sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Leia o Livro, Veja o Filme: A Festa de Babette

O LIVRO (A Festa de Babette)

Em 1871, na cidadezinha norueguesa de Berlevaag, surge uma mulher de cabelos negros, pálida e com cara de adoentada, que desmaia à porta da casa das irmãs Martine e Philippa, portando uma carta de um velho amigo de ambas que pedia para que as bondosas senhoras acolhessem a viajante desconhecida. Em troca de abrigo, Babette, a recém-chegada, ofereceria sua incrível habilidade de cozinheira. 

Voltamos alguns anos na história para conhecer certos fatos que foram fundamentais para o destino das irmãs. Elas eram filhas do profeta protestante que fundou a comunidade de Berlevaag e, na juventude, a beleza de ambas havia chamado a atenção de muitos rapazes. No entanto, o profeta afastava qualquer pretendente, dizendo que precisava das filhas assim como precisava de seus dois braços. Dessa forma, após a morte do pai, Martine e Philippa assumiram a organização do ofício religioso, dedicando suas vidas à caridade e em manter vivos os princípios de sua religião que pregava a renúncia a todos os prazeres mundanos.

Acontece que, às vésperas da comemoração do que seria o centésimo aniversário do profeta, as irmãs, percebendo a desunião e os conflitos frequentes entre os membros da congregação, decidem oferecer um jantar em homenagem ao falecido pai, pretendendo, ainda, restaurar a boa convivência entre os fiéis. É nesse momento, então, que Babette se oferece para preparar um legítimo jantar francês (o que assusta tremendamente as irmãs, já que isso significava um lauto banquete - o que ia contra o princípio de vida simples de sua fé). Como as irmãs achavam que Babette estava prestes a retornar à sua terra natal, consideram justo conceder esse pedido à cozinheira. E é então que o verdadeiro dom de Babette vem à tona.

Fazia tempo que eu queria assistir ao filme, e o livro já estava na minha estante há um tempo. Quando montei minha lista de “Livros que Viraram Filmes” nem havia cogitado ler essa história. Peguei o livro para ler por acaso, quando estava de saída e meu mp3 quebrou. Como detesto ficar sem fazer nada no metrô, escolhi aleatoriamente um livro, com base apenas no tamanho (a minha edição é pocket, com 64 páginas apenas). Resultado: li quase o livro todo no trajeto e percebi que poderia encaixá-lo no Desafio do Skoob (e também no Desafio 12 Livros, 12 Receitasamanhã tem receita dinamarquesa no blog!).

O que me interessou na história é o fato de envolver comida. Acho que já disse aqui que adoro histórias de cozinha. Mais do que o ato de comer, considero a preparação dos pratos uma coisa mágica. E, em "A Festa de Babette", a magia acontece diante dos olhos do leitor/espectador. A comida (e a bebida) é libertadora e conciliadora. Os pratos preparados por Babette são puras obras de arte e alimentam corpo e alma.

Além do aspecto da comida e seu poder transformador, o livro também aborda as diferenças religiosas, de hábitos e de línguas (que Babette aprendeu a contornar rapidamente), a promessa de felicidade após a morte (já que os personagens quase sempre abrem mão de uma possível satisfação terrena com a certeza de que serão recompensados na eternidade) e as diferentes perspectivas sobre o que é ser “pobre” e sobre o que é valioso para um artista.

“Babette chegara exaurida e com olhar esgazeado, como um animal sendo caçado, mas, em seu novo ambiente de cordialidade, logo adquiriu a aparência de uma criada confiável e respeitável. Antes, parecera uma mendiga; agora, mostrava-se uma conquistadora. As feições serenas e o olhar firme e profundo tinham qualidades magnéticas; sob seus olhos, as coisas se moviam, sem fazer ruído, para o lugar apropriado."

Uma história sobre gente simples, fé e transformação. Recomendo!

Este post faz parte do Desafio Literário Skoob 2014 - Mês de Janeiro: Livros que Viraram Filmes. Para ver a lista de obras selecionadas e outros posts do DLSkoob2014, clique AQUI. 

Este post faz parte do Desafio 12 Livros, 12 Receitas - País Escolhido: Dinamarca. Para ver a lista de títulos e pratos selecionados e outros posts do projeto, clique AQUI. 



***********
O FILME (A Festa de Babette)

Sobre o filme, não tenho muito o que falar. É extremamente fiel ao conto. As únicas alterações que notei foram a troca de país (no livro a história se passa na Noruega, enquanto no filme o cenário é a Dinamarca) e o povoado cinzento e sem graça mostrado na tela, que não é nem de longe tão bonito quanto o que eu imaginei ao ler (a descrição no livro fala de casinhas coloridas de madeira que davam ao local um aspecto de cidade de brinquedo).


O grande momento é, obviamente, o jantar e o desfile de pratos requintados, harmonizados com as bebidas e apresentados de forma a tocar aos poucos cada conviva, abrindo seus corações e mentes. Só a parte de preparação foi um pouco aflitiva, com a tartaruga na prateleira e o depenamento e destrinchamento das codornas. O livro, felizmente, não detalhava esses processos... rs


Pelos mesmos motivos que recomendei o livro, também recomendo o filme.


Trailer legendado em inglês


8 comentários:

Flávia disse...

Oi!! Não conhecia o livro e o filme. Achei bem interessante!! Vc já leu "A escola de sabores"? É uma fofura!
Bjs

Jacy Coelho disse...

Não conhecia a história, fiquei curiosa, vou (pelo menos) procurar o filme pra assistir. Valeu pela indicação!

Bia Machado disse...

Li esse conto no livro "Anedotas do Destino", da Blixen, e achei muito bom, lírico, encantador mesmo. O filme nunca assisti, acho que desde criança vejo a chamada pra ele na tevê, mas nunca conferi... Por que será que mudaram o país no filme? Os textos da Blixen merecem ser conferidos!

Maria Silvana Santana disse...

Oiee vim visitar e seguindo ;)
Não conhecia nem o livro nem o filme, e fiquei curiosa, bem depois que você ficou fissura e terminou o livro no percurso do metro, creio que eu tenho que ver pelo menos o filme!!
Beliscões carinhosos da Máh ~~♥
Cantinho da Máh
@Maaria_Silvana

Marta Pinto disse...

É um dos meus filmes favoritos, tenho o livro aqui em casa depois de seus comentários devo retirá-lo da pilha.

Flávia disse...

Faz tempo que eu comprei Anedotas do Destino justamente por causa desse conto e até agora não li. Parece ser muito bom. Deve despertar o apetite!

Michelle disse...

Flá,
Já li sim (em um LV, por sinal). Bem gostosinho também!

Jacy,
Veja sim (mas de barriga cheia ou com petiscos por perto...hahaha)

Bia,
Acho que nunca vi a chamada do filme na TV (ou será que esqueci?). Acho que mudaram o país no filme porque o diretor é dinamarquês e talvez tenha ficado mais à vontade falando de sua terra natal... ou porque quis usar o país de nascimento de Blixen. Vai saber!

Maria Silmara,
Juntou a vontade de conhecer essa história curta e um percurso razoavelmente longo e deu nisso ;)

Marta,
Tire sim! Depois me conte o que achou!

Flávia,
Nem me fale! Só de imaginar aquelas comidas já fiquei salivando. E olha que eu nem como metade dos pratos! hahaha

fluxosdesconexos disse...

Já ouvi falar no filme, mas não sabia que havia um livro sobre o qual foi baseado. Jura que tem só 64 páginas? Curtinho. Deve ser bom de ler. E agora com essa resenha, aí que vou fazê-lo mesmo. :)