Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Resenha: O Novo Horror


Lançado em 2021, “O Novo Horror” tem uma proposta interessante: retratar os temores dos jovens brasileiros. Se a COVID-19 tornou a existência neste planeta mais assustadora do que já era, sobreviver a esse cenário de filme de terror no Brasil dos últimos anos gerou matéria-prima abundante para escritores da nova geração produzirem contos bem perturbadores. Os 20 textos exploram o medo em suas diversas vertentes, incluindo o horror cotidiano (mudanças climáticas, fanatismo religioso, violência urbana, racismo, etc), o horror sobrenatural (casas assombradas, eventos inexplicáveis) e o horror psicológico (o inimigo interior, a percepção distorcida, a alucinação).

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Resenha: Os Outros Dois


Alice Waythorn, que já foi Alice Haskett e Alice Varick, está em seu terceiro casamento. Das uniões anteriores ela traz uma filha pré-adolescente e o domínio da arte da maleabilidade. Quando pouco depois do mais recente matrimônio a garota adoece e passa a receber visitas do pai (o primeiro marido de Alice), o Sr. Waythorn se vê numa situação desagradável, piorada quando o destino o faz assumir, no trabalho, o caso do segundo ex da esposa.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Resenha: Rinha de galos


“Certa noite, a barriga de um galo estourou enquanto eu o carregava nos braços como se fosse uma boneca, e descobri que aqueles homens tão machos que gritavam e atiçavam para que um galo rasgasse o outro de cima a baixo tinham nojo da merda, do sangue e das vísceras do galo morto. Assim, eu passava essa mistura nas mãos, nos joelhos e no rosto, e eles pararam de me importunar com beijos e outras idiotices.

Diziam ao meu pai:

– Sua filha é um monstro.”

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

Resenha: O natal dos fantasmas


Doze histórias natalinas de fantasmas, de doze autores diferentes e com estilos diversos. Alguns fazem uso da violência física, outros evocam imagens e sons discretos. Há quem trabalhe mais no campo da angústia mental e também quem prefira explorar o pavor causado por elementos palpáveis. E existe até aqueles que recorrem ao humor (como é o caso de Jerome K. Jerome, autor de “Ceias Fantasmagóricas”, cujo trecho inicia a postagem – e que foi um dos meus favoritos). Independente do caminho escolhido, todos os autores são habilidosos criadores de atmosfera, algo fundamental em narrativas de terror. Fui lendo aos poucos para poder saborear cada texto e me diverti bastante com a leitura.

domingo, 14 de novembro de 2021

Resenha: A história de uma hora e outros contos

Esta edição dos clássicos bilíngues traz 3 contos de Kate Chopin, publicados entre 1893 e 1894. "O bebê de Désirée" fala sobre um fazendeiro rico que se casa com uma moça enjeitada, que logo lhe dá um filho. Só que o fazendeiro, que amava a criança, de um dia para o outro passa a repeli-la, a evitar a mulher e a ser violento com os escravos. Suas suspeitas arruínam a família, mas numa carta vem a revelação inesperada que o faz cair em si. "Ma'ame Pélagie" é sobre duas irmãs solteironas que moram numa cabana e poupam cada centavo para reconstruir a mansão da família, que foi destruída na Guerra Civil Americana. A chegada da jovem sobrinha abala a dinâmica das tias e as faz ver as coisas por uma nova perspectiva. “A história de uma hora” é sobre uma jovem esposa com problemas cardíacos que recebe a notícia de que o esposo morreu num acidente. Depois de chorar um bom tempo, ela começa a pensar nas mudanças que aquela morte trará à sua vida.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Resenha: Mulheres vs. Monstros


Nesta coletânea idealizada e organizada por Cláudia Lemes, 11 autores brasileiros que escrevem ficção especulativa entregaram um combo de 1 conto + 1 ensaio curto, no qual falam sobre suas inspirações para as narrativas ficcionais.

