Jostein Gaarder
Cia. das Letras
207 páginas
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“Lembro-me bem da primeira vez que alguns meninos tocaram a campainha e perguntaram se eu queria sair para brincar. As roupas deles estavam sujas, e um deles tinha um nariz ranhento. E lá estavam eles me perguntando se eu queria brincar de índio e caubói. Fingi estar com dor de barriga, ou dei alguma outra desculpa mais plausível. Não via sentido em brincar de índio e caubói em volta de automóveis e varais de charque. Era capaz de brincar muito melhor na minha própria imaginação, onde havia cavalos e machadinhas de guerra de verdade, rifles, arco-e-flechas, caubóis, caciques e feiticeiros. Eu podia ficar sentado na cozinha ou na sala de visitas e, sem erguer um dedo, encenar as batalhas mais pitorescas entre peles-vermelhas e caras pálidas. Eu estava sempre do lado dos índios. Hoje em dia está quase todo mundo do lado dos índios, mas agora é tarde demais”.
[página 17]
Cia. das Letras
207 páginas
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“Lembro-me bem da primeira vez que alguns meninos tocaram a campainha e perguntaram se eu queria sair para brincar. As roupas deles estavam sujas, e um deles tinha um nariz ranhento. E lá estavam eles me perguntando se eu queria brincar de índio e caubói. Fingi estar com dor de barriga, ou dei alguma outra desculpa mais plausível. Não via sentido em brincar de índio e caubói em volta de automóveis e varais de charque. Era capaz de brincar muito melhor na minha própria imaginação, onde havia cavalos e machadinhas de guerra de verdade, rifles, arco-e-flechas, caubóis, caciques e feiticeiros. Eu podia ficar sentado na cozinha ou na sala de visitas e, sem erguer um dedo, encenar as batalhas mais pitorescas entre peles-vermelhas e caras pálidas. Eu estava sempre do lado dos índios. Hoje em dia está quase todo mundo do lado dos índios, mas agora é tarde demais”.
