segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Resenha: O Cirurgião


A policial Jane Rizzoli e seu parceiro Thomas Moore enfrentam um pesadelo: novos ataques de um serial killer conhecido como “O Cirurgião”. O problema é que o assassino foi morto anos atrás. Seria um imitador? Ou um comparsa que até então havia passado despercebido? E como o criminoso conhece tantos detalhes do caso? Poderia ser alguém infiltrado na polícia ou nos hospitais?

Faz tempo que estava curiosa para ler algo da Tess Gerritsen. Até já tinha alguns livros dela em casa, mas por um motivo ou outro acabava adiando... No mês passado, recebi o "empurrãozinho" que faltava para finalmente começar a ler essa série incrível: a escolha do primeiro livro da autora como tema das leituras de novembro do Fórum Entre Pontos e Vírgulas.

A história é contada a partir de dois pontos de vista: na maior parte do livro, por um narrador em terceira pessoa; em alguns capítulos, pelo próprio assassino, que apresenta suas reflexões sobre as vítimas e também fala da morte e do sacrifício humano em diversas culturas.

O foco da investigação desse instigante thriller médico são as mulheres vítimas do “Cirurgião”, que são estupradas e mortas e, ainda por cima, têm o útero removido, a assinatura do criminoso que sinaliza a humilhação final dos alvos com o roubo da feminilidade delas. A autora trabalha muito bem a questão das mulheres como "sobreviventes" em um mundo dominado pelo pensamento masculino: elas têm sempre que se impor, provar duplamente que são tão boas quanto os homens (principalmente no caso da detetive Rizzoli, que trabalha em um ambiente majoritariamente masculino e ainda compete, em casa, com o irmão, para provar sua capacidade) e ainda lutam contra suas fragilidades (mulheres estupradas que não conseguem contar a ninguém o que viveram por medo e vergonha, condenadas a viver eternamente em alerta).

Eu gosto muito de histórias policiais e o filão de suspense médico me agrada bastante. Adoro programas do estilo "CSI" e "Criminal Minds". Aliás, os livros da Tess Gerritsen foram adaptados para a TV e viraram a série “Rizzoli and Isles”. Alguém já viu? Eu assisti só aos primeiros episódios e por enquanto tive uma boa impressão mas não recomendo que vejam antes de terminar "O Cirurgião", pois há revelações importantes da trama logo nos primeiros minutos. Em breve falo mais do programa para vocês.

Mas voltando ao livro... além do meu interesse pela investigação e pelos procedimentos médicos, outra coisa que me conquistou na escrita da autora foram os personagens bem construídos. Rizzoli é descrita como uma mulher de 33 anos, baixinha, de olhos e cabelos negros e sem grandes atributos físicos. É uma pessoa de personalidade forte, teimosa, grossa e rabugenta (usa esse escudo para afastar as pessoas e se posicionar de igual para igual com os colegas do sexo masculino no trabalho). É detestada por quase todos os policiais, com exceção de Barry Frost, seu parceiro oficial, calmo e com jeito de moleque, e Thomas Moore, designado para o caso do Cirurgião, e com quem desenvolve uma relação cheia de altos e baixos.

Outra personagem fundamental nesta trama é a médica Catherine Cordell, a única sobrevivente a um ataque do Cirurgião anos atrás e que, pouco a pouco e com muito esforço, conseguiu superar parte do trauma e se tornou uma profissional bem-sucedida (embora no campo das relações pessoais ainda não consiga se abrir). E é justamente quando se vê novamente arrastada para seu pior pesadelo que começa a confiar em outra pessoa e se envolve emocionalmente com o policial Moore, o que gera os conflitos com Rizzoli. A dinâmica entre Cordell-Moore-Rizzoli é bem bacana. Eles admiram uns aos outros, mas também se detestam em certas ocasiões. Na verdade, o estilo e os personagens lembram bastante os de outra autora consagrada dos romances policiais médicos: Patricia Cornwell (falei de um de seus livros AQUI).

