Hoje, por acaso, assisti ao filme Surpresas do Amor (Four Christmases), sobre um casal formado por Kate (Reese Witherspoon) e Brad (Vince Vaughn) que tem suas vidas mudadas após terem sua viagem de fim de ano cancelada e serem obrigados a fazer quatro visitas de natal, uma para cada um de seus pais divorciados.
O mais divertido para mim são as cenas iniciais (OK, a cena do pula-pula é hilária), quando Kate e Brad estão fazendo aula de dança de salão. No fim da aula, outros casais perguntam quando eles se casarão. Para espanto dos outros casais, eles respondem "Nunca" e começam a fazer uma lista de tudo o que há de errado com casamentos. A mesma surpresa pode ser vista no rosto de alguns parentes quando o casal Brad e Kate é questionado sobre quando desejam ter filhos e respondem como anteriormente.
Depois disso o filme vira aquela coisa clássica de filmes de natal, com as brigas e tumultos familiares, mas tudo acaba bem. Mas isso não é relevante.
Achei válido comentar sobre o filme só para introduzir o assunto que realmente me interessou: a surpresa de uma resposta inesperada.
Eu sou campeã nesse quesito. Às vezes de propósito, só para ver a reação das pessoas, outras vezes, involuntariamente. Eu nunca me enquadrei nas regras sociais. Lembro que uma das primeiras vezes que pude me divertir com a surpresa de uma pessoa frente à minha resposta inesperada foi quando estava naquela idade trágica, às vésperas de fazer 15 anos. Ao contrário da maioria das minhas amigas, eu não quis festa de quinze anos. Sempre achei aquele circo todo muito exagerado. Vestidos, danças, salão... Enfim.
Um dia, uma amiga da minha avó me perguntou como ia ser minha festa de 15 anos e eu respondi que ia ser como todas as outras: um bolo, salgadinhos, docinhos e alguns amigos. Ela ficou indignada e soltou uma das minhas frases-feitas preferidas: “Mas só se faz 15 anos uma vez na vida!” Vendo a bola levantada ali na minha frente, não pude deixar de chutar no gol: “Todos os aniversários que faço são só uma vez na vida. Só fiz 13 uma vez, só fiz 14 uma vez e só farei 15 uma vez”. Minha avó me deu aquele olhar fulminante de “não seja malcriada”. Eu achei engraçada a cara da sujeita e ela não perguntou mais nada.
Desde então já tive o prazer de desmanchar expectativas alheias a meu respeito muitas vezes.
“Como assim não vai ter formatura?”
“Como assim não vai ter casamento?”
“Como assim não quer ter filhos?”
“Como assim não quer ter um carro?”
E por aí vai...
Qualquer dia conto outros casos espetaculares de “Como assim você não....”
Imagem retirada DAQUI
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Uma prova de amor
Era só um passeio comum de fim de semana: ir ao cinema com uns amigos. Estávamos todos meio tristes ainda, pouco mais de um mês após a perda de um membro de nosso grupo devido ao câncer. Decidimos sair, fazer algo só para aliviar um pouco a tristeza. Escolhemos uma comédia, claro. Ia tudo muito bem até que surge na tela o trailer do filme “Uma prova de amor” (My sister’s keeper). Nunca desejei tanto que não houvesse trailers.
Para quem não sabe, “Uma prova de amor” é um drama centrado em Anna, garota de 11 anos que começa a questionar sua existência, já que tem ciência de ter sido concebida na esperança de ser a salvadora de sua irmã mais velha, Kate, que tem leucemia desde criança. Ao longo de seus 11 anos, Anna foi submetida a vários procedimentos e cirurgias, doando desde células do cordão umbilical até medula para sua irmã. Ao chegar em um ponto crítico, Anna se vê obrigada pelos pais a doar um rim para a irmã, mas decide, ao invés disso, contratar um advogado para defender os direitos sobre seu próprio corpo.
