quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Filme: Juventude em Fúria


T.J. é um garoto solitário e perdido que foi morar na casa da avó após um acidente que matou sua mãe, meses atrás. Além de lidar com a mudança de casa e com a perda da mãe, ainda enfrenta a indiferença do pai, que, afundado em sua própria tristeza, passa o dia largado no sofá, enchendo a cara de remédio. Um dia, T.J. cruza o caminho de Hesher, um cara esquisitão que entra à força na vida do menino e de sua família e transforma o mundo deles.


“Juventude em Fúria” (por favor, ignorem o título péssimo) é um filme estranho, diferente mesmo. Eu não sabia muita coisa sobre a história, mas a presença do Joseph Gordon-Levitt chamou minha atenção e resolvi conferir. Ao contrário dos personagens fofos que marcaram sua carreira, neste filme ele mostra um lado que eu não conhecia, e surpreende ao dar vida a um cara esquisito e violento, que anda quase sempre sem camisa, mostrando suas tatuagens ofensivas, que fala o que lhe vem à cabeça, exagera nos palavrões, fuma compulsivamente, tem acessos de raiva e faz coisas sem sentido. O tipo de sujeito de quem todos fugiriam.


Um pequeno incidente faz com que T.J e Hesher se conheçam, e então este último se instala na casa da avó do menino. O garoto se sente intimidado, mas não sabe o que fazer; apenas torce para o cabeludo ir embora. O pai estranha e se incomoda com a presença de Hesher, mas sua apatia o impede de tomar uma atitude. Já a avó, recebe o estranho de braços abertos e é a única pessoa que não o julga por sua aparência. Aos poucos, começamos a enxergar a verdadeira face do ogro.


A dinâmica entre T.J. e Hesher é muito peculiar, e oscila entre convivência forçada, parceria, amizade, relação de irmãos ou de pai e filho, mas também de inimigos. Isso acontece em grande parte porque não há como prever as ações de Hesher e, de fato, algumas vezes dá muita raiva ver como ele trata o garoto. Enquanto T.J. vai ficando cada vez mais agressivo, Hesher vai mostrando cada vez mais seu lado sensível. Em certo momento, já não sabemos mais quem está influenciando quem. 


“Juventude em Fúria” ganhou muitos pontos comigo por ser tocante sem ser piegas, por me apresentar a um Joseph Gordon-Levitt diferente de tudo o que já tinha visto. Aliás, não é só ele que está irreconhecível: Natalie Portman faz o papel de uma caixa de supermecado feinha e Rainn Wilson, o eterno Dwight Schrute da versão americana da série The Office, aparece barbudo e sério no primeiro papel dramático que o vejo fazer. Todos foram uma ótima surpresa para mim. O garotinho que interpreta T.J. (Devin Brochu) é uma gracinha e comove por seu apego desesperado ao último vestígio da mãe.


Além da história interessante e das ótimas atuações, o filme ainda tem uma trilha sonora sensacional, composta em sua maioria pelo Metallica (aumente o som e ouça AQUI) e ainda por Motörhead. Aliás, dizem que Hesher foi inspirado em Cliff Burton, o ex-baixista do Metallica que morreu num acidente envolvendo o ônibus da banda nos anos 80.


O fato é que “Juventude em Fúria” é um filme que não poupa o espectador. A agressividade e o visual sujo podem incomodar um pouco no começo (e, na verdade, acho que é essa a intenção), mas merece aplausos por fugir da praga do “politicamente correto” que tem atingido a maioria das produções nos últimos anos. E ainda usa as metáforas mais incríveis para propor uma reflexão.


Assista agora! 


Trailer legendado:

Um comentário:

Maura C. Parvatis disse...

Ao terminar de ler a resenha e ver o filme, fiquei assim: NOSSSSSSSSAAAAA!!! E nem foi pelo visual do Joseph, o.k, admito que curti ;D
Fiquei com a sensação que gostarei.
Quero assistir o quanto antes, depois te digo o que achei!

Lembro que quando soube da morte do Cliff Burton num daqueles programas da Mtv comentando mortes de artistas fiquei mal :\


:*