Comprei o livro porque o tema chamou minha atenção. Mulheres são sobreviventes e enfrentam, desde o início dos tempos, todo tipo de monstros: de criaturas mágicas, sobrenaturais e de outros planetas até seres monstruosos de carne e osso que estão nas ruas, no ambiente de trabalho e dentro de casa. Alguns deles têm um rosto (conhecido ou não); outros são representados por instituições e dogmas de uma sociedade. Como se não bastasse, os monstros também podem estar dentro das mulheres, como algo que distorce a realidade e faz delas prisioneiras de si mesmas. E é de todas essas formas de monstros que essa coletânea trata.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Resenha: Assassinos à mesa do jantar

Como boa fã de Hitchcock, concordo plenamente que comida e assassinatos combinam muito bem, então nada melhor que unir esses elementos em um bom jantar. Muitos autores também pensam (ou pensavam) dessa forma, tanto é que escreveram sobre o tema. Os contos dessa coletânea foram organizados como um menu: Especialidades da Casa (alguns autores famosos do gênero), Entradas (autores não tão óbvios) e Sobremesas (mais nomes clássicos do romance policial). E o cardápio é variado. Tem histórias mais curtas e mais longas, crimes praticados à mesa de restaurantes ou na privacidade do lar, histórias em que a comida é a estrela e outras em que é apenas figurante.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Resenha: Pétala



Bruna está nervosa. Ela sabe que Pétala a aguarda numa esquina movimentada, no bar em que tiveram seu primeiro encontro, dois anos atrás. Ela está atrasada. Perde um ônibus, dois... precisa organizar as ideias e tomar coragem para falar de seus sentimentos. Quando finalmente chega, Pétala sorri – e isso acalma um pouco o coração de Bruna. Ela adora aquele sorriso. Ela ama aquela garota. Sente que chegou a hora de dar um passo a mais no relacionamento, mas... e se Pétala não quiser?

domingo, 2 de abril de 2017

Resenha: Dançarinas


Li 'Dançarinas' no ano passado, mas então emprestei o livro e só agora combinei com a Lulu (leia a resenha dela AQUI), minha parceira no Desafio Lendo Margaret Atwood, de postar nossas opiniões. Obviamente, as impressões mais imediatas e vibrantes já se perderam nesse tempo todo. De qualquer forma, esse foi o livro da autora que menos me agradou até o momento. O volume inclui 14 contos que têm, em sua grande maioria (12 contos), mulheres como protagonistas, mulheres com personalidades e estilos de vida diferentes, porém unidas pela mesma dor.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Leia o Livro, Veja o Filme: A Chegada

FILME: A Chegada

Doze naves surgem no céu em diversos pontos do globo terrestre. Ninguém sabe ao certo por que tais localizações foram escolhidas nem o que os alienígenas querem. Para tentar obter algumas respostas, os militares procuram a Dra. Louise Banks, renomada linguista, para liderar a equipe de Montana e fazer contato com os extraterrestres.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Leia o Livro, Veja o Filme: Janela Indiscreta

LIVRO: Janela Indiscreta e Outras Histórias

Calor enervante e perna engessada: uma combinação nada agradável. Em busca de uma brisa e de algo que o entretenha, Hal Jeffries passa os dias na cadeira de rodas posicionada perto da janela, observando os moradores dos prédios vizinhos. De tanto observar, ele acaba familiarizado com a rotina alheia, a ponto de acreditar que, em um dos apartamentos do outro lado do pátio, o marido assassinou a esposa. Será mesmo?

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Resenha: Malditas - As casas têm atmosfera


Casarões decadentes ou casas recém-reformadas; um sonho realizado ou uma herança inesperada – não importa. Em “Malditas” as casas são organismos vivos que pulsam, respiram e se alimentam dos pobres seres humanos. Elas trazem em suas paredes memórias de várias gerações, guardam sob a poeira lembranças tristes, e por suas frestas e sombras espreitam fantasmas aterrorizantes. Quem tiver coragem de se arriscar, venha comigo!

domingo, 20 de março de 2016

Desafio 12 Meses de Poe #3 - Hop-Frog

Hop-Frog (em português “Rã Saltadora”) é o nome que o rei dá ao anão que faz as vezes de bobo da corte. Seu nome de batismo e sua terra natal são desconhecidos; só o que se sabe é que ele foi arrancado de seu lar para servir ao monarca, contando piadas e sendo ridicularizado por sua aparência física. Além de ser verbalmente humilhado pelo rei e por seus ministros, Hop-Frog ainda sofria outro tipo de abuso: sua majestade o obrigava a ingerir bebida alcoólica, o que fazia o anão passar muito mal. Um dia, o rei embebedava Hop-Frog numa dessas “sessões divertidas” e Trippetta, outra anã da corte, decide intervir pelo amigo, implorando ao soberano que parasse. Em resposta, é empurrada e tem o conteúdo de uma taça de vinho jogado em seu rosto. Hop-Frog, indignado, parece recuperar momentaneamente a lucidez e inventa uma tradição cômica de sua terra natal, sugerindo ao rei que ele e seus sete ministros se vestissem de orangotangos no baile de máscaras. Como o rei vivia para se divertir, aceita sem pensar duas vezes. Mas o que Hop-Frog tinha em mente não era nada engraçado.

