terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Catraca Livre

Esta semana vi um anúncio no metrô do site Catraca Livre, que traz a programação cultural da cidade. Resolvi dar uma olhadinha e não perdi a viagem. É um site bem feito, produzido por alunos de jornalismo que, em parceria com a Uniesp, saem por aí buscando tudo o que a cidade tem de melhor na área cultural e divulgando. Ah, o mais importante: as opções apresentadas são de graça ou têm preço popular e abrangem, na medida do possível, os quatro cantos desta metrópole interminável, e não só os pontos mais conhecidos que ficam em lugares privilegiados. Há para todo gosto: teatro, cinema, shows, exposições, etc. Eu virei fã! Vou até deixar o link permanente aí ao lado para divulgar. Está sem grana, mas a fim de um programa legal? É só passar por lá que a catraca é livre!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Para começar bem

“Oficialmente, deveria haver comida na escola: um programa do governo previa a distribuição de três rotis, daal amarelo e picles para cada garoto na hora do almoço. Eu, porém, nunca vi nem pão, nem guando, nem picles, e todo mundo sabia por quê: o professor roubava o dinheiro do nosso almoço.
E tinha uma desculpa perfeitamente legítima para fazer isso, pois dizia que não recebia seu salário há seis meses. Ia iniciar um protesto pacífico para recuperar os salários atrasados: não faria absolutamente nada na sala de aula até que o cheque do seu pagamento chegasse pelo correio. Mas, ao mesmo tempo, tinha pavor de perder o emprego, porque, embora os salários de qualquer funcionário público na Índia sejam baixíssimos, há inúmeras vantagens indiretas. Um dia, chegou à escola um caminhão trazendo uniformes que o governo tinha mandado para nós; nunca vimos nenhum deles, mas, uma semana depois, lá estavam aqueles uniformes à venda no vilarejo vizinho.
Ninguém censurava o professor por fazer essas coisas. Não se pode esperar que um homem mergulhado num monte de bosta cheire bem. Todos na aldeia sabiam que teriam feito exatamente a mesma coisa se estivessem em seu lugar. Alguns tinham até orgulho dele, por conseguir se safar com tanta dignidade.”
[pág. 32-33]

Soa familiar, não? Se não fossem alguns pequenos detalhes que indicam que ação se passa na Índia, e não no Brasil, poderíamos perfeitamente deduzir que é apenas mais um caso de desvio de dinheiro público que ocorre tão freqüentemente que ninguém se importa mais. Na verdade, o trecho faz parte de um livro ótimo que ganhei de natal e já devorei.


Assustadoramente familiar e semelhante à realidade brasileira. Afinal, corrupção, exploração da miséria e falta de perspectiva não diferem muito de um país para outro, não é mesmo?

Quem quiser pode ler um pouco mais no site oficial, onde há ainda o que se disse sobre o livro na imprensa, papel de parede e informações sobre o autor.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mistério da Santa Casa

Onde foram parar os gatos da Santa Casa de São Paulo?

Para quem não sabe, na Santa Casa havia aproximadamente 300 gatos, que eram jogados lá regularmente, pelos mais diversos motivos. Ao que parece, uma das enfermeiras de lá cuidava deles e os castrava, na medida do possível. Acontece que por medidas sanitárias os gatos não podiam ficar por lá. Até aí eu entendo. Mas do dia para noite todos eles sumiram. TODOS! A direção do hospital diz que foram levados por uma ONG (que eles não quiseram informar). OK. Vamos fingir que acreditamos. Que ONG tem espaço e $ para pegar 300 gatos de uma só vez? Meu palpite? Incineraram os gatos. Seria um bom método, sem vestígios, não?

A ordem por lá é chamar a polícia se alguém for visto "desovando" gatos na Santa Casa. Mais uma vez, concordo. Abandonar os animais é crime. Entretanto, poderiam aproveitar e chamar a polícia para investigar o sumiço dos felinos.

Será que ninguém viu nada? Isso não pode ficar assim!
Fonte: Folha / G1

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Imagens do dia

Duas imagens que vi pela internet não saem da minha cabeça.

