quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Resenha: Malditas - As casas têm atmosfera


Casarões decadentes ou casas recém-reformadas; um sonho realizado ou uma herança inesperada – não importa. Em “Malditas” as casas são organismos vivos que pulsam, respiram e se alimentam dos pobres seres humanos. Elas trazem em suas paredes memórias de várias gerações, guardam sob a poeira lembranças tristes, e por suas frestas e sombras espreitam fantasmas aterrorizantes. Quem tiver coragem de se arriscar, venha comigo!

O livrinho é uma coletânea de sete contos de terror escritos originalmente em língua portuguesa por 7 autoras diferentes. Em comum, apenas o gosto por criar histórias de tirar o sono que têm casas como agentes do mal.

Como em todo livro de contos, alguns agradam mais que outros e o resultado geral acaba sendo irregular. Entre as histórias, destaco as três que mais me impressionaram:

‘Escrito com sangue’ é o conto que abre o livro e tem uma atmosfera delirante à la Poe. Fala sobre um homem que leva uma vida totalmente desregrada e herda uma casa do tio. Uma noite, bêbado, ele começa a subir os degraus da velha escada caracol e fica preso em um pesadelo em que um número infinito de degraus se seguiam, para cima e para baixo, e ele não consegue jamais chegar a algum lugar. Achei altamente angustiante!

‘Mudanças’ foi outra história que me deixou tensa do início ao fim. É sobre uma família que se muda para uma casa nova, mas as coisas já começam a dar errado na chegada, enquanto os pais descarregavam as malas e o filho pequeno quase é atacado por um dos vários cachorros do vizinho. O clima de suspense vai aumentando com os sinistros quadros aparafusados nas paredes que parecem mudar a cada dia. E ainda tem os pesadelos do menino com o homem que ele diz morar no armário. Quando todas as peças do quebra-cabeça se enxaixam, o cenário revelado é terrível demais.

‘Anne’ também chamou minha atenção, mas porque se diferencia dos demais contos pelo fato de a protagonista humana da história não aceitar o papel de vítima e se mostrar uma adversária à altura da casa. Não posso falar mais para não estragar a surpresa, mas achei a tal Anne muito fria e perspicaz. Sem moralismo, soube aplicar como ninguém a máxima ‘Se a vida lhe der limões, faça uma limonada’.

“Malditas – As casas têm atmosfera” é o volume 2 da Coleção Funesto, formada também por “Insanas... elas matam!” e “Elas, cruéis”, que traz sempre contos de horror escritos por mulheres.

Nota: 3,5/5

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2 comentários:

Marta Skoober disse...

Com esse título e essa capa a maricas aqui não passa nem perto. (rs)

Michelle disse...

Marta,
Não vou nem tentar te convencer a ler porque, neste caso, tem que gostar de sentir medo mesmo... rs