Ilustração de Arthur Rackham, 1935

terça-feira, 15 de março de 2016

Resenha: Vasto Mundo


“Eu os conheço a todos. Reconheço-os pelas pisadas e por elas sei de seus humores, de seus sentimentos, de suas urgências, preguiças, de seu contentamento ou aflição. Sei de sua grandeza e mesquinhez. Leio seus passos quando apenas roçam minhas lajes em corridas alegres de pés pequenos ou quando me oprimem com o peso de vidas inteiras. Foi seu tropel incessante que me despertou do meu sono de pedra. Só eu os conheço a todos porque só eu estou sempre neles como eles estão em mim. Eles me criaram e agora eu os crio. Quero-os como são porque quando eles deixarem de ser, tampouco eu serei. Não os posso fazer como eu os quisera, sempre formosos, felizes, generosos e livres, mas como mãe os crio, tais quais me vieram acolho-os. Sou seu chão, vejo tudo e não os julgo, sei apenas que são humanos e me comovem. Pela linguagem de seus pés, vou desenleando suas histórias uma a uma. Vivem eles mesmos, a vida toda, a narrar, narrar-se, passado, presente e futuro. Meus ouvidos de terra, pedra e cal ouvem, e aprendo. Creio ter compreendido que nisto consiste o serem humanos, em poderem ser narrados, cada um deles, como uma história.”

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Desafio 12 Meses de Poe #2 - O Demônio da Perversidade

O conto começa como um ensaio, falando sobre como seres intelectuais e de pensamento lógico definiram os propósitos divinos, sobre como sentimento moral ou faculdade intelectual foram atribuídos a funções orgânicas, sobre a existência negada da maldade e seu caráter humano e incompreensível. Tudo muito teórico, muito sério, muito maçante. Eu já estava começando a duvidar da classificação do texto como conto quando finalmente o narrador começa a se explicar e enfim aparece o Poe que eu estava esperando desde o início: preciso na escolha dos termos, mestre na criação de tensões, exímio incitador de angústia.

A imagem veio DAQUI

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Desafio 12 Meses de Poe - #1 - Metzengerstein

“Metzengerstein” é um dos contos do Poe que eu já havia lido e até escrito sobre ele quando falei da minissérie de TV ‘Contos do Edgar’. De qualquer forma, resolvi reler e escrever mais detalhadamente sobre a história de uma profecia húngara que dizia o seguinte: “Um nome elevado sofrerá queda mortal quando, como o cavaleiro sobre seu cavalo, a mortalidade de Metzengerstein triunfar sobre a imortalidade de Berlifitzing”.

'Metzengerstein', de Harry Clarke

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Dose Dupla: A vida naquela hora/ Duas tardes

Hoje o post é especial e traz resenha de dois livros do escritor paulista João Anzanello Carrascoza: “A vida naquela hora” e “Duas tardes”. Embora os dois livros sejam de contos e apresentem a escrita poética do autor, o tema das duas obras é diferente: enquanto a primeira foca mais nas pequenas descobertas e no crescimento de personagens jovens, a segunda se volta para a melancolia de cenas corriqueiras.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Resenha: Big Loira e Outras Histórias de Nova York


Ao longo dos 21 contos de “Big Loira”, Dorothy Parker volta seu olhar perspicaz para a Nova York dos anos 20-30 e sua fauna humana. Alguns tipos são bem característicos da Big Apple, mas o comportamento dos gringos não difere muito daquele apresentado por gente de outras metrópoles. Embora o foco sejam as protagonistas femininas, os homens não escapam de seus comentários ácidos.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Resenha: Redrum - Contos de Crime e Morte


Sete contos que, obviamente, envolvem morte, crime e suas mais variadas motivações. Desde uma brincadeira que deu errado, passando por personagens assombrados pela culpa, outros que são movidos pela inveja e até aqueles que encontram na morte um alívio para as aflições da vida.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Resenha: O Chamado de Cthulhu e Outros Contos


Lovecraft é referência suprema na literatura de horror e sua influência pode ser percebida também em outros campos da arte: filmes, pinturas, música. Mesmo gostando muito desse gênero literário, não sei por que nunca tinha lido nada do autor. Esta edição da Hedra traz a famosa história de "O Chamado de Cthulhu" e mais seis contos de várias fases de produção do Lovecraft.