sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Resenha: O Menino que Perdeu a Magia


O protagonista do livro é o Senhor Conrad, mas o conhecemos antes mesmo de virar adulto e passar a ser tratado por tal pronome. Quando encontramos o personagem pela primeira vez, ele ainda era um garoto de 9 anos que atendia por Daniel e vivia solitário na casa grande e bem mobiliada de seus pais. Ele era feliz, ou pelo menos achava que era, até que as condições financeiras da família mudam drasticamente e eles vão morar em um prédio velho e feio, no centro da cidade. O que o menino não esperava, no entanto, era encontrar seres mágicos em um lugar tão decadente...

Daniel era um garoto inteligente e educado que andava sempre só, pois os pais não gostavam que ele interagisse com outras crianças. Seus ricos pais compravam para ele tudo o que havia de mais moderno no quesito brinquedos e aparelhos eletrônicos, mas toda ostentação não era capaz de dar ao menino o que ele mais queria: atenção dos pais, amigos com quem brincar, livros que o transportassem para mundos encantados e o permitissem sonhar. Assim, pouco a pouco e sem perceber, Daniel foi deixando a imaginação de lado e crescendo antes do tempo - foi perdendo a magia.

A mãe de Daniel era a futilidade em pessoa: só se preocupava com a aparência e com a opinião alheia; o pai só pensava em trabalho, no dinheiro que precisava ganhar para continuar mantendo o alto padrão de vida a fim de impressionar colegas e vizinhos. Portanto, Daniel cresceu em um mundo no qual felicidade se resumia e bens e imagem. Imaginem a surpresa dele quando a família é obrigada a se mudar para um edifício detonado e, logo na chegada, ele se depara com um degrau falante!

Durante o tempo em que mora no prédio antigo, Daniel faz amigos, conhece criaturas mágicas, reaprende a sonhar... mas nem tudo são alegrias. Muita coisa acontece entre o resgate da magia por Daniel e o momento em que passa a ser tratado por ‘Senhor’. Todavia, é sua versão idosa que nos faz refletir sobre a importância da infância e dos sonhos, sobre a necessidade de manter viva a criança dentro de nós, mesmo depois de virarmos adultos.

Além do tema, encantador por si só, caí de amores pela forma descontraída da escrita. Celly Borges conversa diretamente com o leitor, como se estivesse sentada ao nosso lado, batendo um papo. Isso sem falar das ilustrações delicadas da Carolina Mancini, que complementam perfeitamente a narrativa. A história envolvente de um Peter Pan às avessas foi uma leitura muito gostosa. Pena que acabou rapidinho...

"O sonho está sempre ali, a espreitar com olhinhos coloridos e cintilantes, para ser descoberto por suas pessoas grandes que cansaram de ser - ou de fingir ser - adultos e querem voltar à infância".

Para quem procura um livro capaz de entreter os pequenos e comover os grandinhos. Mais que recomendado!

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Este post faz parte do Desafio Literário Skoob 2014 - Mês de Novembro: Infantojuvenil. Para ver a lista de obras selecionadas e outros posts do DLSkoob2014, clique AQUI.

2 comentários:

Lígia disse...

Gosto muito desses livros infanto-juvenis que falam sobre crescimento. Esse vai para a minha lista!

Maura C. Parvatis disse...

Ah, que bacana! Fiquei com ainda mais vontade de conferir essa história... Espero poder lê-la em breve.

Bjs