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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Resenha Dupla: Elogio da madrasta / Os cadernos de Don Rigoberto


Lucrecia e Don Rigoberto formam um casal feliz. Ele, neste seu segundo casamento, parece finalmente ter encontrado uma mulher que o completa perfeitamente. Ela também considera a união maravilhosa, embora, no início, tenha ficado receosa quanto ao filho do esposo, Alfonso (também chamado Fonchito), que era muito apegado à falecida mãe. Mas pouco tempo depois do casamento, os três formam uma família harmoniosa e unida. Até a proximidade de Lucrecia e Fonchito cruzar os limites de uma relação entre madrasta e enteado.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Resenha: Lituma nos Andes


O Cabo Lituma e o Guarda Civil Tomás Carreño dividem o posto policial de um vilarejo nos Andes e se veem diante do intrigante desaparecimento de três pessoas. O que estaria por trás dos sumiços? Uma conspiração dos moradores locais? Obra do grupo terrorista que espalhava o medo havia tempos na região? Ou, quem sabe, esse seria um lembrete da insatisfação de criaturas místicas que habitam as montanhas desde sempre?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Travessuras da Menina Má

Este fim de semana estava tentando organizar meus livros e DVDs e percebi que acabei esquecendo de fazer um post sobre um dos últimos livros que li e um dos que mais gostei: Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa.


O livro é narrado por Ricardo, que conhece a tal menina má quando ambos eram crianças no Peru. Ele nutre sua paixão infantil a vida toda pela menina má, que de tempos em tempos cruza seu caminho criando no rapaz a falsa esperança de ficar ao seu lado. Tenho que dizer que fiquei com ódio da fulaninha, que se aproveita dos sentimentos de Ricardito, mas, por outro lado, é ele quem insiste em projetar todo seu amor nela, mesmo que ela nunca tenha dito que o amasse.

Além dos encontros e desencontros do casal de protagonistas, outra coisa que me fascinou no livro foi o relato de fatos importantes na história recente mundial, como, por exemplo, as revoluções e ditaduras na América Latina, o movimento hippie na Europa, sua decadência e substituição pelo punk, o surgimento dos skinheads. Enquanto eu lia, imaginava os acontecimentos e me pareceu que o livro está pronto para ser transformado em filme, só esperando alguém que o faça.

Outra coisa que fez com que o livro se tornasse um dos meus favoritos é a profissão de Ricardito: ele é tradutor nas Nações Unidas. É interessante ler o que outra pessoa, ainda que fictícia, pensa sobre o ofício e se identificar com o relato de tudo o que há de bom e ruim na “profissão de fantasmas”, como diz um amigo do narrador, também tradutor. Aliás, é esse amigo que faz as mais tristes e reais considerações sobre a atividade:

"[...] E se, de repente, sentirmos que vamos morrer e nos perguntarmos ‘Que rastro deixaremos da nossa passagem por este canil?’, a resposta honesta seria: nenhum, não fizemos nada, além de falar pelos outros. O que significa, então, ter traduzido milhões de palavras se não nos lembramos de nenhuma, porque nenhuma merecia ser lembrada?

Um dia disse a ele que o odiava, porque aquela frase, que vez por outra me vinha à memória, me convenceu da total inutilidade da minha existência.

 - Nós, trujimanes, somos apenas inúteis, querido – quis me consolar. – Mas não prejudicamos ninguém com nosso trabalho. Em todas as outras profissões podem-se fazer grandes estragos na espécie. Pense nos advogados ou nos médicos, por exemplo, sem falar nos arquitetos e políticos."
(Travessuras da menina má, página 121).

Recomendo a todos que gostam de uma história bem escrita, tradutores ou não.