Eu nunca tive grandes expectativas nessa data, já que faço aniversário poucos dias antes. Então, meu presente sempre foi “2 em 1”. Era muito mais fã de Natal. E de Páscoa, lógico. Aliás, Páscoa é o único feriado comercial que aprecio. Nada supera um bom chocolate.
Mas não era isso que eu ia dizer. Ia só fazer uma observação nostálgica sobre o tempo em que ganhar uma boneca ou um carrinho simples era suficiente para as crianças. Lógico, para algumas, isso ainda é um sonho distante e seria a felicidade completa. Porém, ninguém escapa dos apelos tecnológicos e da propaganda maciça. Um brinquedo que não faz nada sozinho não tem apelo. As crianças de hoje querem ganhar celular, I-pod, computador e roupas de marca. Triste...
No entanto, mais triste que isso é perceber como as meninas são criadas para serem donas de casa felizes e esposas perfeitas. Claro, para algumas mulheres isso é tudo o que almejam ser. Mas nem todas. E, para as pobres garotinhas, não existe nem a chance de sonhar em ser outra coisa. Vejam bem, quais brinquedos são destinados às garotas? Bebês (que choram/falam/riem/cagam - super divertido, não?) e apetrechos para o lar (vassouras, panelas, tábuas de passar - emocionante, hein?). Ahhhh, sim... ia esquecendo. Há a Barbie, o nosso ideal de beleza inalcançável, com sua vida glamorosa e várias opções de carreira interessantíssimas, mas... como toda boa “princesa”, só é feliz quando encontra seu grande amor. Sim, porque, pra que serve uma princesa afinal? Não manda em nada, porque princesa não é rainha; não tem nenhum superpoder; só se mete em confusão e depende do príncipe encantado pra resolver todos os seus problemas.
E os meninos? Já repararam nos brinquedos de meninos? É jato, carro de corrida, kit de espião... Vários super-herois. Armas de todos os tipos (espadas, facas, metralhadoras, estrelas ninja). Podem ser desbravadores espaciais ou cowboys. Policiais ou bandidos. Guerreiros ou pilotos. Carros de controle remoto, pistas de automobilismo, bases militares. Nunca vi nenhum kit de “Contador”, “Gari”, “Garçom”, “Vendedor de Seguro”. Por que será? Isso é justo???
Pra mim nunca foi. Lógico que tive minhas bonecas, minhas cozinhas, minhas Barbies, mas nunca foram, nem de longe, minhas brincadeiras favoritas. Vez ou outra chamava umas amiguinhas ou ia até a casa delas para “brincadeiras de meninas”. Mas sempre gostei mais dos brinquedos de meninos. Para minha sorte eu tenho um irmão. E a gente sempre brincava com seus Comandos em Ação (que agora, como todos os brinquedos, ganharam apelo gringo e foram rebatizados de “G.I. Joe”), pistolas, espadas, carrinhos de controle remoto. É claro que eu sempre ficava com o lado dos “malvados” e me dava mal no final, mas nada disso importava. E, de quebra, minha Barbie às vezes roubava a Ferrari de controle remoto e saía feito louca, atropelando várias Chuquinhas, bolando um plano mirabolante com o soldado rastejante e assaltando o Boca Rica. Muuuuuuuuuito mais legal!
Então, pense nisso antes de dar à sua filha/sobrinha/neta/afilhada uma "linda cozinha completa". Por que não um livro, jogo, cinto de Bat-utilidades?





