segunda-feira, 23 de maio de 2016

Veja Mais Mulheres: Filme #18 - Sinfonia da Necrópole


Deodato é aprendiz de coveiro, mas não pode ver um defunto que desmaia. Como dizem seus companheiros de trabalho, “ele é sensível demais”. De fato, o moço tem veia artística e sempre dá um jeitinho de escapar às tarefas do cargo para tocar órgão escondido na capela, ou para escrever poemas sentado entre os túmulos. Um dia, chega ao cemitério Jaqueline, a moça enviada pelo Serviço Funerário que vira a necrópole e a vida de Deodato de cabeça para baixo.


Musical é um tipo de filme que as pessoas amam ou odeiam sem meio-termo. Entre as produções brasileiras então... coisa raríssima. Como não ficar curiosa com um representante brasuca do gênero que ainda tem um tema funesto e clima de humor negro?


Particularmente, achei bem divertido. Não só pelo fato insólito de um aprendiz de coveiro ter medo de mortos, mas também pelos personagens secundários, como a florista que flerta como o amigo de Deodato e que inova as frases das coroas fúnebres e o padre glutão que é perseguido pelo velhinho que todo dia quer se confessar porque tem certeza que aqueles são seus minutos finais na Terra.


Outro ponto positivo é a crítica que a diretora faz à especulação mobiliária, essa praga das grandes cidades. O diretor do cemitério enfrenta o problema de falta de espaço para enterrar novos mortos. Sua solução visionária, então, é fazer um levantamento dos jazigos abandonados e desapropriar alguns túmulos para lançar um grande empreendimento que vende sepulturas verticais – e é para fazer tal levantamento que chega Jaqueline.


O romance previsível que acaba acontecendo entre Deodato e Jaqueline não chega a incomodar e inverte os clichês de moça romântica que sonha com o príncipe no cavalo branco ao apresentar um protagonista masculino delicado e que se apega fácil, e uma mocinha decidida que chega de moto para resgatar o rapaz – e que com quem só quer um relacionamento efêmero e nada mais.

Foi uma boa surpresa. Recomendo para quem gosta de variar os estilos na hora de escolher um filme.

Nota: 3,5/5
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Sobre a diretora:

Juliana Rojas é uma brasileira nascida na cidade de Campinas em 1981. É diretora, roteirista e montadora. Junto com o diretor Marco Dutra, que conheceu na Escola de Comunicação e Arte da USP e com quem estabeleceu uma parceria duradoura, dirigiu seu primeiro filme, o curta-metragem "O lençol branco", em 2004. De lá para cá, assumiu a direção de mais 5 curtas, e em 2011 dividiu a cadeira de diretora com Dutra novamente no longa "Trabalhar Cansa". “Sinfonia da Necrópole” é seu primeiro longa-metragem solo como diretora. 

Este post faz parte do projeto Veja Mais Mulheres, criado pela Cláudia Oliveira. Para ver o post de apresentação que inclui minha lista de filmes e os links para as respectivas postagens, clique AQUI.

3 comentários:

Lígia Barros disse...

Achei o filme bem inusitado e divertido. É sempre bom ver filmes um pouco mais atípicos surgindo no cinema nacional. :)

Andreia Inoue disse...

Boa tardeeee!!
Eu assisti uma das pré-estreia aqui em SP (cinemateca),e achei o filme simplesmente incrível. Gostei muito da historia, da trilha sonora e os personagens eram hilários.Gostei tanto que assistiria novamente!
:D
bjos

Michelle disse...

Lígia,
Sim! O filme tem lá seus problemas, mas acho válido pela inovação proposta.

Andreia,
Achei bem inusitado e divertido. E mostra que dá para filmar uma história diferente e sem orçamento milionário.