Enfim... “O Cirurgião” foi uma ótima experiência. A escrita é fluida, os personagens são cativantes e o mistério é mantido até quase o fim do livro. Apesar de ter sido muito doloroso pensar no sofrimento das vítimas, foi uma leitura tensa e emocionante. Já quero ler os outros da série.

“O mal não morre. Nunca morre. Ele apenas adota um novo rosto, um novo nome. Só porque nós fomos tocadas por ele uma vez, não significa que estamos imunes a sermos feridas de novo. Um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar”.

Suspense policial de primeira! Indispensável para os fãs do gênero.

Leitura feita para a discussão do Fórum Entre Pontos e Vírgulas.



10 comentários:

Ana Leonilia disse...

Oi, Michelle :) Eu já ouvi falar bem dessa série. E estava aguardando sua resenha (vi que você estava lendo...), para saber sua opinião.

Também gosto de suspense e tramas investigativas. E essa chama mais atenção por se tratar de um thriller médico. Ainda não li nada com essa combinação.

Bjs ;)

Jacqueline Braga disse...

OIE Mi
Essa resenha em lembra que preciso urgentemente atualizar meu repertório de romances policiais.
São tantos bons, que eu não dou conta de ler tudo.
Conheci a autora depois de saber que seus livros deram origem a série Rizzoli and Isles, que eu queria muito assistir, mas por falta de tempo nunca consigo.
Vou atrás da coleção de livros, não sabia que a bestbolso também tinha lançado livros dessa série, pois eu vi um que saiu pela Record.
bjos
www.mybooklit.com

Maura C. Parvatis disse...

Oi, Michelle! :)

Não conhecia a autora, lembro de já ter visto um livro dela (acho que até foi "O cirurgião") na livraria mas não me interessara...

Nunca li nada do tipo romance policial médico, mas acredito que me agradará por que gostava bastante de "CSI" e Law & Order: SVU, durante uns bons anos eu vivia assistindo séries policiais e preferia essas, ultimamente é que não vejo mais nada :\

Bom, voltando a resenha... Gostei mesmo tendo ficado mal ao imaginar o sofrimento das vítimas.

Se chegar a ler o livro, em breve, te digo o que achei :D

Beigos!

Denise Mercedes disse...

Ei Michelle,
fiquei feliz que você gostou! Acho que o grande diferencial da Tess nesse livro é justamente dar voz às vítimas e esse é o elemento que puxa o enredo: o sofrimento é duplo, a violência física, emocional e etc e o estigma social apoiado também em uma violência de gênero. Como você, também achei bem feita a trama entre Cordell-Moore-Rizolli! ;)
Beijos!

Patrícia Di Carlo disse...

MiG, esse foi meu primeiro policial, meu primeiro Tess e fiquei bastante tensa e gostei muito. Ainda mais da capacidade descritiva da autora e do jogo de dubiedade que ela fez com as 3 principais personagens. ;o)

Xêros

livroseoutrasfelicidades disse...

Esse é bem meu estilo! Papai Noel, pode me dar esse livro..rsrs

Lua Limaverde disse...

MiG, você já foi lá no fórum ver as discussões? Está bem legal, depois dá uma passadinha lá. Beijão! =)

Melissa Padilha disse...

Oi Michelle !

Só vim comentar aqui depois que terminei o livro!
Gostei bastante, mas achei que a figura central seria mais a Rizzoli e não, a trama central envolve na minha opinião muito mais a Cordell do que a Rizzoli.
Como não tenho muita intimidade com livros policiais, não tenho muita base de comparação, mas adorei a história, me prendeu, me deixou tensa e gostei demais da narrativa da Tess, quero continuar a ler a série.
bjos

jaciara disse...

Gostei muito da sua resenha, atualmente sou viciada na serie Rizzoli & Isles. Tenho uma pergunta, estou lendo o livro O cirurgião, mas em nenhum momento é citado a participação da DR. Isles, gostaria que me informasse se ela está neste livro ou em que livro sua presença é adicionada. Valeu!!!

Michelle disse...

Jaciara,
Eu só li o primeiro livro da série e, de fato, a Dra. Isles não aparece nele. Mas, segundo uns amigos que já estão mais avançados na leitura, ela aparece a partir do segundo livro ;)