segunda-feira, 14 de abril de 2014

Resenha: Fashion Beast - A Fera da Moda


Quem me conhece sabe que “fashion” é um adjetivo com pouquíssimas chances de ser usado para me descrever. Sou mais do time look básico e conforto acima de tudo. Mas lá no início da minha adolescência surgiu uma forte atração por moda e a ideia de ser estilista. A vontade passou, embora eu ainda seja fã do assunto (sou louca por programas do tipo 'American Next Top Model’, ‘Project Runway’ e ‘Esquadrão da Moda’). Tudo isso apenas no campo teórico. Por que estou falando essas coisas? Para justificar meu interesse em “Fashion Beast”, história criada por Alan Moore e Malcolm McLaren que mistura moda e ‘A Bela e a Fera’ e acabou de ser lançada no Brasil. 


Não sou muito de ler quadrinhos. Meu conhecimento nessa área se resume aos gibis da Turma de Mônica e Luluzinha que lia na infância e uma breve incursão por X-Men nos anos 90. Nos últimos cinco anos, descobri as graphic novels e me apaixonei. Comecei, então, uma reaproximação com esse tipo de literatura (sim, pra mim é literatura). “Fashion Beast” me atraiu instantaneamente por falar se inspirar na minha história Disney preferida e ainda ter o envolvimento de um ícone do estilo punk.



Originalmente, a história foi criada nos anos 80 e McLaren convidou Alan Moore para roteirizar a trama que pretendia levar às telas. O projeto miou e ficou engavetado até 2012, quando ganhou uma nova chance, mas desta vez como HQ. Adaptada por Antony Johnston e ilustrada por Fecundo Percio, a trama ganhou vida e se transformou em homenagem póstuma a McLaren.


A edição nacional reúne as 10 edições lançadas no exterior mais as capas originais e capas alternativas dos números. Na história, Doll, uma garota que parece um garoto vestido de garota, tinha um trabalho ordinário na chapelaria de uma casa noturna, mas é demitida após uma confusão. Então, fica sabendo que o grande estilista Celestine estava à procura de uma modelo que representasse suas criações. Doll passa pela seleção e imediatamente cai nas graças do artista. Para sua infelicidade, Doll descobre que Jonni, o rapaz responsável por sua demissão, trabalha para Celestine e os dois entram numa competição doentia pela atenção do chefe.


Celestine, por sua vez, encarna o gênio incompreendido e solitário: vive enclausurado em seu salão, ditando ordens por meio de duas assistentes idosas e rabugentas, atormentado por ser um monstro de aparência deformada. Vivendo em seu mundinho artificial, ele repete padrões de beleza antiquados, mas que ninguém se atreve a contestar, inspirados na única mulher perfeita que conheceu em sua vida: a mãe. Doll e Jonni vão colocar em risco o frágil universo de Celestine.


No início, eu não estava entendendo bem onde os autores queriam chegar. Da metade em diante, as coisas começam a fazer mais sentido, a referência do conto de fadas ganha mais destaque, o drama dos personagens se intensifica e os ideais situacionistas de McLaren se tornam mais evidentes. Transcorrida em uma época indefinida e em uma cidade indeterminada, a trama se mostra tão atual quanto soaria na década de 80. Gostei muito das ilustrações detalhadas e do toque sombrio das imagens, que casa perfeitamente com o espírito dos personagens.

Leitura rápida e gostosa. Ideal para um dia de preguiça.


Um comentário:

Jeniffer Santos disse...

Que interessante! Estou com uma meta louca (inventei tem pouco tempo. Como se já tivesse poucas, né?! rs) que é separar algumas HQ's, mangás, graphic novel etc para ler. Como você, minha experiência com quadrinhos se resume aos gibis da turma da Mônica e Luluzinha rs, mas tem tanta gente lendo e falando de uns legais que estou tentada.
Beijos! :)