sexta-feira, 20 de julho de 2012

E o tema é . . . Loucura

Como de louco todo mundo tem um pouco, os filmes de hoje exploram personagens que têm algum tipo de distúrbio mental.


Se enlouquecer, não se apaixone (It’s kind of a funny story, 2010)
O filme começa com Craig Gilner (Keir Gilchrist), garoto de 16 anos, tentando suicidar-se pulando de uma ponte. É quando ele acorda desse sonho recorrente, mas, desta vez, decide procurar ajuda em um hospital. Lá, conhece Bobby (Zach Galifianakis), interno da psiquiatria que se torna seu guia e amigo. No hospital, Craig começa a ver seus problemas por outro ângulo e conhece todo tipo de gente, o que o faz repensar suas prioridades na vida. Esse título em português obviamente tenta atrair os fãs de Zach Galifianakis que o viram atuar nos filmes da série “Se beber, não case”. No entanto, aqui Zach mostra seus talentos dramáticos. Embora tenha um final previsível, o bacana do filme é a sutileza com que aborda um tema tão delicado como os transtornos psiquiátricos. A forma como os pensamentos do protagonista são apresentados também é interessante. E, além disso, a trilha sonora é ótima. Impossível não se emocionar quando os internos apresentam “Under pressure” do Queen. Nada revolucionário, mas tem seus momentos.

Eu sou um ciborgue, mas tudo bem (I’m a cyborg, but that’s OK/Saibogujiman kwenchana, 2006)
Este filme sul-coreano é muito bacana, mas já vou avisar: tem que embarcar na loucura dos personagens. Cha Young-goon é uma garota que pensa ser um ciborgue. Criada pela avó, que sofria de Alzheimer e esquizofrenia, a menina cresce falando como uma pessoa idosa e apresentando algumas excentricidades, até que tenta o suicídio na fábrica em que trabalhava. Então, é hospitalizada em uma clínica psiquiátrica e lá conhece outros internos tão peculiares quanto ela, como, por exemplo, Park Il-sun, campeão de ping-pong que usa uma máscara de coelho e tem o hábito de roubar outros pacientes (rouba no jogo, rouba o apetite, rouba os dias da semana), e Duk-chun, um homem tão educado que só anda de ré para não dar as costas às outras pessoas e que está sempre se desculpando, mesmo quando não tem culpa de nada. Young-goon sofre por ser “uma máquina sem manual de instruções ou rótulos” e não conhecer o propósito de sua existência, ao contrário de outras máquinas com função determinada, como cafeteiras e furadeiras, por exemplo. Com um visual de cores fortes e uma ideia inusitada, o filme é bem diferente e interessante. Recomendo para pessoas de mente aberta.

Tempo de Despertar (Awakenings, 1990)
Este eu já vi faz um tempinho, mas gosto muito da história, baseada em fatos reais. Em 1969, no Bronx, o médico neurologista Malcom Sawyer (Robin Williams) começa a trabalhar em um hospital psiquiátrico e se depara com vários pacientes catatônicos. Procurando uma forma de “despertar” esses pacientes, ele descobre que a levodopa, uma droga nova naquela época, que era usada para tratar o Mal de Parkinson, poderia ajudar a melhorar a vida dos internos. Com a autorização do diretor da instituição, o Dr. Sawyer começa sua experiência tratando inicialmente apenas um paciente: Leonard Lowe (Robert De Niro). A recuperação de Lowe é espantosa, e logo todos os pacientes estão recebendo esse tratamento experimental, até que efeitos colaterais inesperados surgem, interrompendo os testes de Sawyer. O uso de um medicamento para tratar condições não indicadas na bula é bem comum, mas os riscos são imensos. O filme mostra isso muito bem, explorando a empolgação dos médicos com a descoberta e sua decepção com os efeitos colaterais. De Niro dá show em uma atuação inspirada, o que lhe rendeu o prêmio de melhor ator dos críticos de cinema de Nova York em 1990. Imperdível.

Garota, Interrompida (Girl, Interrupted, 1999)
Esse faz mais tempo ainda que vi, mas ficou marcado em minha memória. Baseado no livro de memórias homônimo escrito por Susanna Kaysen (interpretada por Winona Ryder), o filme apresenta a história dessa garota que foi diagnosticada com Transtorno de Personalidade Limítrofe nos anos 60 e enviada a um hospital psiquiátrico, onde ficou dois anos internada. O problema é que esse transtorno é muito difícil de identificar com precisão e surge na adolescência, podendo ser confundido com rebeldia juvenil em muitos casos. No hospital, Susanna passa a viver nesse mundo estranho e conhece algumas garotas barra-pesada, incluindo Lisa Rowe (Angelina Jolie), uma sociopata sedutora que arma um plano de fuga envolvendoa Susanna e outras internas. Angelina Jolie ganhou o Globo de Ouro e o Oscar de melhor atriz coadjuvante de 2000 por sua atuação como a assustadora Lisa. Bom filme do início dos anos 2000.

Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest, 1975)
Este é um clássico dos clássicos e dispensa apresentações. Conta a história de Randle McMurphy (Jack Nicholson), malandro que, ao ser preso mais uma vez, se finge de louco para ir para um hospital psiquiátrico em vez da cadeia. Ao chegar lá, ele tenta mudar a rotina dos pacientes e, como obviamente não tinha problema mental algum, é visto pelos internos como alguém destemido, que enfrentava os enfermeiros e médicos sem medo das punições, que incluía, entre outras coisas, choques elétricos. Sua sanidade é percebida pelos funcionários da clínica, mas McMurphy, por conveniência, fingia nos testes para continuar ali. A ideia inicial que ele tinha sobre os loucos, de que podem fazer qualquer coisa que lhes dê na telha, é derrubada pouco a pouco, e o que parecia ser uma ótima forma de fugir da prisão acaba se tornando apenas uma forma diferente de confinamento. O filme ganhou vários prêmios, incluindo o Oscar de 1976 nas categorias de melhor filme, melhor ator (Jack Nicholson), melhor atriz (Louise Fletcher), melhor diretor (Milos Forman) e melhor roteiro adaptado. Preciso falar mais?

7 comentários:

João disse...

Um que eu gosto muito é aquele "Simples Como Amar", com a Juliette Lewis e o Givani Ribisi... e tem um dos diálogos mais engraçados que já vi em um filme:
"Quem será que inventou o sexo?"
"Eu acho que foi a Madonna."

Michelle disse...

Hahaha... Muito bom!
Eu já tinha ouvido falar desse filme. Vou procurar. Tks pela visita e pela dica ;)

Roberta Ferreira disse...

Adoro suas dicas ...
ainda não vi esse, mas vou acrescentar a lista
http://www.episodiodehoje.com

Por que você faz poema? disse...

"Um Estranho no Ninho", sem dúvidas, o melhor. E por que não o, hoje, cult OS DOZE MACACOS?

Michelle disse...

Que bom que você gosta, Roberta.

Sabe que não lembro direito de Os 12 macacos? Só sei que na época pensei "que filme viagem", mas gostei. Tenho até o DVD aqui em casa. Preciso ver de novo. Tks pela lembrança!

Nice disse...

Fiquei curiosa pra assistir o filme coreano...adoro o cinema deles :)

Luara Cardoso disse...

Oi Michelle!
Esse filme eu não conhecia! E olha, tem a Emma Roberts e o Zach Galifianakis.
Adorei a dica.

Um beijo,
Luara - Estante Vertical