“(...) as personagens deste livro estão em
trânsito, suspensas entre um fato e outro, um gesto e outro, uma e outra
espera. Nem servem os diálogos para dar concretude àquilo que não se quer
concreto, as falas são somente pistas, elementos pingados com parcimônia, que
ao bom entendedor indicam sentimentos nunca explicitados. Não se trata aqui de
narrativas convencionais, princípio, meio e fim. Cada história começa no meio
da história ou em um ponto qualquer de seu percurso, sem que nenhum fato
marcante nos diga: neste ponto tudo teve início. O leitor embarca como se
pegasse um trem em movimento, salta no fim que não é nunca um fim mas apenas
uma estação, e a história parece seguir em frente sem ele, em direção
ignorada”.
Texto
de Marina Colasanti na contracapa