terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

E viva os argumentos sem sentido!

Hoje de manhã, assistindo o jornal, vi a notícia de um moleque de 12 anos maltratando um touro, o que alguns pensam ser um ato de bravura. Quando o touro finalmente resolve contra-atacar, o pai do moleque invade a arena, afasta o touro e faz o filho voltar lá para terminar o serviço. O touro acerta o pivete mais uma vez, agora atacando também o pai. Infelizmente, ao contrário do touro, os dois energúmenos sobreviveram.

Vendo o vídeo novamente no site do G1, o que mais me choca não é a notícia em si, mas os comentários de certos leitores. Seria até engraçado, se não fosse desanimador, ler comentários de gente que justifica as atrocidades cometidas contra o pobre touro como “parte da cultura do povo X” ou ainda “faz parte do esporte”. Pior, outros que querem defender o ponto de vista e usam argumentos que não têm nada a ver com a história, tipo “deveriam parar de se preocupar com o touro e fazer alguma coisa para ajudar as crianças do Haiti”, ou de qualquer outro lugar que esteja “na moda” (adoro quando colocam crianças no meio do assunto).

Em primeiro lugar, é sabido que pessoas que se “preocupam” em ajudar crianças de qualquer lugar e que ficam indignadas com a atenção dispensada aos animais de fato não ajudam ninguém. Ficam só no blablabla. Se de fato ajudassem, não criticariam a ajuda a outras formas de vida. Segundo que, neste caso específico, o fato de defender ou não o touro não afeta em nada o horror que devem estar vivendo as crianças no Haiti. É perfeitamente possível lutar pelos direitos do touro e se empenhar para ajudar os desabrigados, não só do Haiti, mas de vários lugares.

Por fim, o mais triste são os argumentos de “cultura” e “esporte”, que são repetidos a torto e direito por seres que mais parecem papagaios (sem ofensa, penosos!) e seguem reproduzindo frases que ouviram outros papagaios repetirem sem nem ao menos pararem para pensar se fazem sentido. O argumento da “cultura” é sempre utilizado quando se que quer dar credibilidade a algo, provar que alguma coisa é feita do mesmo jeito há séculos. Aí já está a dica que de algo está errado. Se uma coisa não mudou em nada há séculos, se não evoluiu, se ninguém nem ao menos tentou fazer diferente, só pode haver um problema. Se vamos seguir “cultura” teremos que voltar à época das cavernas, fazer as coisas como eram feitas no período paleolítico. OK. Fui longe demais. Que tal voltar até a época em que se queimavam mulheres em fogueiras porque eram “bruxas”? Ou o que acham de voltar a utilizar escravos? Vamos queimar nossos trajes e aparelhos elétricos, fazer as coisas como antigamente, que tal?

Quanto ao argumento de “esporte”, talvez eu esteja enganada mas, ao meu ver, não há nada que demonstre as habilidades de um esportista ao se torturar um touro com lanças, ou ao se atirar em animais assustados para provar a boa mira (um alvo móvel inanimado cumpre a função tão bem quanto um ser vivo) ou ao expor animais ao estresse e desgaste físico desnecessários para se provar o quanto um jóquei é bom (quem está demonstrando habilidade é o cavalo, não jóquei).

Que argumentos restam agora para comprovar a estupidez humana?

4 comentários:

Sarah disse...

Não tinha visto essa notícia ainda... afff, que palhaçada... Que cultura que nada, isso é ignorância pura mesmo.

Art by Lu disse...

Concordo totalmente contigo.
O grande problema da nossa "civilização" é que ela endeusa a criatura humana e coloca abaixo tudo o que não é humano.
Esse antropocentrismo besta, exacerbado e descabido, fruto de religiões hipócritas, deixou a humanidade cega, burra e surda para ouvir a voz da natureza.
Humanos não são o centro do universo, muito menos do planeta. Humanos são somente - nada mais que isso - mais um tipo de criatura que vive no planeta, a mais nociva e burra...

Cryz disse...

Honestamente... Nossa 'raça' ainda se acha 'racional'...rs...

passa la tbm, meu!
http://desmanual.blogspot.com

GiovannaR disse...

Ai, esporte? Eu não me conformo com isso. Por que não colocam um imbecil desses de quatro com o p* dele amarrado e pedem pra alguém bater nele ou correr atrás?
Coitado do bicho e coitados de nós por nossos amigos (in)humanos que não entendem as coisas direito...