segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Eu fui: Black Sabbath no Campo de Marte, SP

E então que quando anunciaram a vinda do Black Sabbath ao Brasil eu fiquei muito empolgada. Finalmente iria assistir a uma das últimas bandas da minha lista de “Shows para ver antes de morrer” que eu ainda não tinha visto. Nem tinha mais esperanças de ver um show dos caras, na verdade. A volta da banda foi inesperada (para mim) e a confirmação do show só me fez ter uma certeza: tenho que ir de qualquer jeito!

Foto do G1

Como sempre, as dificuldades para ir a um show começam bem antes da apresentação. O primeiro obstáculo a ser superado é a compra dos ingressos. Com preços nada amigáveis, taxa de INCONVENIÊNCIA e bilheterias oficiais do outro lado da cidade, a primeira decisão foi onde comprar sendo menos lesado. Tentei ir a um dos pontos de venda (com taxa) próximo de casa e, claro, não deu certo. Vendas só em dinheiro vivo. Ou seja, além da taxa, eu não poderia parcelar o valor (que era a informação que constava no site). Resumindo, não deu para comprar, pois eu pretendia adquirir ingressos para outras pessoas. Assim, combinando com outros amigos, decidimos que eu faria a compra pela internet pagando a taxa de INconveniência + a taxa de entrega (que dividiríamos). E assim foi.

Meses depois, o grande dia finalmente chega. Como o show foi numa sexta, seria simplesmente impossível chegar de carro ao local. Nos encontramos no metrô e lá fomos nós. Alguns minutos de caminhada da estação Carandiru até o local do show e finalmente estávamos dentro do Campo de Marte. E aí veio a segunda decepção: o local é de terra, todo esburacado, com desníveis absurdos. Achamos um lugar em um dos montinhos mais elevados e aguardamos o início do show, que, felizmente, foi mais que pontual, começando alguns minutos antes do horário marcado.

Teria sido ótimo SE desse para ouvir a banda. Assistir, de fato, ao show nunca foi minha intenção, já que do alto do meu 1,54 eu raramente enxergo o palco. Mas eu pretendia ESCUTAR o show. Sabe, com aquelas batidas que reverberam no peito, com o som das guitarras que ficam grudados nos tímpanos até o dia seguinte? Bem, nada disso aconteceu. Ouvir a banda tocando foi mais difícil do que conseguir enxergar o telão entre milhares de cabeças. Como constatei no fim do show, dava para escutar (e assistir) melhor do lado de fora do Campo de Marte do que lá de dentro. Sim, paguei R$300,00 de ingresso + 20% de taxa de INconveniência + R$15,00 de taxa de entrega e teria sido melhor e mais barato ter simplesmente parado no canteiro central da avenida. REVOLTANTE!

No entanto, a noite ainda não tinha acabado e havia mais uma decepção na lista: a volta para casa. Caminhamos de volta até a estação Carandiru e demos com a cara na porta. Devido ao imenso número de pessoas que saíram do show e foram para o metrô, eles simplesmente fecharam a estação. Sei que quando há um volume tão assustador de pessoas esse é o procedimento padrão do metrô. Até aí, OK. Mas custava eles colocarem uns avisos na estação na IDA, informando sobre o fechamento pós-show? Quem mora em SP e costuma andar de metrô por ali sabe que é só continuar andando pela mesma avenida até a próxima estação. Acontece que havia muita gente de fora, zanzando desesperada e sem rumo. Sem contar que havia um outro fator estressante: o horário. Já era 11:30 quando encontramos a estação fechada. Ainda tínhamos que andar até a estação seguinte antes da meia-noite.

No fim, conseguimos chegar à outra estação a tempo, mas isso infelizmente me fez lembrar que o Brasil vai sediar uma Copa do Mundo ano que vem. Com a mesma estrutura e organização precárias. Só estou imaginando o povo que se arrastou até o Itaquerão, que já fica numa área com trânsito surreal e com 1 única estação (final) de metrô por perto, tentando voltar para casa e dando de cara com a estação fechada. Vai ser “ótimo”.

