segunda-feira, 6 de julho de 2015

Resenha: Eu, Robô


Um jovem jornalista entrevista Susan Calvin, uma famosa robopsicóloga que está prestes a se aposentar após 50 anos de serviço. Essa conversa se estende ao longo de nove capítulos, que são, na verdade, nove contos que podem ser lidos de forma independente, mas que, se lidos na sequência, nos mostram a evolução da robótica e como a humanidade lida com os robôs.

Não sou grande fã de tecnologia, histórias de robôs e ficção científica em geral (não nos livros, pelo menos), então sempre relutei em ler “Eu, robô”, principalmente porque assisti àquele filme com Will Smith na época do lançamento (do qual gostei) e, depois de ver as adaptações cinematográficas, raramente me interesso em ler os livros. O caso foi que li para uma discussão em grupo (da qual acabei não participando porque estava doente no dia) e acabei me surpreendendo positivamente: primeiro porque o filme é só uma parte ínfima do livro; e segundo porque, apesar do meu preconceito com esse gênero literário, me diverti bastante durante a leitura.

Os contos, em geral, mostram como os seres humanos ficam maravilhados diante das novidades, e como rapidamente mudam de opinião sobre elas; como o medo do desconhecido pode impedir o progresso, embora quase sempre tenha a intenção de proteger as pessoas; como a elaboração das três leis da robótica foram fundamentais para permitir a evolução da tecnologia – detalhes aparentemente bobos geravam conflitos que comprometiam o funcionamento dos robôs.

Dos 9 contos, gostei particularmente de dois: o primeiro deles, “Robbie”, que fala de um dos primeiros modelos de robôs vendidos na Terra, cuja função era ser babá de crianças, e como a falta de entendimento de como essas máquinas funcionavam e o receio de serem discriminados pelos vizinhos levam os pais de uma garotinha a afastá-la de seu amado melhor amigo, o robô Robbie, que, na verdade, era o único capaz de dedicar todo o seu tempo e sua atenção a ela – uma história sobre um robô fofo! Me lembrou “O Homem Bicentenário”.

O outro conto que acho que vale a pena destacar é o intitulado “Razão”, no qual Cutie, um robô principal, é desenvolvido para gerenciar outros robôs menores em uma estação espacial e então, para grande espanto dos engenheiros enviados para verificar o funcionamento do equipamento, Cutie demonstra consciência de fragilidade dos seres humanos e da inferioridade física e mental dessa espécie, duvida ter sido criado por simples homens e conduz uma espécie de culto ao Mestre, o maquinário enorme do local que, segundo ele, é o Criador do universo. Ri muito com o comportamento desse robô que reproduz fielmente as insanidades de fanáticos religiosos. Jamais pensei que veria máquinas agindo desse jeito... hahaha.

“Gosto de robôs. Gosto deles consideravelmente mais do que dos seres humanos. Se fosse criado um robô capaz de ocupar um alto cargo público, creio que seria o melhor administrador possível. Pelas Leis da Robótica, seria incapaz de causar mal a seres humanos, de praticar atos de tirania, de corrupção, de estupidez ou de preconceitos. E depois de servir durante um intervalo decente, sumiria, muito embora fosse imortal, porque seria impossível para ele magoar os seres humanos com o conhecimento de que foram governados por um robô. Seria o ideal.”

Ciência com um toque de humor. Mistura testada e aprovada!

2 comentários:

Maira Neves disse...

Caramba...também tenho muita dificuldade com ficção científica, mas acho que esse pode ser um bom início. Tenho um pouco de receio de começar com Fundação...adorei esse e acho que tenho um ebook aqui. Vou colocar na minha lista agora!
Bjo grandão!

Eduarda Sampaio disse...

Michelle, eu amo Eu, Robô. É um dos meus livros de Ficção Científica favoritos. Confesso que gosto bastante do gênero, o que me ajuda.
Razão também é um dos meus contos favoritos. Eu morria de rir com as saídas que o robô encontrava para os questionamentos dos humanos. Ele realmente parecia um fanático religioso.
Mas também gosto muito do conto sobre o robô que lê mentes.
Beijo! ^_^