quarta-feira, 25 de julho de 2012

Filme: Para Roma, Com Amor (To Rome, With Love)

E então que no fim de semana fui ver o novo filme do Woody Allen, “Para Roma, Com Amor”. O filme é dividido em quatro histórias intercaladas que jamais se cruzam: o arquiteto americano que volta ao passado relembrando bons momentos de sua vida de estudante em Roma; um jovem casal que veio do interior da Itália para a capital passar a lua-de-mel; um simplório trabalhador que tem sua vida virada ao avesso ao tornar-se celebridade involuntariamente; e o dono da funerária que nasceu para ser tenor, mas só canta no chuveiro.


Na primeira história, que é uma das minhas favoritas, Alec Baldwin interpreta John, o arquiteto famoso que encontra Jack (Jesse Eisenberg), aspirante a arquiteto que atualmente mora com a namorada, Sally (Greta Gerwig), na mesma casa em que John morou quando estudante. A chegada da devoradora de homens, Monica (Ellen Page), ameaça o relacionamento Sally e Jack, e John assume o posto de conselheiro sentimental do rapaz, alertando-o para as artimanhas sedutoras de Monica e ao mesmo tempo incitando-o a cair em tentação. Presente o tempo todo nas cenas de Jack, mas invisível na maioria do tempo aos outros personagens, John pode ser apenas a imaginação de Jack ou, pelo contrário, Jack é que pode só existir na lembrança de John. Fica a cargo do espectador decidir.

Outro núcleo muito interessante é o do casal Michelangelo (Flavio Parenti) e Hayley (Alison Pill). Ele é um advogado romano dedicado a defender os interesses dos trabalhadores; ela uma turista perdida em Roma que se envolve em um relacionamento com Michelangelo e agora, já noivos, aguardam a chegada dos pais dela dos Estados Unidos. Os pais da noiva são Phyllis (Judy Davis) e Jerry (Woody Allen), respectivamente uma psiquiatra e um diretor musical aposentado. Com suas neuroses típicas, Woody Allen rouba a cena ao tentar convencer Giancarlo (Fabio Armiliato), o pai do noivo, a largar seu trabalho na agência funerária e a se aventurar nos palcos. O problema é que Giancarlo, embora tenha uma voz magnífica, só consegue cantar no chuveiro. As montagens surreais das óperas que Jerry faz para que Giancarlo possa atuar são hilárias.

Há também a história de Leopoldo (Roberto Benigni), o funcionário comum que tem uma vida monótona e um dia acorda famoso. A ideia em si é muito engraçada, mas é praticamente a mesma piada o filme todo. Entretanto, não deixa de ter seu valor por fazer uma crítica à cultura da futilidade alimentada pelas revistas de fofoca.

Por fim, a história do casal em lua-de-mel é totalmente dispensável. Só serve para fazer a coadjuvante de Penélope Cruz brilhar novamente, assim como fez em Vicky, Christina, Barcelona. Aqui ela interpreta Anna, uma prostituta que, por engano, entra no quarto errado e acaba assumindo o papel da esposa recém-casada de Antonio (Alessandro Tiberi) em reuniões com os tios supertradicionais que queriam avaliar se o sobrinho estava pronto para assumir um cargo na empresa da família. A chegada de Anna à festa escancara a hipocrisia da alta sociedade.

Resumindo, “Para Roma, Com Amor” é bom, inteligente, divertido, faz críticas à sociedade e continua sendo uma ótima opção de lazer, mas não se pode dizer que é um dos filmes mais criativos de Woody Allen. A combinação de cidades lindas e histórias de amor com toques de comédia já foi explorada nas produções mais recentes do diretor e agora parece que ele pegou sobras dos outros filmes, escolheu outro cenário e gravou. No entanto, mesmo não sendo uma obra-prima, "Para Roma, com Amor" está muito acima da média dos filmes em cartaz atualmente e sem dúvida vale o ingresso.

E para quem é fã de Woody, não deixe de conferir uma entrevista bem bacana que ele deu à revista on-line The Talks (em inglês).

4 comentários:

lualimaverde disse...

Estou querendo muito ver esse filme e nos cinemas daqui só tem sessão muito tarde da noite, mas vou ver se tomo coragem. Bj! =)

Julia G disse...

Ei Michelle, primeira vez que passo por aqui, gostei do blog ;D
Gosto muito dos filmes de Woody Allen, mas não posso me dizer fã. Normalmente esses filmes com tantos núcleos não me agradam, mas pelo que você comentou, parece ser algo interessanmte.

Beijos

agnes disse...

tô correndo atrás desse filme pra ver tem um tempo!
agora onde moro só ficou em cartaz umas duas semanas eu acho, e agora só tem horário tarde da noite ¬¬
woody allen é sempre woody allen, adoro!
e esse parece ser mais um excelente tb, de acordo com o que vc e com o que umas amigas me falaram!
vou tentar baixar.. é o jeito, né?! ¬¬

beijos - Rascunhos e Borrões

Michelle disse...

Julia G,
Seja bem-vinda!

Agnes,
É triste que os bons filmes fiquem em cartaz por pouco tempo e sejam relegados às salas mais obscuras e aos horários mais ingratos. Pois é... chato ter que apelar para os downloads, mas às vezes é o que resta. Ficar sem ver porque as distribuidoras não colaboram é que não dá, né?
bjo