quarta-feira, 14 de junho de 2017

Veja Mais Mulheres: Filmes #13-17

Hello!

Hoje, em mais um post temático do #vejamaismulheres, falo sobre o trabalho de 5 diretoras asiáticas: Clara Law (Macau), Jian Xiao (China), Anocha Suwichakornpong (Tailândia), Lee Jeong-Hyang (Coreia do Sul) e Naoko Ogigami (Japão).


A deusa de 1967 (The godess of 1967, 2000 – Clara Law) [Macau]
O Citroën DS 1967 é conhecido como Deusa entre seus admiradores, e é para comprar um exemplar desse carro que o hacker J.M. deixa o Japão rumo à Austrália. Chegando lá, ele vai até o endereço do vendedor, mas descobre que o homem com quem negociava e sua esposa estão mortos. Apenas uma moça cega e uma criança estão na casa e, para não perder a viagem, J.M. pede para ver o veículo. B.G., a tal moça, concorda e diz que ele poderá ficar com o carro se a levar até um local X. Rapidamente ele aceita, para só depois descobrir que teria que cruzar o outback australiano durante dias, tendo como guia uma pessoa que não enxergava. A longa viagem, então, aproxima dois estanhos que pareciam não ter nada em comum e, durante os dias que passam juntos, eles aprendem mais sobre o companheiro e também sobre si mesmos. Um filme lindo que contrapõe a vida vazia de uma pessoa metódica que consegue tudo que quer com a de outra que desde criança aprendeu a sobreviver em meio ao caos e à violência. A dupla de protagonistas combina perfeitamente e achei o visual do filme e a trilha sonora um encanto. A cena da dancinha no bar já virou uma das minhas favoritas.
Nota: 4/5
Clara Law Cheuk-yiu é uma diretora nascida em Macau, uma região administrativa autônoma da China. Formada em Literatura pela Universidade de Hong Kong (outra região autônoma), ela começou sua carreira na TV, como produtora-assistente e diretora. Com vários programas no currículo, foi estudar roteiro e direção na Inglaterra e, em 1989, lançou seu primeiro longa-metragem, ‘The other half and the other half’. Até o momento, a cineasta já lançou 11 longas de ficção.

Electric shadows (Meng ying tong nian, 2004 – Jian Xiao) [China]
Mao Dabing é um rapaz que ganha a vida entregando galões d’água com sua bicicleta e que tem o cinema como grande paixão. Um dia, acelerando para não perder a próxima sessão de um filme, ele acidentalmente derruba uma pilha de tijolos. Uma moça surge e, aparentemente sem motivo, dá uma tijolada na testa do entregador e ainda destrói sua bike. No hospital, ele leva alguns pontos e depois descobre que a moça também foi internada, mas por motivos psiquiátricos. Estranhamente, ela pede a ele que vá até sua casa e alimente seus peixes. Ao chegar lá, ele percebe que ela também é uma aficionada pela sétima arte e, folheando seu diário, se dá conta de que os dois eram mais íntimos do que ele poderia imaginar. Nesta grande celebração ao cinema, a diretora retrata a importância das projeções em praça pública para o povo chinês em época áurea do regime comunista, mostra o preconceito contra as mães solteiras, aborda o tratamento preferencial dispensado aos filhos em detrimento das filhas e enaltece a força da amizade. Preciso dizer que adorei?
Nota: 5/5
Jian Xiao é o nome artístico da diretora chinesa Jia Yan. Formada na Academia de Cinema de Pequim, ela dirigiu três filmes para a TV antes de ingressar no Grupo de Cinema da China como roteirista. ‘Electric Shadows’ foi seu longa de estreia, do qual, além da direção, assina também o roteiro.

História mundana (Jao nok krajok, 2010 – Anocha Suwichakornpong) [Tailândia]
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O filme começa com a chegada do cuidador Pun à casa de Thanin, que o contratou para cuidar de seu filho paraplégico, o jovem Ake. Com uma estrutura não-linear que avança e retrocede no tempo a todo momento, é preciso prestar atenção nos detalhes, como as roupas, por exemplo, para saber se algo mostrado aconteceu antes ou depois de determinado ponto da narrativa. A diretora utiliza poucos diálogos e posiciona a câmera de modo que o espectador parece estar bisbilhotando as cenas como se fosse invisível ou estivesse no cantinho do quarto como uma mosquinha. É um filme em que o vazio e o silêncio oprimem e preenchem todo o espaço, como se fossem algo tátil. Para penetrar no mundo daqueles personagens, é preciso ir adentrando aos poucos, camada por camada e talvez seja impossível chegar ao fundo em uma única sessão. O karma está no centro de tudo e, como a cozinheira da casa diz em determinado momento, os moradores são todos ‘desalmados’, no sentido de serem como mortos-vivos, deixando a vida passar enquanto lamentam pelo passado perdido e pelo futuro incerto. Achei bem diferente. Gostei e quero rever para observar outros detalhes.
Nota: 3,5/5
Anocha Suwichakornpong é uma roteirista e diretora tailandesa. É uma das cofundadoras da produtora Electric Eel Films, de Bangcok. Ela tem 7 curtas no currículo e 2 longas: ‘História mundana’, que levou o prêmio do Festival de Roterdã em 2010, e ‘By the time it gets dark’, de 2016.

