horas por dia como minerador de ágatas ônix crisóprasos, a fadiga que dá forma aos seus desejos toma dos desejos a sua fortuna, e você acha que está se divertindo em Anastácia quando não passa de seu escravo”.
(As cidades e os desejos - páginas 17-18)
- De agora em diante, vou descrever as cidades e você verificará se elas realmente existem e se são como eu as imaginei...”
(Parte 3 – página 45).
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Créditos:
Imagens da Nora Sturges
Imagens de Luthero Proscholdt
“Anastácia, cidade enganosa, tem um poder, que às vezes se diz maligno e outras vezes benigno: se você trabalha oito horas por dia como minerador de ágatas ônix crisóprasos, a fadiga que dá forma aos seus desejos toma dos desejos a sua fortuna, e você acha que está se divertindo em Anastácia quando não passa de seu escravo”.
(As cidades e os desejos - páginas 17-18)
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| Imagem de Nora Sturges |
É apenas por meio da narração de Marco Polo que Kublai Khan conhece as cidades que fazem parte de seu reino. Marco Polo são os olhos do imperador desbravando novas terras. Mas, será mesmo que ele conheceu todos esses lugares? E se conheceu, será que eles seriam de fato como descritos?
A discussão sobre a existência e o aspecto das cidades é constante entre os dois personagens do livro.
Uma dessas passagens:![]() |
| Imagem de Nora Sturges |
“Kublai Khan percebera que as cidades de Marco Polo eram todas parecidas, como se a passagem de uma para a outra não envolvesse uma viagem, mas uma mera troca de elementos. Agora, para cada cidade que Marco lhe descrevia, a mente do Grande Khan partia por conta própria, e, desmontando a cidade pedaço por pedaço, ela a reconstruía de outra maneira, substituindo ingredientes, deslocando-os, invertendo-os.
Marco, entretanto, continuava a referir a sua viagem, mas o imperador deixara de escutá-lo, interrompendo-o:- De agora em diante, vou descrever as cidades e você verificará se elas realmente existem e se são como eu as imaginei...”
(Parte 3 – página 45).
Além disso, a poesia e o lirismo estão impregnados em trechos como este:
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| Valdrada, de Luthero Proscholdt |
“Às vezes o espelho aumenta o valor das coisas, às vezes anula. Nem tudo o que parece valer acima do espelho resiste a si próprio refletido no espelho. As duas cidades gêmeas não são iguais, porque nada do que acontece em Valdrada é simétrico: para cada face ou gesto, há uma face ou gesto correspondente invertido ponto por ponto no espelho. As duas Valdradas vivem uma para a outra, olhando-se nos olhos continuamente, mas sem se amar”.
(As cidades e os olhos - página 56).
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| Andria, de Luthero Proscholdt |
Inspirados por Calvino, muitos artistas expressaram suas visões das cidades míticas no papel/tela. Alguns exemplos são Nora Sturges e Luthero Proscholdt, cujos trabalhos ilustram este post.
Uma coisa é certa: é impossível não deixar a imaginação rolar solta ao ler as descrições das cidades. Eu mesma me apaixonei por umas quatro ou cinco!
Créditos:
Imagens da Nora Sturges
Imagens de Luthero Proscholdt
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Leia o Livro, Veja o Filme: A Solidão dos Números Primos (La Solitudine dei Numeri Primi)
E lá se vão quase dois anos desde que li "A Solidão dos Números Primos", o primeiro livro de Paolo Giordano, vencedor do Prêmio Strega (o mais importante prêmio literário da Itália) em 2009, mas a trama continua bem vívida em minha memória. Resolvi postar agora porque só recentemente pude assistir ao filme, lançado em 2009 e com roteiro escrito pelo próprio Paolo Giordano, mas que só foi exibido no Brasil em mostras e festivais. Tinha até me esquecido dele, mas nos últimos dias, numa dessas buscas sem destino certo na internet, o encontrei para download. Livro e filme vão intercalando as histórias de Alice Della Rocca e de Mattia Balossino desde 1983 até 2007, e, segundo o próprio autor, retrata a geração criada na Itália dos anos 80 e 90 (que não é muito diferente do resto do mundo), vendo televisão, e fala de uma faixa de jovens que cresceram no individualismo, fechados em si mesmos. Os dois personagens principais são almas quebradas, atraídos pelas desgraças um do outro. Por várias vezes parecem se encontrar, mas sempre se separam e continuam solitários como números primos, ou seja, aqueles que podem ser divididos apenas por 1 e por eles mesmos. Na verdade, eles são mais raros ainda, como números primos gêmeos (como 17 e 19, por exemplo): “são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase próximos, porque entre eles sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente”.
Não posso contar mais da sinopse, pois, ao contrário do livro, o filme não tem uma narrativa linear. Só o que posso dizer é que há uma tragédia envolvendo Mattia e sua irmã autista e um acidente que muda a vida de Alice. Embora seja um livro com personagens adolescentes, não acho que seja um livro para adolescentes. O clima depressivo e autodestrutivo dos personagens permeia todo o texto, causando muita angústia. Na verdade, o isolamento e os problemas de comunicação não estão só com os jovens, basta observar as relações familiares: o pai de Alice a obrigava a participar de competições, sua mãe já demonstrava traços de depressão, e a própria Alice já dava sinais de distúrbios alimentares. Na família de Mattia, a coisa não é muito diferente: ele sofria pressão para incluir a irmã em tudo o que fazia, era forçado a assumir responsabilidade de mais para uma criança de sua idade, e, ao mesmo tempo, os pais o criticavam por não ter amigos ou vida social.
O livro tem um estilo de escrita direto, simples e sem rodeios, tornando a leitura fácil e rápida. E, embora seja triste e angustiante, não dá para parar de ler. Você fica querendo saber o que vem depois, e torce para os dois darem certo juntos, mesmo sabendo que é pouco provável. Uma história de amor um pouco diferente do que estamos acostumados a ver. Não há nenhum obstáculo externo, nenhuma oposição das famílias, nenhuma traição. Só o que os impede de ficar juntos são eles mesmos.
Altamente recomendável!
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