domingo, 26 de fevereiro de 2017

Oscar 2017: Seleção 2 - Diversas Categorias

Oi, gente!

Na reta final antes da premiação desta noite, venho falar sobre mais 5 concorrentes ao Oscar 2017: ‘Loving’, ‘O apartamento’, ‘Vida, animada’, ‘Mulheres do século 20’ e 'Eu não sou seu negro'.

Loving (Loving – Jeff Nichols, 2016) [Estados Unidos]
Mildred, uma moça negra, se casa com Richard, um rapaz branco. O ano é 1958, no interior do estado de Virgínia, Estados Unidos. Por terem cometido esse crime, segundo as leis em vigor na época, os dois são presos. Após pagarem fiança, eles têm duas opções para manter sua liberdade: devem se declarar culpados e se separar, ou devem se declarar culpados e partir da cidade por 25 anos – se em algum momento retornarem juntos, serão novamente presos. Com duas alternativas igualmente ruins, eles partem para Washington, onde constituem família, mas onde jamais se sentem em casa. Com a ajuda de advogados defensores dos direitos civis, eles iniciam uma longa batalha para continuarem casados em sua cidade natal. E essa jornada, claro, é muito dura. O filme é baseado em um caso real. Uma daquelas histórias que perturbam e comovem por evidenciarem a estupidez humana. Uma das cenas que mais me marcaram acontece em um bar, quando Richard volta à sua cidade de origem e reencontra velhos amigos para uma cerveja. Ele é o único branco do grupo. Um dos amigos diz que ele é um idiota por se envolver em tanto problema; que ele poderia resolver tudo simplesmente se separando de Mildred; que ele tinha uma saída; que ele estava sentindo na pele como era ser negro, sem ser de fato um, e que tinha a opção de deixar de ser, o que o outro lamentava não poder fazer. Cara, isso é tão pesado. E é verdade. Ele podia escolher sofrer perseguição ou não. Os outros não tinham escolha. Achei um bom filme. Indicado na categoria Melhor Atriz.
Nota: 3,5/5

O apartamento (Forushande – Asghar Farhadi, 2016) [Irã]
O casal Emad e Rana é obrigado a deixar seu apartamento às pressas devido a um abalo nas estruturas do edifício. Então, eles alugam temporariamente o apartamento de um amigo. Só que a antiga moradora ainda não retirou todos os seus pertences do local e, pior, tinha histórias antigas mal resolvidas que acabam enredando os novos inquilinos. Esse é o terceiro filme que vejo do diretor (já falei de ‘A separação’ e de Procurando Elly’ aqui) e, mais uma vez, sou totalmente arrebatada por sua narrativa. Como sempre, o ponto de partida é um mal-entendido que gera um conflito que vai crescendo e acaba em desgraça. Durante a projeção, vamos sofrendo junto com os personagens e seus dilemas tão humanos. Os seres da ficção de Farhadi são absurdamente reais e cheios de camadas e contradições. Não há mocinhos e bandidos em suas histórias – o diretor consegue, como poucos, gerar no espectador identificação com todos os envolvidos da trama, ora concordando, ora se opondo às ideias deles. De toda forma, é impossível não ficar incomodado com algumas situações e não reagir a elas. De longe, meu favorito na categoria Melhor Filme Estrangeiro.
Nota: 5/5

Vida, animada (Life, animated – Roger Ross Williams, 2016) [Estados Unidos]
Owen Suskind era uma criança normal até os 3 anos de idade, quando começa a perder a coordenação motora e a capacidade de se comunicar. O diagnóstico não poderia ser mais aterrador: autismo. Se ainda hoje a palavra dá calafrios, nos anos 90 representava a total falta de esperança. Aos poucos, o menino para de falar. O único momento em que ele conseguia se acalmar e estabelecer uma conexão com os pais e com o irmão mais velho era quando a família assistia às animações da Disney (o que, obviamente, eles faziam à exaustão). Até que um dia, na cena de 'A pequena sereia' em que Úrsula quer roubar a voz da garota, Owen repete a frase que ela diz (de um jeito enrolado, mas ainda assim uma luzinha no fim do túnel). O documentário cobre a saga da família desde então para fazer o possível para Owen progredir, os desafios que ele enfrenta e seus medos diante da sua formatura e um futuro independente, bem como depoimentos de médicos, terapeutas e outros envolvidos, e o papel fundamental dos desenhos Disney na vida do moço. Uma história linda de superação. Gostei muito. Indicado na categoria Melhor Documentário.
Nota: 4/5

Mulheres do século 20 (20th century women – Mike Mills, 2016) [Estados Unidos]
Dorothea está na casa dos 50 anos e vive com o filho, Jamie, em um casarão em reforma. Com espaço de sobra, ela aluga quartos. Abbie é uma fotógrafa de vinte e poucos anos fã de cultura punk que aluga um desses quartos. Julie é a adolescente de 17 anos, melhor amiga de Jamie. William é o outro inquilino, louco por carros e dedicado a ajudar Dorothea na reforma da casa. Com uma ótima trilha sonora punk, o filme mostra os medos e desejos de cada personagem, focando na rede de apoio formada pelas três mulheres de décadas diferentes e suas distintas visões e valores. Ri muito com a cena em que Dorothea e William tentam dançar ao som de Black Flag e, a mais icônica, quando Abbie e Julie começam a falar de menstruação durante um jantar e todos os homens da mesa ficam superconstrangidos. Uma espécie de ‘Capitão Fantástico’ em versão feminina. Um dos filmes menos badalados dos Oscar e um dos que mais gostei. Merecia mais destaque. Concorrente na categoria Melhor Roteiro Original.
Nota: 4/5

Eu não sou seu negro (I am not your negro - Raoul Peck, 2016) [Estados Unidos]
O escritor e ativista americano James Baldwin terminava de escrever um livro sobre Medgar Evers, Martin Luther King e Malcolm X quando faleceu, em 1987. O material, então, virou este documentário, que mostra as diferentes linhas de pensamento desses grandes ícones da luta contra o racismo e a discriminação. Um dos pontos altos é quando, em um programa de entrevistas, Baldwin, mestre em oratória, simplesmente acaba com um professor, branco, da Universidade de Yale que achava que a divisão entre negros e brancos é mais teórica e que, na prática, não há tanta diferença assim; que enfatizar essas diferenças só piorava o separatismo. Impressionante como quem tem privilégios sempre acha que as reivindicações dos outros são insignificantes, não é? Achei muito bom. Complementa perfeitamente o que é mostrado em ‘A 13ª emenda’, outro concorrente a Melhor Documentário. Eu daria empate técnico aos dois e dividiria o prêmio para ser minimamente justa.
Nota: 4/5

E vocês, estão acompanhando os indicados? Quais seus favoritos? 
Veja todos os posts de indicados ao Oscar 2017 aqui.  

2 comentários:

Carissa Vieira disse...

Amei 20th Century Women, mas acho que dos indicados na categoria é o que menos tem chance. Eu torço por The Lobster, mas na verdade gosto de La La Land também.
É uma categoria de bons filmes.

Michelle disse...

Hahaha... também lidei com esses sentimentos conflitantes :)