quarta-feira, 26 de junho de 2013

Resenha: O Cemitério


Louis Creed acaba de se mudar de Chicago para o Maine com toda a família. O novo emprego no departamento médico da universidade local e a antiga e espaçosa casa colonial parecem sinalizar o início de uma rotina mais pacata e com mais tempo livre para ver o crescimento dos filhos. No entanto, desde a chegada à nova moradia, coisas estranhas começam a acontecer.

Os problemas têm início antes mesmo de a mudança ser descarregada, e, o que poderia ser considerado um  simples contratempo, se revela parte de um mistério muito maior, envolvendo a morte violenta de um estudante no 1º dia de aula, o atropelamento do gato da família e a existência de um cemitério indígena nos fundos da propriedade de Louis.

“Um homem planta o que pode... e cuida do que plantou”.

Eu já conhecia a história, graças ao filme “Cemitério Maldito”, assistido há muuuuito tempo no SBT. Não me lembrava dos detalhes, só da ideia central da história. A leitura do livro, além de resgatar acontecimentos esquecidos, ainda me fez perceber que eu poderia aproveitar "O Cemitério" para fazer mais uma resenha para o tema do mês de junho do Desafio Literário: romance psicológico. Sim, porque grande parte do horror da história é oriunda dos pensamentos e alucinações do protagonista.

A atmosfera tensa e aterrorizante é criada pela descrição detalhada dos cenários e pelas ações desesperadas dos personagens. A morte é uma presença constante e está sempre à espreita de suas vítimas. Os mortos sabem de coisas e enviam recados aos vivos por meio de sonhos. As premonições sempre se cumprem, ainda que os personagens tenham consciência delas e lutem para mudar o rumo da história. As desgraças acontecem principalmente pela incapacidade das pessoas de lidar com a perda. A possibilidade de trazer do além um ser querido, mesmo sabendo dos riscos e das mudanças físicas e mentais que esse ser sofre, é tentadora demais para alguns. O egoísmo fala mais alto.

Além de tratar da morte e da dificuldade de lidar com ela, o autor também joga na mistura a mitologia dos povos indígenas norte-americanos, destacando a figura do “vendigo” (ou wendigo), um ser que já foi humano e que passou muita fome durante um inverno rigoroso, sendo obrigado a praticar o canibalismo para sobreviver. Com isso se transforma em um monstro, ganha poderes especiais e passa a atrair mais e mais vítimas.

Mais um clássico do mestre Stephen King. Foi muito bom conhecer melhor essa história e recomendo a todos que gostam de narrativas sobrenaturais. Deu até vontade de rever o filme.

Curiosidades:
- Deixando claro seu apreço pelos Ramones, titio King faz várias referências à banda: 1) Ao ligar o rádio do carro, Louis ouve "Rockaway Beach"; 2) "Hey, ho, let's go!", o grito de guerra da banda (traduzido como "Ei, iá, vamos lá!") na introdução da Parte 2; 3) Louis se registra no hotel como “Dee Dee Ramone”; 4) E, claro, a parceria para a trilha sonora do filme – “Pet Sematary”
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Este post faz parte do Desafio Literário 2013 - Mês de Junho: Romances Psicológicos. Para ver a lista de obras selecionadas e outros posts do DL2013, clique AQUI. 

3 comentários:

Tati disse...

O filme é um clássico para quem gosta do Ramones né?? Adoro!
Não sabia que o livro era tão bom! Vou procurar pra ler ;)
Beijo, resenha ótima, como sempre!

Maura C. Parvatis disse...

Mais um livro do King para a lista de 'quero ler' :)
Já ouvi falar desse filme, mas não lembro se já o vi!

PS: lendo sua resenha, fiquei com uma saudade imensa da escrita do King, adorei Christine, tô precisando de mais SK, de mais!!! xD

Beigos!

Michelle disse...

Tati,
Só lembro de algumas cenas do filme. E o pior é que misturo Cemitério Maldito com Colheita Maldita. Na minha cabeça eles são um só...rs

Maura,
Nem sei se o SBT ainda passa esse clássico. Mas em determinada época eles passavam direto, junto com Christine também ;)