No decorrer da história, a doença de Kate é vista por vários ângulos. Os conflitos e problemas causados pela doença afetam toda a família. Anna se sente usada, o irmão do meio, Jesse, tem seus problemas ignorados, o relacionamento do casal está desmoronando e Kate tenta apenas sobreviver.
Voltando ao que eu dizia lá no começo, o trailer foi breve, mas o suficiente para trazer de volta a nuvem de tristeza que tentávamos dissipar. Instaurou-se o silêncio pesado entre nós. Eu decidi que queria ver o tal filme, mas não naquele momento. Não em um cinema. Precisava de mais tempo para enfrentar a situação...
E eis que esta semana, mais de 1 ano após o incidente do cinema, estava folheando o guia de programação da TV e dou de cara com o filme. E num horário assistível, o que é raro. Respirei fundo, peguei os lenços de papel, me acomodei no sofá e passei duas horas em meio a emoções conflitantes, assistindo a um filme que contém cenas que, infelizmente, já presenciei ao vivo. Não é fácil assistir a um filme que você sabe que termina mal. O que se vê na tela é a mesma peça já vista na vida real, só que com atores diferentes. Não importa quanto tempo passe, sempre fica a sensação de injustiça. O problema que é os conceitos de justiça e razão não se aplicam à morte...
O que eu posso dizer é que o filme é ótimo, comovente sem ser piegas. Os atores convencem, principalmente a Cameron Diaz, em quem dá vontade de bater às vezes, mas que no fundo só queria desesperadamente salvar a filha. A qualquer preço.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Escondidinho
Ontem, sabe-se lá porque, acordei com vontade de comer escondidinho. Nunca havia feito em casa, então fiz uma pesquisa rápida na internet e lá fui eu preparar mais uma invenção culinária. E não é que deu certo?
Não querendo me gabar, mas já me gabando, foi o melhor escondidinho que comi na vida.
E ficou com essa carinha:
A receita? Algo mais ou menos assim:
Cobertura: Purê de batata (batata, manteiga, queijo parmesão e sal) para esconder o recheio.
Recheio: Carne de soja refogada no azeite, alho e cebola e temperada com orégano, sal, pimenta do reino e azeitonas pretas.
Montagem: Em geral, é só colocar o recheio em um refratário e cobrir com o purê, salpicar queijo e levar ao forno para gratinar. Na minha versão, coloquei purê no fundo do refratário, o recheio e depois mais purê. Ficou parecido com uma torta.
E a refeição completa foi escondidinho, arroz integral com açafrão e salada de alface com mussarela de búfala temperada com azeite, tempero à base de limão e gergelim. Delícia!
Não querendo me gabar, mas já me gabando, foi o melhor escondidinho que comi na vida.
E ficou com essa carinha:
A receita? Algo mais ou menos assim:
Cobertura: Purê de batata (batata, manteiga, queijo parmesão e sal) para esconder o recheio.
Recheio: Carne de soja refogada no azeite, alho e cebola e temperada com orégano, sal, pimenta do reino e azeitonas pretas.
Montagem: Em geral, é só colocar o recheio em um refratário e cobrir com o purê, salpicar queijo e levar ao forno para gratinar. Na minha versão, coloquei purê no fundo do refratário, o recheio e depois mais purê. Ficou parecido com uma torta.
E a refeição completa foi escondidinho, arroz integral com açafrão e salada de alface com mussarela de búfala temperada com azeite, tempero à base de limão e gergelim. Delícia!
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
A Suécia e os Vampiros
Olá, terráqueos!
Após uma semana mega conturbada, finalmente tive um tempo para escrever neste bloguitcho. Ando numa vibe sueca. Na verdade, acho que foi apenas coincidência mas, depois dos livros da Trilogia Millenium e do primeiro filme baseado na trilogia (“Os homens que não amavam as mulheres”), assisti a um filme que queria ver faz tempo: “Deixa ela entrar” (Låt den rätte komma in/Let the right one in) .