A primeira ilustrava uma notícia da Folha Online sobre os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que foi assinada logo após a segunda guerra mundial para evitar que atrocidades semelhantes àquelas ocorridas durante tal período voltassem a ocorrer. Como se sabe, na prática, pouca coisa mudou. E a imagem que ficou em minha mente é essa:

Ossos de mortos na guerra civil em Ruanda



A segunda imagem veio de uma notícia do mesmo jornal. Um cachorro se arrisca em uma rodovia no Chile para salvar um outro cão atropelado. Impossível não chorar ao ver isso:


http://www.youtube.com/watch?v=fXXaRECHHT4



Depois dessas duas imagens antagônicas, eu pergunto: quem aqui é um ser secundário, inferior, irracional?

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Estatísticas

Agora faço parte das estatísticas. Não sei se já falei aqui, mas a maioria das traduções que faço são da área médico-farmacêutica. Querendo ou não, nomes de doença, medicamentos e procedimentos fazem parte do meu dia-a-dia. Um dos documentos mais comuns é o Relato de Evento Adverso. Embora, geralmente, esses relatos sejam para medicamentos em investigação, esta semana comecei a pensar no que me aconteceu na forma de relato de caso. Seria mais ou menos assim:

A paciente, de 30 anos de idade, caucasiana, compareceu ao PS do hospital local referindo dor no rim esquerdo. Foi encaminhada para triagem, sendo submetida a medição da pressão arterial (normal) e breve exame físico. Foi diagnosticada inicialmente com cólica renal. Posteriormente, recebeu X mL de soro contendo X mL de Buscopan por via intravenosa. Foram coletadas amostras de sangue e urina para análise. Foi realizado ultra-som da bexiga urinária. Os resultados dos exames laboratoriais foram: infecção urinária e infecção sangüínea. O resultado do US foi cálculo de 6 mm na porção distal do ureter esquerdo. O diagnóstico final foi cálculo renal. Foram prescritos os seguintes medicamentos: Floxacin (norfloxacino) 400 mg, BID por 7 dias, Nisulid (nimesulida) 100 mg BID por 5 dias e Buscopan composto (butilbrometo de escopolamina e dipirona sódica) 20 mL gotas PRN. Durante o período em que recebeu os medicamentos acima, a paciente apresentou dor renal moderada, náusea, vômito e dor abdominal à palpação. Ainda não se sabe se os eventos adversos apresentados pela paciente estão relacionados aos medicamentos acima.
Avaliação da Relação pelo Investigador: Provável.
Avaliação da Relação pelo Monitor Médico: Não informada.
Desfecho: O caso aguarda novas informações.
Declaração da Paciente (de livre e espontânea vontade, nos eximimos de responsabilidade quanto ao teor da declaração): A paciente gostaria de declarar, para todos os fins, que, apesar da dor e do enjôo infernal, continua com seu prazo absurdo para realizar 680 laudas de tradução, cuja entrega provavelmente atrasará, uma vez que a paciente informou seu chefe de que não tinha condições físicas para terminar o trabalho sozinha e solicitou divisão do trabalho, o que lhe foi negado. Tendo em vista o exposto acima, à paciente só resta uma opção: Ligar o F***-SE!

OBS. 1: Sim, eu sou anormal.
OBS. 2: Sim, eu preciso de férias.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Homens...

Juro que tentei não pensar "Homem é tudo igual" quando vi essas duas notícias mais lidas na Folha, mas não deu. Então, já que pensei, vou dizer aqui: Homens são todos iguais. Bobos...As "polêmicas" estão aqui e aqui.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Parking Day



Você já ouviu falar em Parking Day? Não?

Como o nome sugere, a idéia de transformar, por um dia, vagas de estacionamento de veículos em pequenos parques. O movimento surgiu em 2005 em São Francisco, nos Estados Unidos, como iniciativa de um grupo de artistas e interessados, e se transformou em evento anual. Os espaços públicos, cada vez mais lotados de carros e carentes de lazer, são alvo da reflexão: o que queremos fazer das nossas ruas?

Segundo a notícia, três cidades do Brasil já aderiram: Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre os dias 19 e 22 de setembro, essas três cidades brasileiras e mais de 50 no mundo irão montar seus parques.

Eu, particularmente, adorei a idéia. Espero, ingenuamente, que dê certo por aqui, ao contrário do Dia sem Carro. OK. Em algumas regiões isoladas da cidade até houve eventos e ruas fechadas, mas na minha área o congestionamento foi o mesmo ou ainda pior do que o normal. Para que vou fazer o IMENSO sacrifício de deixar o carro em casa em UM ÚNICO sábado, não é mesmo?