terça-feira, 5 de maio de 2015

Filme: A Garota que Anda à Noite


Como o próprio nome indica, Bad City não é um bom lugar para se viver. Entre a pobreza que contrasta com uma das atividades mais lucrativas do mundo, a exploração de petróleo, os habitantes se arranjam como podem. E então, entre traficantes, prostitutas e miseráveis, encontramos uma garota estranha que vaga à noite, sozinha, pelas ruas da cidade iraniana. Ela não sai porque quer, mas porque precisa do sangue de suas vítimas para se alimentar. No entanto, um encontro inesperado com um rapaz desperta nela emoções novas e conflitantes. Seria uma vampira capaz de amar?



Semana passada, escrevi sobre “Os antiquários”, um livro de vampiros diferente, que tem como cenário a Buenos Aires dos anos 50. Agora, chegou a vez de falar de mais uma história dessa temática que consegue inovar na trama e/ou na caracterização de seus personagens. “A Garota que Anda à Noite” acertou em cheio por apresentar uma garota comum encarnando essa mitológica criatura.


A primeira coisa que chama a atenção é, obviamente, o visual. Sou apaixonada por imagens em preto e branco e acho que, neste caso, o estilo contribuiu imensamente para manter o ar sombrio e misterioso, ao mesmo tempo em que conferiu certo glamour à história. Outro recurso que me agradou bastante foi a trilha sonora, que mistura canções pop/rock conhecidas com músicas orientais de diversos estilos. E ainda tem um gato gordo altamente esmagável e bonzinho!


A vampira mostra sua dubiedade durante todo o filme, ora se aproveitando de sua aparência frágil e melancólica para atrair suas presas, ora demonstrando mais consciência e compaixão do que os próprios seres humanos. E, quando em um de seus passeios noturnos, ela dá de cara com o mocinho, que voltava de uma festa totalmente desorientado e, comicamente, vestido de Drácula, a vontade de ajudar e proteger fala mais alto que o instinto de sobrevivência, e ela o leva para casa. É visível a ligação que eles criam imediatamente, mas, como dá para imaginar, a relação é impossível. Como lidar então com sentimentos tão ambíguos?


Apesar de ultimamente ter me deparado mais com decepções do que com boas surpresas, nunca me canso de procurar histórias interessantes com a temática vampiresca. Felizmente, este filme foi um lance ao acaso que deu certo. Uma ótima opção para quem não tem medo de arriscar e se dispõe a explorar as variantes do gênero. Um dos que mais gostei recentemente.



Pelo visual lindíssimo, pela trilha sonora inspirada e por oferecer um sopro de inovação aos filmes de vampiro, recomendo muitíssimo.

Trailer legendado em inglês:

Um comentário:

Maira Neves disse...

Eu estou com ele em casa, mas não tava muito animada...agora me convenceste! Tentar ver hoje ou no máximo nesse final de semana. Agora e Spring? Viste? Amei! É lindo! E tb aborda essa questão vampírica de uma forma inteligente.
Beijão, Mi