Ah... quanto ao show em si? Gostaria de dizer que foi mágico e inesquecível, mas, infelizmente, as recordações desse dia não são nada agradáveis. Pelo que sei, tocaram o mesmo set list que já haviam usado em outros shows. Dizem também que a banda tocou muito (mas não ouvi nada). Ao que parece, Ozzy fez suas tradicionais caras e bocas (que também não consegui ver). A única coisa que me lembro foi que o Ozzy soltava um “God bless you all” ao fim de cada música e que passou mais da metade do show provocando a plateia com uns “I love you, Rio” e frases do tipo. Só quando chegou em “Iron Man”, lá pelo fim do show, ele finalmente começou a agradecer a São Paulo.

E foi isso. Provavelmente nunca verei um show do Black Sabbath, embora tenha ido a um. Triste.

6 comentários:

Sarah disse...

Putz Mi, que droga! Pensei que, sabendo da sua espera e ansiedade pelo show, fosse ler um post mais feliz rs... Aliás, pensei que vc já tivesse ido a um show deles, acredita?
Bom, a crítica que li foi positiva porque evidentemente o cara conseguiu ver o show. Ele destacou o som baixo e o set list sempre idêntico (disse que eles fazem isso mesmo nos shows, não são mto maleáveis). Mas a infraestrutura, terra, metrô fechado... essa parte não foi comentada. Uma pena né? Principalmente para quem é fã.

Tati disse...

Que pena Mi!
tenho amigos que se deslocaram daqui para ver, imagina a decepção!
Infraestrutura no Brasil é uma piada mesmo, uma falta de respeito monstro pelo cidadão. No show de Paul que fui em Recife foi a mesma coisa, ninguém se planeja para a hora que aquela multidão resolver sair toda ao mesmo tempo de um lugar só... Quando o show é bom a gente ainda tá na adrenalina, na magia e nem liga muito, mas quando não é bom :(
Beijo!

lualimaverde disse...

Puxa, Michelle, que pena que a experiência não foi boa. Não fui pra muitos shows na minha vida porque minha cidade é bem fraca disso, mas nos poucos que fui acabei percebendo que não me divirto muito. Como você, sou baixinha (1.58) e nunca vejo nada em show grandes. Tenho raiva das pessoas mal educadas que te empurram de propósito, enfim, acabo me estressando mais do que me divertindo, rs. Mas como essa semana eu perdi o único show que eu queria muito ver (Anathema), vou pelo menos ficar mais aliviada em saber que eu não perdi nada em relação ao Black Sabbath. ;-) Beijo!

Maura C. Parvatis disse...

Eu vim toda saltitante achando: Ai, deve ter sido incrível e... :(
Que coisa, que chato, que... nhaca!!!
Vocês desembolsaram uma grana tão alta e não foi nada do esperado :\
E a estação Carandiru é tão longe do Campo de Marte, pelo menos eu acho, dá mó rolê pra chegar e Nossa, tá fechada a estação! --'
Como você disse, vamos sediar uma Copa com um transporte público que não funciona nem para nós, os gringos vão pirar [negativamente, rs] com a desorganização que parece que 'virou' sinônimo de nosso país, uma pena :\

Beigos!

mm amarelo disse...

Chato mesmo, Michelle. Eu também sou baixinha (1,56) e já desisti de shows grandes assim. Para mim não é negócio, sem falar do sufoco que é. Mas, como você, existem algumas bandas que me fariam abrir uma exceção, rs.
E a falta estrutura do Brasil é de chorar, de indignação!
bjs
Maira

Michelle disse...

Sarah,
Nem me fale. Decepção do ano.
A crítica fica na área VIP, onde é possível pelo menos ouvir o show.

Tati,
Imagino que decepcionante. Pois é, quando pelo menos o show é bom a gente consegue relevar a infraestrutura problemática...

Lua,
Estou acostumada a não ver e isso nem me incomoda muito. Agora não escutar... isso foi demais para mim. Pena que você não pôde ver o Anathema :(

Maura,
Não acho a estação longe não. O problema é a falta de organização e informação mesmo. Quem sabe um dia aprendam a organizar grandes eventos por aqui.

Maira,
Eventos desse tipo são sempre caóticos e eu tenho evitado ultimamente. Mas alguns shows são oportunidade única e acabo cedendo. Gostaria de ter uma recordação boa desse dia :(