O filme sueco, baseado no livro, aparentemente é simples, mas envolve vários assuntos. A história pode ser resumida superficialmente assim: Oscar, garoto sem amigos que sofre bullying na escola, coleciona notícias de jornal sobre assassinatos e ensaia frases e golpes de faca para revidar as humilhações. Um dia, conhece Eli, a menina estranha que acaba de se mudar para o apartamento ao lado do seu. Logo tornam-se amigos. Eli encoraja Oskar a revidar os maus tratos e o protege em algumas situações. A amizade vai evoluindo e Oskar acaba descobrindo que a menina é vampira.
PAUSA NESTE MOMENTO.
Embora tudo que envolva vampiros esteja na moda e haja uma relação entre um humano e um vampiro nesta história, fãs de vampiros assépticos da saga Crepúsculo devem passar longe. Vampirismo aqui envolve sangue, controle dos instintos, morte sem glamour. Vários mitos vampirísticos estão presentes (vampiros não podem ser expostos à luz do dia nem entrar na casa de alguém sem ser convidados), mas a abordagem é nova.
O filme tem várias camadas e pode ser interpretado de muitas maneiras. Pode ser uma história de amor e amizade entre Eli e Oskar; um retrato dos excluídos pelas diferenças; uma história resultante de famílias problemáticas; um filme de terror com seres sobrenaturais; etc.
E parece que a coisa fica mais intrigante ainda quando o filme é comparado ao livro. Segundo consta, temas polêmicos como pedofilia, homossexualismo e outras nuances são explicitados no livro. Infelizmente não li o livro ainda mas, depois de ler vários comentários e discussões, dei uma espiada na página do IMDB sobre o filme e posso dizer que a vontade de ler o livro aumentou ainda mais.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Faces da violência
Esta semana finalmente consegui assistir ao filme “A Fita Branca” (Dass Weisse Band), um dos milhares de filmes que estão na minha lista e que estava aguardando pacientemente sua vez.
Eu já tinha lido vários comentários favoráveis ao filme, mas também já tinha ouvido muita gente reclamar que não havia conseguido ler boa parte das legendas no cinema, já que o filme é em preto e branco e, não sei porque diabos, insistem em usar legenda branca. Pra piorar, o filme é em alemão. Como não entendo nada desse idioma, achei melhor assistir em casa, com legenda amarela.
Pois bem, sabia que o filme é polêmico. Crianças que vivem numa vila onde começam a surgir casos de violência e morte. A violência tem muitas caras. Começa com as punições e castigos absurdos que as crianças recebiam dos pais e termina lamentavelmente na reprodução do comportamento violento pelas próprias crianças.
A violência atualmente está tão banalizada que não nos afeta como deveria. Mas se tem uma forma de violência que impressiona é aquela cometida por crianças. Temos em nossa mente a imagem padrão de que criança é pura e ingênua. Bem, nem sempre é assim. Outros filmes já trataram de protagonistas menores de idade que põem em prática a maldade usando a fachada da inocência infantil. Alguns são mero terror que não fazem ligação com a vida real, tais como “O enviado” (Godsend) e “A órfã” (Orphan), e que, portanto, não assustam de fato.
Eu já tinha lido vários comentários favoráveis ao filme, mas também já tinha ouvido muita gente reclamar que não havia conseguido ler boa parte das legendas no cinema, já que o filme é em preto e branco e, não sei porque diabos, insistem em usar legenda branca. Pra piorar, o filme é em alemão. Como não entendo nada desse idioma, achei melhor assistir em casa, com legenda amarela.
Pois bem, sabia que o filme é polêmico. Crianças que vivem numa vila onde começam a surgir casos de violência e morte. A violência tem muitas caras. Começa com as punições e castigos absurdos que as crianças recebiam dos pais e termina lamentavelmente na reprodução do comportamento violento pelas próprias crianças.
