terça-feira, 30 de junho de 2015

Resenha: Caixa de Pássaros


Cinco anos depois de um surto inexplicável de assassinatos e suicídios ter começado, há poucos sobreviventes, entre eles Malorie e seus dois filhos pequenos, que estão finalmente prestes a sair de casa depois de todo esse tempo pela primeira vez, movidos pela necessidade e cheios de esperança de encontrar um lugar melhor para viver. Mas a viagem não será fácil, já que terão que fazê-la de olhos vendados!

Tudo começou com alguns relatos esparsos de ataques violentos seguidos de suicídio. Um caso aqui, outro lá do outro lado do mundo, todos aparentemente sem conexão, exceto pelo fato de todas as pessoas surtadas terem visto algo. Daí tiveram início os boatos e teorias de todo tipo, que se disseminaram rapidamente pela internet. Com o aumento vertiginoso de casos, a imprensa tradicional começa a noticiar os casos e a busca por uma explicação para tal comportamento se intensifica. As pessoas são dominadas primeiro pela curiosidade, depois pela preocupação, por fim pelo medo. Os governos tentam manter a ordem, mas a histeria coletiva se instala, e o caos reina absoluto. O que estaria de fato acontecendo?

No livro, acompanhamos dois momentos distintos da história intercalados: o antes, quando os rumores começaram e a calamidade estava se alastrando – e Malorie descobre que está grávida, encontra a irmã morta no banheiro, tem que lidar com o fato de que tudo aquilo que ela julgava tolices da internet realmente está acontecendo, e é obrigada a abandonar sua casa e buscar refúgio em um abrigo de sobreviventes, onde passa a dividir o teto e as tarefas domésticas com desconhecidos; e o depois, quando Malorie e as crianças moram sozinhas há quatro anos em uma casa decrépita que guarda sinais de uma tragédia, e quando chega o momento de deixar esse pequeno universo para trás e enfrentar o que quer que esteja esperando por eles do lado de fora, em busca de uma vida melhor.

“Caixa de Pássaros” é um livro angustiante que mexe com o sentimento mais forte do ser humano: o medo. Mas não é um medo qualquer, e sim o pior deles: o medo do desconhecido. E como se temer algo que não sabemos o que é não fosse o bastante, imaginem enfrentar esse horror sem enxergar nada! E em um mundo pós-apocalíptico que não temos mais certeza de como funciona! Fácil, não?

Depois de ver algo, as pessoas enlouqueciam e atacavam umas às outras e depois matavam a si mesmas, ou apenas se suicidavam antes de pirarem e assassinarem os outros. E o grande trunfo do livro é justamente esse: não sabemos o que essas pessoas veem e o que as leva a cometer esses atos violentos, então, por precaução, todos começam a se trancar em casa, a tapar janelas, a não abrir os olhos para não serem afetadas – é o medo puro e simples, não se sabe do quê. Então grande parte da história foca nos ruídos, nos cheiros, no tato... nesses sentidos que acabam sendo secundários em um mundo totalmente voltado para a visão. E a partir dos sons do ambiente, dos barulhos externos, dos odores, da respiração dos personagens, de como eles descrevem o que pisam, o que tocam com as mãos, é que imaginamos o que seria essa coisa que leva as pessoas à loucura. Seriam animais raivosos, alienígenas, pessoas contaminadas por algum tipo de vírus? Pode ser qualquer coisa!

Apesar de eu achar que Malorie jamais conseguiria fazer o que fez logo depois de parir, na ocasião da grande tragédia, todo o resto do livro me pareceu muito crível, já que o autor mostrou que entende como a mente humana funciona em determinadas situações e como as pessoas agem em certas circunstâncias, como, por exemplo, quando as mortes começam a ser divulgadas na internet, há aqueles que acreditam em tudo imediatamente vs. os totalmente céticos; como as teorias conspiratórias parecem irresistíveis; na dificuldade de viver em grupo com diferentes opiniões; o instinto de sobrevivência e como ele leva as pessoas a fazerem coisas inimagináveis e transforma valores; entre outras coisas.

Além disso, Josh Malerman foi muito feliz ao fazer a analogia dos pássaros presos na caixa com as pessoas enclausuradas em suas casas, e mais ainda: confinadas em suas próprias mentes, recusando-se a abrir os olhos e enxergar, por puro medo do que podem ver. E ainda dá a dica: “o homem é a criatura que ele teme”. Eu não poderia concordar mais.

O final do livro é aberto e dá margem a várias especulações, tanto sobre o que acontece na história quanto a possíveis continuações do livro. Nessa entrevista AQUI, o autor diz que não descarta a ideia de mais um ou dois volumes, embora o livro venha sendo vendido como volume único. Antes mesmo do lançamento do livro, a Universal Pictures adquiriu os direitos da história para adaptá-la para as telas. 

Eu, particularmente, acho que não precisa de continuação nenhuma, que é muito mais legal deixar que cada um imagine o que aconteceu com Malorie e as crianças, principalmente porque tem tudo a ver com o medo, e neste caso, com o incômodo que o inexplicável representa para nós. Mas estou muito curiosa para ver o filme, apesar de achar que será bem complicado manter o suspense sem revelar a coisa. O jeito é esperar...

“Você diz a si mesma que esperou quatro anos porque estava com medo de perder a casa para sempre. Diz a si mesma que esperou quatro anos porque queria treinar as crianças primeiro. Mas nada disso é verdade. Você esperou quatro anos porque aqui, nesta viagem, neste rio, onde loucos e lobos a espreitam, onde as criaturas podem estar por perto, NESTE DIA você terá que fazer uma coisa que não faz há muito mais do que quatro anos.
Hoje você terá que abrir os olhos.
Ao ar livre.”

O thriller me manteve tensa e aflita até o final, me fez pensar em coisas importantes sobre o comportamento humano e ainda me divertiu muito. Recomendo!


3 comentários:

Unknown disse...

Quatro estrelas?? Nossa! Vindo de você essa nota, já sei que é um excelente livro. Nem li a resenha direito por medo de spoilers... Risos.
Beijo! ^_^

Claudia Oliveira disse...

tenho de ler!

Unknown disse...

O livro é realmente muito bom mas me decepcionou o final, pois não tem uma explicação clara a respeito das "criaturas" não sabemos se são animais, alienígenas,ou algo angélico!!!