domingo, 26 de janeiro de 2014

Resenha: Os Olhos do Dragão


A história de passa no Reino de Delain, onde o rei Rolando, o Bom, vive com seus dois filhos: Pedro, o mais velho, bonito, bondoso, inteligente e preferido do pai; e Tomás, o tristonho, confuso e solitário filho mais novo, cuja única habilidade era o manejo do arco e flecha e que, com razão, morria de ciúme do irmão. Quando Rolando morre, a cerimônia de coroação de Pedro já estava em andamento, mas algo inacreditável acontece: o príncipe herdeiro é acusado de ter assassinado o próprio pai e, num julgamento precipitado para evitar rebeliões populares, é condenado a passar o resto dos seus dias preso na torre mais alta e distante do castelo. Será que Pedro tinha um lado maligno que finalmente veio à tona? Ou será que foi uma armação? Quem teria interesse em afastar o primogênito do trono?

Começo dizendo que não tenho o hábito de ler histórias fantásticas. Não sei direito o motivo, só que feiticeiras, magos, dragões, fadas e companhia não me atraem. Me sinto mais à vontade com os dilemas da realidade. Então, quando precisei escolher um livro de fantasia para o Desafio Diversidade Literária 2014, fiquei perdida. Como meu objetivo é usar livros que já tenho em casa, comecei a revirar tudo, a fim de achar algo que se encaixasse. Já estava perdendo as esperanças quando alguém sugeriu no grupo "Os Olhos do Dragão", uma aventura de Stephen King por terras cheias de magia. Achei que era uma ótima oportunidade para ler algo de um tema que não costumo ler, usar um livro da estante e, de quebra, conhecer uma nova faceta do Sr. King.

O que ficou claro para mim é que, seja em histórias de terror, nos dramas ou na literatura fantástica, King não decepciona. O texto fluiu fácil e conseguiu me transportar para o mundo medieval sem dificuldade. O tempo todo eu tinha a impressão de estar vendo um filme da Sessão da Tarde. Bem tranquilo mesmo. O diferencial fica a cargo da ironia que permeia o texto e do narrador que se dirige diretamente ao leitor.

A história, no entanto, não é lá muito inovadora e fala sobre o amor e ódio entre irmãos. Tendo um que se destaca em tudo o que faz e que é amado por todos, obviamente também existe outro que vive à sombra do talentoso e, por isso, se ressente. Quando tem a oportunidade de ficar sob os holofotes, Tomás não pensa duas vezes, mesmo sabendo que seu irmão está sendo condenado injustamente. Durante todo o tempo que Pedro luta para provar sua inocência, Tomás sente o peso da responsabilidade e se remói por não ter feito nada para ajudar o irmão, mas, ainda assim, não toma uma atitude para mudar a situação.

A demonstração de lealdade, no entanto, vem daqueles com os quais não há ligação de sangue, mas que, muitas vezes, são mais próximos que os familiares. Com o auxílio de amigos fiéis, Pedro consegue elaborar um arriscado plano de fuga para enfim assumir a coroa que lhe pertence e para resgatar da miséria e exploração o povo de seu reino.

“De repente, compreendeu a que Flagg aludira ao dizer que ele, Tomás, veria o pai através dos olhos do maior troféu de Rolando. Ele estava olhando o pai de um pouco mais que meia altura da parede oeste... e era ali que estava pendurada a maior de todas as cabeças – a de Niner, o dragão do pai.”

“Os Olhos do Dragão” foi uma leitura muito gostosa, mas nada que possa ser considerado sensacional. Apenas um bom passatempo.
  

Este post faz parte do Desafio Diversidade Literária 2014 - Mês de Janeiro: Fantasia. Para ver a lista de obras selecionadas e outros posts do DDL2014, clique AQUI. 

3 comentários:

Filipe Mafagafo disse...

A história em si não me atraiu muito também, mas o nome do King não deixa de ter peso!

Sarah disse...

Duas surpresas numa resenha só: vc ler sobre esse tema e o autor ser o King! A história tb não me atraiu muito, mas achei bem legal o autor tentar algo nessa linha.
bjos!

Michelle disse...

Filipe,
O livro estava aqui havia anos. Só desencalhou por causa do desafio.

Sarah,
Sou cheia de surpresas...hahaha ;)