segunda-feira, 2 de junho de 2014

Resenha: A Garota das Cicatrizes de Fogo


Um homem encontrado em um beco, morto. Não apenas morto, mas queimado, cinza, ressecado. Uma garota com o corpo totalmente coberto por cicatrizes de queimadura e que, um dia, acorda misteriosamente livre de todas elas. Um cara que se vê diante da esposa caída no chão da cozinha no mesmo estado assombroso do primeiro morto e descobre, para seu horror, que a filha pequena desapareceu. Qual a ligação entre essas histórias?

Johnny Falco é o cara que perde a esposa e passa então a procurar a filha desesperadamente. Em sua busca, se depara com coisas estranhas, inexplicáveis e que muitos consideram inexistentes. Uma das poucas pessoas que acredita nele e o ajuda é Sal Salvatore, que também viveu uma tragédia familiar. É esse último quem diz a Johnny para ir a Valparaíso, cidade onde foi encontrado o corpo do beco, bem como um outro no mesmo estado lamentável. É lá também que mora Lisa Gomez, a garota das cicatrizes de fogo.

A história é uma ficção com elementos sobrenaturais que incluem anjos, almas perdidas e a Dona Morte em pessoa. Em certas cenas, me senti assistindo a um episódio de "Supernatural", o que foi ao mesmo tempo empolgante e decepcionante - embora a presença dessas ações tenha gerado tensão, também despertou aquele sentimento de ‘já vi isso antes e sei como acaba’. Mesmo assim, o saldo foi positivo, já que eu não esperava que a trama enveredasse por esse caminho.

Lisa e Johnny se revezam como protagonistas no início, até que suas histórias se cruzam e se mostram intrinsecamente ligadas. Particularmente, prefiro mais a parte da narrativa de Johnny, um personagem casca-dura e com um senso de humor peculiar. Os trechos de Lisa têm mais aquele espírito adolescente, com os dramas escolares, a luta pela aceitação, as inquietações sentimentais.

Me interessei pelo livro quando li a resenha da Eliana, do blog “Elas Leram”. Um livro nacional, com uma sinopse intrigante, uma capa linda e - aleluia! - em volume único? Quero ler, claro! A leitura fluiu bem, a curiosidade foi mantida até o fim e ainda me diverti com a rabugice do Johnny e com as referências literárias, musicais e cinematográficas que o autor inseriu nas conversas. Só alguns deslizes com o português me incomodaram em algumas frases. Em geral, foi uma boa surpresa.

“Passou a noite inteira sem sequer fechar os olhos. Medo das imagens que seu cérebro poderia trazer com a chegada da escuridão. Deixara a luz acesa e começara a ler o livro de cabeceira: “A arte da guerra”, de Sun Tzu. Uma obra-prima sobre como derrotar seus inimigos. Mas e se o seu inimigo vivesse dentro de você?”

Indico para quem quer uma leitura rápida, cheia de ação, mistério e um toque de sobrenatural.


Este post faz parte do Desafio Literário Skoob 2014 - Mês de Junho: Autores Brasileiros. Para ver a lista de obras selecionadas e outros posts do DLSkoob2014, clique AQUI. 


Mais uma leitura proporcionada pelo Livro Viajante do Skoob.

4 comentários:

Ana Leonilia disse...

Oi, Michelle! :) Nem imaginava que a trama envolvia elementos sobrenaturais! Olha só...
Aguçou a curiosidade aqui. ^^

Engraçado, achei que fosse uma série! Acho que por causa da capa...
Ainda bem que não é, porque a maioria dos livros hoje em dia tem continuações e isso cansa.

Bjs ;)

Rafaella Lima disse...

Oi Mi, tudo bem? Fico feliz que tenha gostado do livro. Concordo com os pontos que você falou, e também gostei muito mais da narração do Jhonny e gostei muito do Sal.

Parabéns pela resenha, muito boa!!

Beijinhos,

Rafaella Lima
http://vamosfalarlivros.blogspot.com.br/

Lua Lima disse...

Oi Mi,
Esse livro está na minha lista de vou ler também, mas eu jurava que era algo na linha policial.
Dev e ser interessante, acho que vou pular alguns títulos.
Ótima resenha.
bjs
Luana
www.blogmundodetinta.blogspot.com

Michelle disse...

Ana,
Foi uma surpresa, tanto pela temática sobrenatural quanto por ser livro único (raridade ultimamente, né?). Recomendo ;)

Rafaella,
O Sal é bacana também! E muito obrigada pelo empréstimo!

Lua,
Tem investigação, mas é "não-oficial", sabe? Também, com as coisas estranhas que acontecem na história, a polícia fica perdida...rs