sexta-feira, 7 de julho de 2017

Veja Mais Mulheres: Filmes #18-22

Olás!

Hoje no post do #vejamaismulheres falo sobre 5 filmes que assisti ao acaso e que se encaixam no projeto, mas sem atender aos critérios que estabeleci este ano de fazer postagens temáticas. São trabalhos de 2 diretoras norte-americanas, 1 inglesa, 1 brasileira e 1 irlandesa. Vamos lá!


Born in flames (Born in flames, 1983 – Lizzie Borden) [Estados Unidos]
Um falso documentário com ares distópicos que tem como cenário os Estados Unidos, dez anos após uma revolução que levou o socialismo ao poder. Apesar do progresso e da melhoria de vida como um todo, minorias continuam sendo ignoradas pelo governo, e uma crise financeira faz com que trabalhadoras sejam sistematicamente demitidas. A violência cresce e, em Nova York, as mulheres se mobilizam para contra-atacar e garantir seus direitos. O filme é incrível e poderia facilmente se passar por um documentário real. É interessante por mostrar os embates entre as várias vertentes do movimento feminista, desde aquelas de nível social mais elevado e que, portanto, não eram tão afetadas e tentavam uma abordagem mais pacífica, quanto por outras que pertenciam a camadas mais pobres da população, por aquelas que sofriam mais preconceito (negras, lésbicas) e que, portanto, já não tinham mais nada a perder. Outro ponto positivo é a trilha sonora, com rock da melhor qualidade.
Nota: 4/5
Lizzie Borden, nome artístico da diretora norte-americana Linda Elizabeth Borden, escolhido em homenagem à outra Lizzie Borden (aquela acusada de ter matado os pais a machadas no século 19 - já mencionei aqui a série de TV com Christina Ricci interpretando a protagonista). Começou a carreira como pintora, mas depois migrou para o cinema. Tem seis longas lançados como diretora, além de três séries de TV. ‘Born in flames’ é seu segundo e mais conhecido filme, produzido ao longo de 5 anos com apenas US$ 40.000,00. Estreou no festival de Berlim, ganhou diversos prêmios e entrou para a lista dos ’50 Filmes Independentes Mais Importantes’ da revista Filmmaker.

A última música (The last song, 2010 – Julie Anne Robinson) [Inglaterra]
Adaptação de um romance de Nicholas Sparks, é a história de uma adolescente que vai, junto com o irmão menor, passar as férias de verão na casa do pai, com quem tem uma relação conflituosa. Lá, ela faz amizade com uma moça problemática e se apaixona por um rapaz local. Mesmo que tenha evitado o contato com o pai o tempo todo, uma revelação nos últimos dias das férias faz a garota repensar suas atitudes, e a música é o que reaproxima os dois. Não é bem meu estilo de filme, melodramático demais. Mas também não foi irritante o bastante para me fazer abandonar a sessão pela metade. Um programa descompromissado.
Nota: 3/5
Julie Anne Robinson é diretora inglesa de peças teatrais, filmes e programas de TV, sendo mais conhecida por seu trabalho na televisão britânica. Foi indicada ao BAFTA e ao Globo de Ouro pela série da BBC ‘Blackpool', e dirigiu episódios de vários outros shows, como ‘Grey’s Anatomy’ e ‘Weeds’, além do episódio-piloto de ‘The Middle’. ‘A última nota’ é seu primeiro longa-metragem.

Divinas divas (Divinas divas, 2016 – Leandra Leal) [Brasil]
Documentário sobre a primeira geração de artistas travestis do Brasil que, nos anos 70, se apresentavam no Teatro Rival, da família da diretora. Misturando entrevistas com as integrantes do grupo, imagens de arquivo e cenas de bastidores e do espetáculo remontado recentemente no teatro, Leandra se aproxima das protagonistas de seu filme e mostra não apenas a faceta artística das entrevistadas, mas também seu dia a dia em casa, com amigos e familiares. Um trabalho cuidadoso que faz rir e chorar. Recomendo fortemente.
Nota: 4/5
Leandra Leal é atriz e diretora e estreou no teatro aos 7 anos de idade e na TV aos 8. Filha de atriz e neta de produtor cultural, Leandra respira arte desde que nasceu. Tem em seu currículo mais de 20 novelas e participações em programas de TV, 7 peças de teatro e 23 filmes. Com vários prêmios na estante, ela disse em entrevista que não se vê como diretora, mas que decidiu filmar ‘Divinas divas’ devido ao seu caráter pessoal, pois cresceu cercada por aquelas pessoas e achou que já era hora de mais gente conhecer a história das artistas.

