Toru
Watanabe tem 37 anos e está em um voo rumo à Alemanha. Ao ouvir "Norwegian
Wood", dos Beatles, sua mente o transporta para os anos 60, em sua
juventude, quando preenchia seus dias monótonos divido entre o amor não
realizado por uma garota depressiva, as aventuras sexuais com desconhecidas e o
interesse por uma garota moderna e independente, mas que já estava em outro
relacionamento. Assustado ao perceber que está esquecendo a amada, Toru resolve
escrever um livro para resgatar suas memórias e fazer as pazes com o passado.
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Livro Viajante: Eu Sou um Gato (Natsume Soseki)
“É da
natureza de todo ser humano encher-se de empáfia e ufanar-se da própria
autoridade. Se não aparecer ninguém mais forte que possa maltratá-los, não sei
onde sua presunção poderá chegar. Se seu egoísmo parasse nesse nível, seria
suportável, mas já tive notícia de que a depravação moral dos seres humanos é
inúmeras vezes mais lamentável".
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Livro Viajante: Minha Querida Sputnik (Haruki Murakami)
“Ali
estava eu, em uma pequena ilha grega, partilhando uma refeição com uma bela
mulher, mais velha, que eu conhecera no dia anterior. Essa mulher amava Sumire.
Mas não sentia nenhum desejo sexual por ela. Sumire amava essa mulher e a
desejava. Eu amava Sumire e sentia desejo sexual por ela. Sumire gostava de
mim, mas não me amava, e não sentia nenhum desejo por mim. Eu sentia desejo
sexual por uma mulher que permanecerá anônima. Mas não a amava. Era tudo tão
complicado, como algo em uma peça existencial. Tudo acabava em um impasse, não
restava nenhuma alternativa”.
(página
137)
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Leia o Livro, Veja o Filme: Não me abandone jamais (Never let me go)
Sinopse:

Kathy, Tommy e Ruth são alunos de Hailsham. Na verdade, são clones criados para doar órgãos. Eles formam um triângulo amoroso, usado pelo autor, Kazuo Ishiguro, como gancho para falar de perda, solidão e da sensação que às vezes temos de já ser "tarde demais".
Livro x Filme:
Quem narra a história é Kathy, já adulta e prestes a encerrar sua carreira de cuidadora e finalmente tornar-se doadora. A partir de suas memórias, ela nos apresenta à rotina de Hailsham, esse local isolado do mundo que se traveste de escola comum onde ela e seus amigos cresceram para cumprir um único objetivo: servir de doadores, fornecendo órgãos do corpo como se fossem peças de reposição.
Desde o começo já dava para perceber que Kathy e Ruth são melhores amigas, mas que Ruth queria sempre ser o centro das atenções. Kathy se ressentia, mas no fundo achava que era apenas o jeito da amiga e que deveria aceitá-la assim. Às vezes elas brigavam, mas conseguiam manter a amizade por meio de gentilezas e pedidos de desculpa. Kathy era uma das únicas amigas de Tommy. Ela o entendia e eles adoravam conversar e analisar os mistérios de Hailsham. No entanto, na adolescência, Ruth se aproxima de Tommy e eles acabam namorando. Kathy era tida como a fiel escudeira do casal, ouvindo as reclamações dos dois, dando conselhos e ajeitando as coisas para que eles se acertassem depois das brigas. Apesar do papel ingrato, ela aceita tudo sem se opor e sem demonstrar os sentimentos que tinha por Tommy. Mas... só se vive uma vez e, no caso dos protagonistas, a vida é abreviada pelas doações.
Confesso que demorei um pouco a entrar no clima da história. A forma detalhada da narração de Kathy me pareceu meio cansativa e sem propósito no início, mas depois entendi que a única forma de apreciar sua narrativa era esquecer o mundo como o conhecemos e me colocar no lugar da personagem, ver as coisas como ela via. Muitas coisas que para nós são óbvias, não o eram para as crianças clones que cresceram isoladas. Por exemplo, elas tinham que ensaiar como interagir com pessoas de fora da escola, como agir em lugares públicos, o que esperar das pessoas comuns. Coisas que fazemos sem pensar, para eles era um desafio. É estranho, mas, como aponta Miss Lucy, uma das tutoras da escola, as crianças eram iludidas, pois a realidade era dita, mas não dita, ou seja, todos sabiam que teriam que doar órgãos ao chegarem à idade adulta, mas, por outro, lado deixavam que eles sonhassem com um futuro, que obviamente não existiria.
É importante destacar o peso que Hailsham tem na história. O lugar era um universo à parte. Os alunos jamais tinham contato com o mundo exterior, por isso, muitas histórias e lendas eram criadas e repassadas em segredo entre os estudantes. Uma aura de mistério envolve tudo o que acontecia na escola. Um exemplo dos mistérios mais discutidos entre os alunos era a existência ou não da “Galeria”, lugar para onde, supostamente, eram levados as melhores pinturas, esculturas e poesias criadas pelos alunos e escolhidas por “Madame”, mulher que aparecia periodicamente em Hailsham para escolher as obras de destaque. Além disso, discutiam também qual o propósito da tal “Galeria”. Outro assunto tabu que vivia na mente dos estudantes era a existência dos “Possíveis”, como eram chamadas as pessoas “Originais” das quais eles foram clonados. Alguns diziam que eles existiam e eram pessoas "normais" que circulavam por aí; outros acreditavam que os "Originais" eram párias da sociedade: condenados, drogados, prostitutas, etc. Um outro tópico proibido nas conversas formais, mas que estava sempre em alta, era a possibilidade de pedir um "Adiamento" do início das doações se dois estudantes estivessem mesmo apaixonados. A lenda dizia que era concedido um prazo de 3-4 anos para que o casal vivesse o amor antes de começarem as doações obrigatórias.
Bom, não vou estragar a surpresa e dizer se os boatos eram verdadeiros ou falsos. Só vou falar que não são mostrados devidamente no filme. Na película, tudo é tratado de forma direta e grande parte dos mistérios e divagações, que são a essência da esperança dos clones, não existe. Não fica claro o nível de intimidade entre as amigas, é tudo muito acelerado. Não vemos os pequenos gestos que fazem o amor de Kathy e Tommy florescer. Ainda mantém o tom melancólico, mas muito da beleza se perde.

Por fim, posso dizer que, por trás viés futurista e de ficção científica, a história levanta questões éticas pertinentes, não tão distantes assim da nossa realidade. Alguém aí se lembra de ovelha Dolly? De toda a discussão sobre se poderíamos clonar seres humanos? Pois bem... até que ponto é ético criar outros seres só para obrigá-los a doar órgãos para pessoas doentes? Com base em que nos julgamos capazes de decidir qual vida vale mais? Sabendo que o destino dos clones estava traçado, foi errado deixá-los ter expectativas para o futuro? Mas e se não houvesse o mínimo senso de futuro, valeria a pena viver? E depois que várias pessoas foram salvas de doenças incuráveis que dependiam de transplante, como, tendo a cura nas mãos, dizer a elas que o processo de criação de clones será interrompido?
Pare ler/ver, se emocionar e refletir...
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