quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Leia o Livro, Veja o Filme: A Solidão dos Números Primos (La Solitudine dei Numeri Primi)

E lá se vão quase dois anos desde que li "A Solidão dos Números Primos", o primeiro livro de Paolo Giordano, vencedor do Prêmio Strega (o mais importante prêmio literário da Itália) em 2009, mas a trama continua bem vívida em minha memória. Resolvi postar agora porque só recentemente pude assistir ao filme, lançado em 2009 e com roteiro escrito pelo próprio Paolo Giordano, mas que só foi exibido no Brasil em mostras e festivais. Tinha até me esquecido dele, mas nos últimos dias, numa dessas buscas sem destino certo na internet, o encontrei para download. Livro e filme vão intercalando as histórias de Alice Della Rocca e de Mattia Balossino desde 1983 até 2007, e, segundo o próprio autor, retrata a geração criada na Itália dos anos 80 e 90 (que não é muito diferente do resto do mundo), vendo televisão, e fala de uma faixa de jovens que cresceram no individualismo, fechados em si mesmos. Os dois personagens principais são almas quebradas, atraídos pelas desgraças um do outro. Por várias vezes parecem se encontrar, mas sempre se separam e continuam solitários como números primos, ou seja, aqueles que podem ser divididos apenas por 1 e por eles mesmos. Na verdade, eles são mais raros ainda, como números primos gêmeos (como 17 e 19, por exemplo): “são casais de números primos que estão lado a lado, ou melhor, quase próximos, porque entre eles sempre há um número par, que os impede de tocar-se verdadeiramente”.


Não posso contar mais da sinopse, pois, ao contrário do livro, o filme não tem uma narrativa linear. Só o que posso dizer é que há uma tragédia envolvendo Mattia e sua irmã autista e um acidente que muda a vida de Alice. Embora seja um livro com personagens adolescentes, não acho que seja um livro para adolescentes. O clima depressivo e autodestrutivo dos personagens permeia todo o texto, causando muita angústia. Na verdade, o isolamento e os problemas de comunicação não estão só com os jovens, basta observar as relações familiares: o pai de Alice a obrigava a participar de competições, sua mãe já demonstrava traços de depressão, e a própria Alice já dava sinais de distúrbios alimentares. Na família de Mattia, a coisa não é muito diferente: ele sofria pressão para incluir a irmã em tudo o que fazia, era forçado a assumir responsabilidade de mais para uma criança de sua idade, e, ao mesmo tempo, os pais o criticavam por não ter amigos ou vida social.

O livro tem um estilo de escrita direto, simples e sem rodeios, tornando a leitura fácil e rápida. E, embora seja triste e angustiante, não dá para parar de ler. Você fica querendo saber o que vem depois, e torce para os dois darem certo juntos, mesmo sabendo que é pouco provável. Uma história de amor um pouco diferente do que estamos acostumados a ver. Não há nenhum obstáculo externo, nenhuma oposição das famílias, nenhuma traição. Só o que os impede de ficar juntos são eles mesmos.

Altamente recomendável!

4 comentários:

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

pelo titulo já me parece maravilhoso, a resenha tua me deixou curioso em ler

Mi Müller disse...

Esse livro está há tempos na minha lista, fui atraída primeiro pelo título, acho lindo e melancólico. Não sabia que haviam feito filme, vou tentar conferir.
estrelinhas coloridas...

Estante Seletiva disse...

Olá,
Parabéns pelo blog! Estou seguindo.
Segue lá também..

http://estanteseletiva.blogspot.com/

Por que você faz poema? disse...

Adoro o filme,
preciso ver o livro.