Ela:
Não sei o que eu quero.
Ele:
Também não. Vamos falar ao mesmo tempo.
(Simultaneamente...)
Ele:
Eu quero crème brûlée.
Ela:
Eu quero o divórcio.
(Corta)
Essa cena inicial foi o bastante para me fazer prestar atenção nesse filme que
escolhi aleatoriamente e que conseguiu a proeza de ganhar 4 estrelas na minha
avaliação do Filmow.
Rompimento doloroso |
Eu
não sou grande entusiasta de comédias românticas. Assisto sim, geralmente
quando quero algo leve que não exija muito do cérebro. Mas acho um gênero
ingrato, pois raramente é engraçado o bastante para arrancar risadas ou
romântico o suficiente para me deixar envolvida no relacionamento dos protagonistas. O
resultado geralmente são uns poucos esboços de sorriso, gerados pelas
inevitáveis confusões e desencontros.
Mas
não neste caso. Quando o filme estava em cartaz no cinema, não me interessei. Quase
nunca saio de casa para assistir esse tipo de filme, que
considero ideal para se ver em casa. Só que, outro dia, eu estava separando uns
títulos para montar mais um “E o tema é...”, e “Amor a toda prova” estava entre eles. Comecei a assistir sem
nenhuma expectativa. O único ponto de interesse, na verdade, era o elenco: Steve
Carell, Juliane Moore, Ryan Gosling, Emma Stone, Marisa
Tomei... tinham que fazer muita besteira para estragar um filme
estrelado por um time desses. No fim, acabei gostando tanto do que vi que achei
que o filme merecia um post só para ele.
A
história é simples: Cal Weaver (Carell) é um quarentão todo certinho
e careta, casado há 25 anos com sua primeira namorada colegial, pai de 3 filhos
perfeitos, com um trabalho decente e monótono - o retrato de um sujeito
dedicado, mas sem nada que o destaque na multidão. Quando a esposa, Emily (Julianne
Moore), diz que teve um caso com um colega de trabalho e pede o
divórcio, Cal vê seu mundo de sonho desmoronar ao perder de uma só vez a amada,
a guarda dos filhos, a casa e, claro, a autoestima.
Arrasado,
ele para em bar por onde passava todos os dias e fica chorando as mágoas no
balcão, para quem quiser ouvir (embora ninguém preste atenção). No segundo
dia da ladainha, Jacob (Gosling), o bonitão pegador do
lugar, resolve fazer de Cal seu projeto pessoal. Para restaurar a
"masculinidade" perdida de Cal, Jacob ensina a ele os truques para
levar qualquer mulher para a cama, reformula seu visual, dá conselhos
infalíveis. E todo o esforço faz efeito. No entanto, a única coisa que Cal
desejava era ter Emily de volta.
O
filme mostra ainda os dilemas amorosos de vários outros personagens, todos
apaixonados por alguém que não corresponde o afeto, indo desde o inocente
primeiro amor de um garoto de 13 anos por sua babá até a reviravolta que faz o
conquistador Jacob cair de quatro por uma garota que não lhe dava a mínima e que,
quando finalmente decide ir para a casa com ele, o faz passar a noite toda
conversando, rindo, falando sobre a infância e sobre seu bizarro vício de
compras por televendas.
Como
eu disse, a história não tem grandes inovações. É a velha trama do casal que se
desentende e no fim consegue seu final feliz. Não é nenhuma novidade nem
spoiler. Mas o diferencial é a delicadeza com que o diretor trata cada
personagem e seus dramas e como todos eles interagem. O aprendizado é a chave
aqui. Todos tiveram que enfrentar seus medos e se reinventar para atrair o amado e alcançar a
felicidade, ou pelo menos uma promessa de dias melhores.
E
quando as cenas de comédia são inseridas, fazem rir de verdade. Não ficam
apenas no "quase". As lições de conquista de Jacob são muito boas, mas minha
cena preferida, juntamente com aquela que abre o filme, se dá quando Jacob
explica para Hannah (Emma Stone), a garota responsável
pela transformação do garanhão, como usa “Dirty
Dancing" como cartada final para seduzir a mulherada. Chorei de rir. É
muita breguice, gente!
Aliás,
o que faz o filme funcionar tão bem é o entrosamento irretocável entre os atores e
o timing perfeito de comédia, algo nem sempre fácil de acertar. A dupla Gosling/Carell é
imbatível. Eu nem imaginava que Gosling pudesse ser tão engraçado. E é um
alívio finalmente ver Carell fazendo um papel digno, que realmente honre seu
talento cômico. Emma Stone é outra que dá gosto de ver em cena. Quem curtiu o
trabalho da atriz em “A Mentira” com certeza vai gostar de sua participação em “Amor a toda prova”.
Muito
provavelmente este texto não faz jus ao ótimo filme que "Amor a toda
prova" é. Em parte, porque não posso contar mais sobre detalhes que fazem
toda a diferença na história; em parte porque, mesmo que eu fale mais sobre a
trama, há coisas que são, de fato, mais bem traduzidas em imagens. Tudo que me
resta é recomendar que vocês vejam essa produção subestimada.
Comédia
romântica bem acima da média. Consegue ser verdadeiramente romântica e
engraçada, ao contrário da maioria dos filmes desse gênero.
Trailer legendado:
3 comentários:
Eu acho o Steve Carrel tão fofo. Vi um filme dele, com a Juliette Binoche, que chama "Eu, meu irmão e nossa namorada", também é uma comédia bonitinha, que me surpreendeu. Vou procurar o filme que você indicou, e também preciso terminar minha maratona de "The Office" que ficou na primeira ;D
beijo grande,
Maira
Ah, eu curti esse filme :)
E o Ryan Gosling, ah meu deus!! :)
beijos,
Pipa
Maira,
Eu virei fã do Carell por causa do The Office. Acho que vou seguir seu conselho e continuar vendo a série. Só preciso descobrir em qual temporada eu parei...rs
Pipa,
Ah... o Ryan Gosling... Faz qualquer filme valer a pena, né?
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