Você também é do tipo que se irrita com o blá-blá-blá repleto de gerundismos do pessoal de telemarketing? E se esse pessoal avançasse na carreira e assumisse postos de diretoria e gerência, deixando o gerundismo um pouco de lado, mas abraçando um discurso empolado cheio de palavras bonitas e vazias?
Pois é... o primeiro caso é mais conhecido pelo público em geral. O segundo só afeta os pobres coitados que têm que ler, interpretar e adivinhar o que esse povo de negócio quer dizer em documentos sem pé nem cabeça. Infelizmente, tenho que conviver com os dois tipos.
Quem me conhece sabe que um dos meus hobbies é vagar pelas seções de auto-ajuda e de negócios coletando pérolas na forma de títulos de livros. Na minha opinião, as duas seções poderiam formar uma só, já que, salvo raros casos, é literatura sem conteúdo. Qualquer pessoa com o mínimo de bom-senso sabe o que está escrito nesses tipos de livros. Todos nós sabemos o que fazer, ninguém precisa nos ensinar esse tipo de coisa. Só não fazemos porque temos preguiça ou medo.
Enfim... livros de negócios, além dos títulos esdrúxulos, são pedantes. É como se cada autor tivesse descoberto a eletricidade. Sendo assim, pessoas que leem esse tipo de livro tendem a ser igualmente arrogantes e sem senso crítico (estou generalizando, OK?). Tudo para ter sucesso!
Lógico que não. São só pessoas que não pensam por si mesmas, que querem tanto atingir metas que não percebem o que falam. A única coisa que fazem é copiar modelos sem nunca analisá-los.
O legal é que o livro dá exemplos reais extraídos de documentos de grandes empresas e dá dicas do que fazer para melhorar a comunicação. Vou colocar aqui parte de um dos exemplos de Dialeto Corporativo, só para ilustrar:
“Já que o alicerce de um portfólio informatizado de uma agência é sua infra-estrutura, cabe a um conselho administrativo versado em TI elevar ao nível de empreendimento as decisões de infra-estrutura. Historicamente, as gerências de informática têm tido dificuldade em atrair a atenção dos executivos para essa questão crítica, porque a infra-estrutura é geralmente descrita em termos de componentes tecnológicos, e não em termos de aptidão empresarial. O propósito de construir uma infra-estrutura empresarial informatizada é permitir o compartilhamento de informação e de recursos dispensiosos, ao mesmo tempo em que se cria um mecanismo para prestação de serviços e economias de escala no nível transunitário.”
E aí? Entendeu a mensagem? Contou quantas vezes foi usada a palavra infra-estrutura? Identificou as clássicas palavras-chave do mundo corporativo, que geralmente são usadas livres de significado?
Tem muitas outras coisas legais que gostaria de comentar, mas hoje vou parar por aqui.
Até mais!