Restaurante Gaivota (Kamome shokudo, 2006 – Naoko Ogigami) [Japão]
Na Finlândia, Sachie é uma japonesa dona de restaurante sem fregueses; Midori é uma conterrânea que acaba de chegar ao país com a intenção de deixar em sua terra natal os problemas; Masako estava de passagem pelo país escandinavo, mas acaba tendo que ficar por mais tempo quando sua bagagem se perde no aeroporto. Embora tenham personalidades totalmente diferentes, o fato de serem estrangeiras longe de casa de algum modo as aproxima e transforma suas vidas. A trama aborda relações improváveis de amizade que se estabeleceram porque os personagens estavam abertos a aceitar a imprevisibilidade e o inusitado, a estender a mão a um desconhecido sem esperar nada em troca. O filme tem visual colorido e delicado, é leve e delicioso de assistir e deixa um gostinho de quero mais no final. E ainda tem os pratos maravilhosos criados no Restaurante Gaivota. O único inconveniente é que dá fome... hahaha. Sem dúvida, merece o selo de ‘Filmes com Sabor’.
Nota: 4/5
Naoko Ogigami é uma roteirista e cineasta japonesa com 7 longas no currículo. Depois de se formar em Ciências da Imagem na Universidade de Chiba, no Japão, foi estudar cinema nos Estados Unidos, onde trabalhou na TV em diversas funções e, ao retornar à sua terra natal, começou a escrever e dirigir filmes. Seu primeiro longa-metragem, ‘Yoshino’s barber shop’ (2001), foi premiado no Festival de Cinema Independente do Japão e no Festival de Cinema de Berlim. ‘Restaurante Gaivota’ é seu terceiro longa.

Caminho para casa (Jibeuro, 2002 – Lee Jeong-Hyang) [Coreia do Sul]
A mãe, exausta, viaja com o filho de sete anos durante horas até chegar ao povoado de onde fugiu na adolescência. Agora, lidando com o fardo de criar sozinha o menino e tendo que procurar um novo emprego, ela vê na mãe idosa a única opção com quem deixar o garoto Sang-Woo. Ele aterrissa na casa da avó que nem conhecida trazendo na bagagem algumas roupas e brinquedos e muita comida industrializada. Com a insolência típica das crianças nascidas e criadas em metrópoles no Século 21, Sang-Woo faz todo tipo de malcriação: grita, chora e faz birra quando contrariado, destrata a avó porque ela não tem dinheiro, maltrata um cachorro que circula pela vizinhança, mente, faz pouco de outras crianças, enfim... perdi a conta de quantas vezes pensei que o pirralho merecia uma boa chinelada. Mas a vida ensina, não é mesmo? E é exatamente isso que acontece no fim da estadia dois meses do neto na casa da avozinha muda e encarquilhada. A diretora manipula o espectador e usa música descaradamente para arrancar lágrimas do público? Sim. Mas isso não importa, porque ver a transformação do garoto e os laços que criou com a avó é edificante e faz crer, nem que seja por alguns minutos, que talvez ainda haja esperança neste mundo.
Nota: 4/5
Lee Jeong-Hyang é uma roteirista e diretora sul-coreana. Formada em Língua e Literatura Francesas, posteriormente ela ingressou na Academia Sul-Coreana de Cinema. Seu primeiro longa-metragem, de 1998, é intitulado ‘Art museum by the zoo’. ‘Caminho para casa’, de 2002, é seu segundo e mais famoso filme, que lhe rendeu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Roteiro no Grand Bell Awards, espécie de Oscar da Coreia do Sul. Seu trabalho mais recente é de 2011: ‘A reason to live’.

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Este post faz parte do projeto Veja Mais Mulheres, criado pela Cláudia Oliveira. Para ver o post de apresentação deste segundo ano do projeto, que inclui minha lista de filmes e os links para as respectivas postagens, clique AQUI ou no banner da coluna à direita. Para ver o post de apresentação do primeiro ano do projeto com a lista de filmes e links, clique AQUI.

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