segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Resenha: O Chamado de Cthulhu e Outros Contos


Lovecraft é referência suprema na literatura de horror e sua influência pode ser percebida também em outros campos da arte: filmes, pinturas, música. Mesmo gostando muito desse gênero literário, não sei por que nunca tinha lido nada do autor. Esta edição da Hedra traz a famosa história de "O Chamado de Cthulhu" e mais seis contos de várias fases de produção do Lovecraft.

Outubro foi o mês da literatura norte-americana do projeto Volta ao Mundo em 12 Livros e o autor selecionado foi o Lovecraft. Oportunidade perfeita para eu desenterrar o livro da estante e finalmente conhecer um pouquinho do escritor. Com expectativa nas nuvens, a chance de decepção era grande e, de fato, aconteceu.

Pelo breve contato que tive com a escrita do Lovecraft, pude notar dois estilos principais dentro do horror: um mais voltado para o inexplicável e sobrenatural, ilusões e delírios produzidos pelo medo; e outro que trata mais de mitologia, do espaço, de seres ancestrais e extraterrestres. O primeiro tipo de história é mais parecido com o trabalho do Edgar Allan Poe, inspiração confessa do Lovecraft, e dessa parte do livro vêm os meus textos preferidos. Já os contos mais mitológicos não me agradaram muito. Talvez porque eu não conheça os mitos citados, talvez porque realmente os questionamentos do tipo "quem somos? de onde viemos? somos os únicos no universo?" de fato não despertem meu interesse.

Em todo caso, é inegável a habilidade do Lovecraft de descrever detalhadamente os ambientes, não só em seu aspecto físico, mas nas sensações provocadas por eles. Aquilo que os olhos não conseguem ver ganha uma dimensão palpável nas mãos do autor. Sem dúvida, é um mestre na arte de despertar nos leitores o sentimento mais primitivo e profundo: o medo. Embora minha primeira experiência com o trabalho do Lovecraft não tenha sido arrebatadora, quero muito ler outros textos dele.

Uma coisa que preciso falar é sobre a edição de bolso da Hedra. Apesar de muito bem cuidada, do lindo visual das páginas iniciais e finais de fundo preto, dos textos complementares que nos permitem conhecer um pouco mais do autor e seu estilo, a fonte absurdamente pequena e com pouco espaçamento foi um problema para mim. Adoro livros pocket. Acho ideais para carregar na bolsa e ler no metrô. E foi exatamente isso que fiz com esse livro, mas tive que abandonar a leitura após algumas páginas. Cansativo demais. Eu não conseguia focar no texto, me perdia, pulava de uma linha para outra... Acabei deixando para ler em casa, mas gostaria muito de ter desfrutado do livro nos períodos que passo na rua. Dá para aumentar o tamanho da fonte e o espaçamento, viu gente? Os livros da L&PM Pocket estão aí para provar.

“A coisa mais misericordiosa do mundo é, segundo penso, a incapacidade da mente humana em correlacionar tudo o que sabe. Vivemos em uma plácida ilha de ignorância em meio a mares negros de infinitude, e não fomos feitos para ir longe. As ciências, cada uma empenhando-se em seus próprios desígnios, até agora nos prejudicaram pouco; mas um dia a compreensão de todo esse conhecimento dissociado revelará terríveis panoramas da realidade e do pavoroso lugar que nela ocupamos, de modo que ou enlouqueceremos com a revelação ou então fugiremos dessa luz fatal em direção à paz e ao sossego de uma nova idade das trevas.”
(Trecho de 'O Chamado de Cthulhu')

Para quem não tem medo do escuro. Recomendo!

Este post faz parte do projeto Volta ao Mundo em 12 Livros - Mês de Outubro: H. P. Lovecraft (Estados Unidos). Para ver a lista de obras selecionadas e outros posts do #VAM12L, clique AQUI.

Um comentário:

Samira Costa disse...

Terror não é meu gênero preferido. Mas é muito bom saber o olhar crítico de outras pessoas. Você escreve muito bem e deve ter uma bagagem literária muito grande.
Estou te seguindo.
Espero sua visita.
beijos

http://dancadasbolhas.blogspot.com.br/