segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

[Do fundo do baú] Resenha: A Vida do Livreiro A.J. Fikry


Uma pequena cidade e sua única livraria. Um livreiro sistemático, solitário e preso ao passado. Um livro raro roubado. Um policial que gosta de romances policiais. Uma representante de vendas que nunca mente a um cliente sobre a qualidade dos livros que vende. Um misterioso pacote deixado na livraria. Um livro que fala de livros. 

Olha, não sei quanto a vocês, mas eu sou apaixonada por livros que tenham como tema principal outros livros, leitores e a leitura em si. Então, lógico que quando fiquei sabendo do lançamento de "A Vida do Livreiro A. J. Fikry" fui correndo espiar do que se tratava. E, assim que li as primeiras páginas, já me vi flanando entre as estantes da livraria Island Books, passando pelos corredores da loja entupidos de provas a serem avaliadas, participando das discussões do clube do livro realizadas no estabelecimento. Acima de tudo, fiquei intrigada com cartas cheias de referência a livros e contos que abrem cada capítulo. A quem será que se destinam? Quero ler essas indicações!

A. J. Fikry era o dono da única livraria da pequena cidade de Alice Islands. Todas as noites, depois de dispensar a garota que trabalhava como atendente, ele fechava a loja e subia para seu pequeno apartamento para mais uma sessão de comida congelada, (muito) vinho e (pouca) leitura de algum de seus autores favoritos. Desde que sua esposa morrera em um acidente de trânsito havia alguns anos, nada mais tinha graça.

Após uma dessas noites de jantar ruim e bebida em excesso, ele desmaia e seu livro raríssimo de poesias de Poe desaparece e, com ele, o sonho de levantar uma grana e dar um jeito nos negócios, que iam cada vez pior graças ao modelo de vendas on-line ao qual ele se recusava a aderir. Na delegacia, Fikry conhece o delegado Lambiase, o típico estereótipo de policial americano: gordo e louco por donuts. Para completar o clichê, o cara é fã de literatura policial. O mais bacana disso tudo é que Lambiase tem noção do quanto se encaixa no típico modelo de ‘homem da lei’ e desenvolve com Fikry altas conversas sobre literatura e arquétipos. Depois desse primeiro encontro involuntário, os caminhos de Fikry e Lambiase acabam se cruzando novamente e, sem querer, eles se tornam amigos.

O fato é que os dois personagens de que falei acima são apenas alguns dos tristes seres humanos que encontramos nas páginas de "A Vida do Livreiro A. J. Fikry". Todos ali se esforçam para seguir vivendo da melhor forma possível, apesar das decepções e dificuldades. Aliás, é a saída de cena de uma jovem personagem apavorada que transforma a vida de todos os demais, e os efeitos de sua tragédia mudam a dinâmica de toda a comunidade de Alice Island.

É difícil expressar aqui o quanto o livro é incrível e traduzir em palavras o quanto a história me encantou sem fazer revelações importantes da trama. Não que seja um livro de suspense e que determinadas informações possam arruinar o mistério e a vontade de ler que talvez vocês tenham. Longe disso. O que mais me agradou no livro é justamente o tema simples e a forma como a autora vai revelando aos poucos detalhes sobre a vida de cada personagem, tornando-os cada vez mais humanos e próximos. Isso e, claro, as referências bibliográficas. Alguns livros já estavam na minha lista e acabaram por saltar algumas posições; outros eu não conhecia e fiquei muito interessada em ler.
Enfim... "A Vida do Livreiro A. J. Fikry" é uma história de amor: pelos livros, pelas pessoas e pelos sonhos.

As pessoas contam mentiras chatas sobre política, Deus e amor. Você descobre tudo que precisa saber sobre uma pessoa com a resposta desta pergunta: Qual é o seu livro preferido?" 

Nota: 4/5

[Veja AQUI o post original, publicado em 07/08/2014 no ConversaCult] 

3 comentários:

Marta Skoober disse...

Eu gostei dele. A sua escrita deu vontade de reler... mas tem tanta coisa esperando, como posso?

Maura C. Parvatis disse...

Esse livro me cativou tanto <3 Fiquei com vontade de reler também! Livros sobre livros me interessam bastante, mas não li tantos assim... Beijos! Feliz ano novo!

Michelle disse...

Marta,
O eterno dilema dos leitores com estantes lotadas, né?

Maura,
Eu tenho uma listinha de livros sobre livros e, sempre que posso, pego um título de lá para ler :)