segunda-feira, 1 de abril de 2013

Resenha: Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose




Título Original: Alfred Hitchcock and the Making of Psycho
Autor: Stephen Rebello
Tradutor: Rogério Durst
Editora: Intrínseca
Páginas: 256
Ano: 2013




O livro apresenta a história real que gerou o livro "Psycho", levado às telas pelo obstinado Hitchcock que, embora já gozasse de boa reputação e fama naquela época, resolve jogar tudo para o alto ao encarar os desafios da produção, divulgação e exibição de “Psicose”, o filme que mudou não só sua carreira, mas como assistimos aos filmes.

Antes de falar sobre o livro, quero recomendar a quem nunca viu “Psicose” que faça isso o quanto antes. Primeiro porque, como eu disse no parágrafo anterior, é um filme icônico que mudou a história do cinema. Segundo porque, se pretende ler o livro sobre os bastidores de "Psicose" e/ou assistir a “Hitchcock” (a adaptação do livro resenhado aqui), é bom conhecer a trama, já que o final surpreendente de “Psicose” é citado nos respectivos livro e filme dos bastidores.

A narrativa começa com Stephen Rebello, autor do livro, falando sobre as entrevistas que fez com Hitchcock e sobre a reunião da 20th Century Fox da qual participou junto com quase todo o elenco do filme que foi produzido com base em seu livro. Ele vai falando dos atores envolvidos e das pessoas reais representadas por eles na tela. Depois, nos conta um pouco sobre Ed Gein, o serial killer que aterrorizou uma cidadezinha no interior de Wisconsin e que serviu de inspiração para o perturbado Norman Bates, de "Psicose".

Depois de 3 filmes que não fizeram grande sucesso, Hitchcock queria mudar, estava se sentindo aprisionado ao seu próprio estilo. Quando ouviu falar do livro “Psycho”, ficou interessado e decidiu que essa seria sua próxima produção (e último filme do contrato que tinha com a Paramount). No entanto, a trama era violenta demais e ainda envolvia travestismo, o que, obviamente era receita para mais um fracasso de bilheteria. Obcecado pela ideia, Hitch não se deixou abalar e financiou a própria empreitada, usando ainda seus contatos e influência para atrair gente qualificada para o projeto. E daí em diante as coisas começaram a ficar realmente interessantes.

"Desenvolver uma paixão por um projeto cinematográfico pode ser como amar loucamente alguém que desagrada seus amigos".

O começo do livro é meio confuso, pois são muitos nomes, muitas datas, muitos detalhes. Depois fui me acostumando, conhecendo melhor os envolvidos, me senti uma observadora escondida em um canto do estúdio e uma espiã bisbilhotando a vida privada de Hitchcock. Saber um pouco mais sobre como a mente brilhante do gorducho funcionava foi uma delícia. Ele realmente devia ser bem chato, pois, além de ser um diretor perfeccionista, também tinha grande conhecimento técnico de outras áreas, então dava palpite em tudo. Além disso, o lado galanteador é meio creepy, tipo aqueles velhos babões que não podem ver uma mulher passar que fazem gracinha. Esse lado dele eu prefiro ignorar.

Do que eu mais gostei foi saber como determinadas cenas foram gravadas e conhecer as ideias originais, as dificuldades de execução, as soluções criativas. E as artimanhas para enganar a censura? Hitch inseria pequenas cenas de nudez ou violência desnecessárias para que pudesse negociar sua exclusão junto aos censores, garantindo assim a permanência do que ele realmente queria ver na tela. O capítulo que fala sobre as estratégias de marketing é um show à parte. Recomendação de não comentar o final do filme com ninguém, colocação de relógios nos saguões dos cinemas, anúncio gravado pelo próprio Hitch explicando que ninguém poderia entrar na sala de exibição após o início da sessão. Coisa de gênio.

Apesar de toda a fama, Hitchcock era muito reservado e inseguro quanto a sua aparência física, evitando aparecer em lugares públicos. O apoio de sua esposa era fundamental. Ele confiava nela plenamente, não apenas para questões domésticas, mas especialmente com relação a assuntos de trabalho, já que ela também era uma ótima profissional do ramo cinematográfico. A relação dos dois é diferente e linda. Dá para ter uma ideia melhor e se emocionar quando vemos a dinâmica entre eles em "Hitchcock". Mas não vou falar do filme agora.

Por enquanto, basta dizer que “Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose” é um livro sensacional, daqueles impossíveis de largar. Obrigatório para fãs de cinema. Altamente recomendável para curiosos em geral. Imperdível para quem gosta de boas histórias.

"Quem foi criado com Jason e Freddy pode ficar perplexo com o fato de o público de 1960 ter gritado por causa de Norman. Entretanto, se eles tiverem muita sorte, talvez apareça um equivalente contemporâneo de Alfred Hitchcock que os pegue de surpresa e mate de medo os espectadores de filmes dos Estados Unidos mais uma vez".

E para quem é fã do gorducho, prepare-se porque esta é a Semana Hitchcock, com posts dedicados a ele todos os dias por aqui. Não percam!

2 comentários:

Raíssa disse...

Puxa vida, apesar de não ter visto Psicose (pois e, só vi o remake, que não conta...), fiquei com vontade de ler esse livro.

A única coisa que já tinha visto sobre alguma produção dos filmes dele, foi um livro que tinha todos os projetos de figurino de Edith Head, que foi figurinista em muitos filmes dele. :) É um livro bem legal também.

Deve ser ótimo saber sobre os bastidores de uma grande produção. Além de trazer grandes curiosidades, ajuda a quem tá querendo entrar nesse meio a saber mais sobre uma produção de um filme. Aposto que muita coisa que o tio Hitchcock fez, ainda é feita até hoje.

bjs bjs!

Michelle disse...

Raíssa,
O remake não vale mesmo!
Hitch não é considerado gênio à toa. O legal é que ele não era do tipo que tem ideias mirabolantes e manda os outros darem um jeito de realizar; ele tinha ideias e botava a mão na massa para executá-las. Coisa raríssima...