A justiceira (Miss Meadows, 2014 – Karen Leigh Hopkins) [Estados Unidos]
Katie Holmes é a protagonista, uma professora substituta do ensino fundamental que preza pelas boas maneiras e pelas regras gramaticais. Mas por trás de seu visual delicado e sua vozinha doce se enconde uma justiceira que não admite que bandidos escapem ao sistema judiciário. Tenho que dizer que o começo do filme é incrível: rumo à escola, Miss Meadows caminha em meio a gramados verdejantes enquanto lê poesia, observa os pássaros e vê cervos saltitantes cruzarem seu caminho – uma espécie de Branca de Neve moderna. Então um homem em uma caminhonete a aborda, primeiro fazendo elogios e a convidando para almoçar; depois, diante da recusa dela, a ameaçando com uma arma - é então que a suposta mocinha indefesa se mostra não tão indefesa assim. Outro ponto interessante em que a diretora toca de leve no início é a solteirice da moça (questionada por um aluno e pela vizinha idosa) – achei que os estereótipos de feminilidade seriam desafiados e quebrados. Tudo parecia muito promissor, mas ficou só na promessa mesmo. No geral, achei mediano.
Nota: 3/5
Karen Leigh Hopkins é uma atriz, roteirista e diretora americana indicada ao Emmy por ‘What girls learn’ e vencedora do Humanitas Award por seu roteiro de ‘Em busca do coração de David’, ambos filmes feitos para TV. Ela também assina os roteiros de 'Lado a lado’ e de ‘Minha mãe quer que eu case’. ‘A justiceira’ é seu primeiro trabalho na direção e roteiro.

O som do coração (August Rush, 2007) [Irlanda]
Freddie Highmore já esbanjava talento nesse filme, bem antes de encarnar o psicopata Norman Bates. Aqui, ele vive um órfão que escuta a música da vida e adora reger as composições do vento, os ruídos da metrópole, o som da eletricidade que corre nos fios. Mesmo sem nunca ter conhecido os pais, ele acredita que a música os atrairá para si. Nem preciso dizer que todos os outros internos o consideram maluco. Um dia, ele foge do orfanato, disposto a seguir seus instintos e encontrar seus pais. Com um talento musical absurdo, ele consegue cumprir seu destino, lógico. É previsível, mas traz uma mensagem bonita e conta com atuações inspiradas do Freddie e de Robin Williams, que faz um misto de protetor/explorador de crianças abandonadas. Dá aquele sopro de esperança nos dias mais caídos.
Nota: 3/5
Kirsten Sheridan é uma roteirista e diretora irlandesa que estudou roteiro na Universidade de Nova York e cinema na Universidade de Dublin. Seu primeiro longa foi ‘Disco Pigs’, adaptação de uma peça de Enda Walsh, que lhe rendeu indicações ao British Independent Film Awards e ao Irish Filme & TV Academy Awards, bem como prêmios em outros festivais. ‘O som do coração’ é seu segundo longa. Ela também dirigiu 'Dollhouse' e prepara uma cinebiografia da Amy Winehouse.

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Este post faz parte do projeto Veja Mais Mulheres, criado pela Cláudia Oliveira. Para ver o post de apresentação deste segundo ano do projeto, que inclui minha lista de filmes e os links para as respectivas postagens, clique AQUI ou no banner da coluna à direita. Para ver o post de apresentação do primeiro ano do projeto com a lista de filmes e links, clique AQUI.

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