A violência atualmente está tão banalizada que não nos afeta como deveria. Mas se tem uma forma de violência que impressiona é aquela cometida por crianças. Temos em nossa mente a imagem padrão de que criança é pura e ingênua. Bem, nem sempre é assim. Outros filmes já trataram de protagonistas menores de idade que põem em prática a maldade usando a fachada da inocência infantil. Alguns são mero terror que não fazem ligação com a vida real, tais como “O enviado” (Godsend) e “A órfã” (Orphan), e que, portanto, não assustam de fato.Lembro de quando lançaram “O anjo malvado” (The good son), que trazia Macaulay Culkin, o astro-mirim mais famoso da época, como uma criança psicopata que torturava animais e que queria eliminar o primo. Foi um escândalo. O filme foi proibido em vários lugares e, nos poucos em que entrou em cartaz, ficou pouquíssimo tempo. Como uma carinha angelical daquela poderia ser capaz de atos tão malignos?
Pois o diretor de “A fita branca” entende bem de crianças violentas. O primeiro filme que vi dele foi “Violência gratuita” (Funny games US), a versão americana, de 2007. Depois fiquei sabendo que o tal filme era uma refilmagem do original, do próprio diretor, que ele havia gravado pela primeira vez em alemão, o “Violência gratuita” (Funny games), de 1998.
A refilmagem foi feita em inglês, mas manteve os mesmos diálogos e posicionamento de câmeras, trocando apenas os atores e o local em que se passa a história. Tenho que dizer que esse foi um caso raro de refilmagem que ficou melhor do que o original. Não que os atores da versão alemã fossem ruins, mas acho que a carinha de anjo do loirinho americano (que, aliás, lembra o Macaulay Culkin), é muito mais perturbadora.
Considero “Violência Gratuita” um nome de filme muito bom, tanto no original em inglês quanto em português. Isso fica claro quando, em determinado momento, os garotos começam a bater no pai da família aterrorizada, que diz para os invasores pegarem o dinheiro e os objetos de valor e deixarem a família em paz. Mas os garotos não aceitam, é claro, e batem mais ainda em quem fez tal sugestão. Em pânico, e sem saber o que fazer, o pai pergunta “Por que fazer isso?”, ao que responde o loirinho “Por que não fazer”? Ou seja, é fazer simplesmente porque se pode fazer. Nada mais.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Bem passado, por favor!
Nada como um filé bem passado, não é mesmo?
Alguns devem estar se perguntando por que diabos eu estou colocando foto de filé no blog. Podem ficar sossegados que a foto acima é do meu famoso filé de tofu. Todo mundo olha e acha que é filé de frango e quando eu digo que é de tofu, fazem cara feia.
“Tofu não tem gosto de nada”, podem argumentar alguns.
É verdade. Não tem gosto de nada. E por isso mesmo é legal. É um alimento versátil e saudável que pode ser usado tanto em pratos salgados quanto doces. E ainda substitui o ovo como espessante em algumas receitas.
A receita de hoje é a mais simples possível. É só cortar o tofu em fatias não muito finas (mais ou menos um dedo de espessura) e tirar o excesso de água. Há várias formas de tirar o excesso de água do tofu. Uma forma bem fácil e rápida é colocar em um prato fundo (ou outro recipiente que possa armazenar a água liberada) e levar ao micro-ondas por 1 minuto. Retire o excesso e coloque mais 1 minuto, se necessário. Depois é só apertar de leve as fatias entre 2 folhas de papel toalha.
O próximo passo é colocar o tofu em uma frigideira antiaderente e temperar lá mesmo. Eu coloco um pouquinho de azeite, sal, orégano, pimenta calabresa e alho frito (desses que já vêm frito em saquinhos). Daí é só ir apertando as fatias com uma escumadeira para que a água restante saia. Quando começar a sair fumaça e você pensar "Caramba, estraguei tudo!" está na hora de virar as fatias e deixar mais um pouquinho para dourar o outro lado. E é isso.
Difícil, não?
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Pensamentos aleatórios
Andar num ônibus articulado de madrugada é como ter um passaporte da alegria por apenas R$2,70.
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