segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Oscar 2014 - Ela


A história se passa em um futuro não muito distante, no qual os sistemas operacionais usam a tecnologia de inteligência artificial e conseguem interagir com os humanos como se de fato fossem uma outra pessoa. Theodore (Joaquin Phoenix) é um recente usuário desse tipo de programa que, em sua versão customizada, se chama Samantha (Scarlett Johansson). Contrariando toda a lógica, eles se apaixonam e provam que o amor não tem limites.



Ao ler uma sinopse dessas, não resta outra coisa a não ser pensar “O que?!?!?” / “Que viagem!” / “Nem vou perder meu tempo vendo essa porcaria” / “Curioso! Vou espiar”. Posso garantir que, por mais doido que possa parecer, a história de amor entre um cara solitário e um programa computacional é uma das mais emocionantes, delicadas e perfeitas que já vi. Tanto que eu deveria escrever apenas brevemente sobre a trama, junto com mais 2 indicados ao Oscar de Melhor Filme, mas quem disse que isso bastaria? Um dos filmes mais lindos dos últimos tempos, já entrou para minha lista de favoritos dos favoritos e, por isso, nada mais justo do que um post exclusivo.


Conforme os anos avançam, a tecnologia se faz cada vez mais presente, claro. Theodore trabalha escrevendo cartas. Ele é responsável por criar cartas personalizadas, como se a pessoa A estivesse escrevendo para a pessoa B, já que até essa simples forma de comunicação foi terceirizada. Sendo um cara de extrema sensibilidade, ele é capaz de tocar os corações dos clientes mais exigentes e é tão dedicado que consegue se lembrar até mesmo dos pequenos detalhes mencionados uma única vez, criando memórias de pessoas que ele nem conhece.


No entanto, no campo pessoal, as coisas não andam nada bem. Mesmo depois de sua esposa ter saído de casa há um bom tempo, ele ainda se recusa a deixar o passado para trás e protela ao máximo a assinatura do divórcio. Seus encontros amorosos são sempre um desastre, já que nenhuma mulher parece ser tão boa quanto a ex-esposa. Curiosamente, a “garota" perfeita que consegue abrir os olhos de Theodore para as infinitas possibilidades da vida não tem um corpo físico; é apenas uma mente aguçada e uma voz doce (com uma gargalhada deliciosa).


E então a magia acontece. Com a maior naturalidade do mundo, Theodore e Samantha assumem o romance. Embora ele fique inseguro no início (afinal, mesmo em tempos futurísticos, ainda era estranho se apaixonar por uma voz), a felicidade que sente é tanta e Samantha tem uma personalidade tão encantadora que os amigos de Theodore também se rendem aos encantos da garota virtual. Uma relação realmente perfeita. Ou quase. A curiosidade de Samantha e sua vontade de abraçar o mundo, em certo momento, começam a afetar a relação. 


O que mais eu posso dizer sobre o filme? Que é lindo, lindo, lindo! Que tem uma trilha sonora maravilhosa! Que Joaquin Phoenix foi injustiçado por não ser indicado como melhor ator. Que Scarlett Johansson consegue, só com a voz, atuar melhor do que muita gente. Que é meu favorito do Oscar, mas que obviamente não vai ganhar. Que é aquele tipo de história surreal em que os personagens embarcam na fantasia do protagonista sem questionar, levando junto o espectador, que fica embasbacado. Que durante toda a exibição eu fiquei com aquela sensação de “nó na garganta”, em um misto de vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo, terminando com um sorriso involuntário nos lábios. Que é impossível terminar de ver essa pérola e não ficar com a cabeça cheia de caraminholas, refletindo sobre o amor, as relações interpessoais, a vida.

Enfim... não tente entender por meio de resenhas, críticas ou comentários de terceiros. Apenas dê uma chance ao filme e sinta a história. 

“O passado é apenas uma história que contamos a nós mesmos”

Indicações:
Melhor Filme, Roteiro Original, Canção Original, Trilha Sonora Original e Direção de Arte

Minha aposta:
Roteiro Original, Canção Original, Trilha Sonora Original  

Trailer:


Outros filmes que já recomendei e que falam de amor de um jeito onírico: Ruby Sparks –A Namorada Perfeita; Boneca Inflável; A Garota Ideal

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Para ver a Lista de Indicados ao Oscar 2014 e suas respectivas resenhas, clique AQUI

7 comentários:

mm amarelo disse...

Eu também fiquei com "um nó na garganta", Michelle. É um filme muito delicado e amei a fotografia e a paleta de cores. Também entrou para minha lista de favoritos. <3

bjs!
Maira

Tati disse...

Michelle, acabei de ver agora e estou que nem você! Fui sem grandes expectativas justamente porque a sinopse não diz muita coisa, mas me surpreendi tanto com a sensibilidade e as inúmeras possibilidades que essa história traz. Incrível! Ainda não vi os grandes filmes desse Oscar, que pelo que estão dizendo são O lobo e 12 years, mas estou tão encantada com esse que acho difícil algum superar!
Como disse o Bruno: daqui há uns anos ainda estaremos falando desse filme <3
Um beijo enorme!
Tati

Filipe Mafagafo disse...

Estou completamente louco para ver esse filme, mas me recuso a ver em outro lugar que não no cinema com a tela grande :D

Sua resenha fechou o trato u_u

Carissa Vieira disse...

Sério que é tão lindo assim? Estava com vontade de ver mas sua crítica me deixou com mais vontade ainda.

Beijos
Carissa

Claudia disse...

Hummm, adorei sua resenha!
Estou doida pra assistir, mas parece que so começa a passar aqui 14/2.
Quero muito ver
Bjks, querida

Nice disse...

Oi Michelle... eu achei o filme lindo, emocionante, sincero...concordo com tuda a sua postagem. O unico porém é esse bigodão do Joaquin Phoenix.

Beijos

Michelle disse...

Maira!
Você me entende! <3

Tati,
A sinopse boba pode afastar algumas pessoas, mas quem se arriscar vai ter uma ótima surpresa, né?

Filipe,
Provavelmente vou assistir de novo na tela grande. É mais que merecido.

Carissa,
Vá lá. E depois me conte o que achou ;)

Clau,
É um daqueles filmes que vou indicar eternamente...rs

Nice,
Hahaha... eu também não curto o bigodão. Mas dou um desconto pro Joaquin.