quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

E o tema é... Filmes com sabor

Ainda no espírito do tema de janeiro do Desafio Literário 2012 (Literatura Gastronômica), resolvi fazer um post temático com filmes que dão água na boca e fazem as lombrigas requebrarem. Então pegue alguma coisinha para beliscar, sente-se confortavelmente no sofá e saboreie!

Almoço em agosto (Pranzo di Ferragosto, 2008) [Itália]

Gianni (Gianni di Gregorio), homem de meia-idade, mora com a velha mãe viúva em Roma. Suas contas se acumulam, e o tradicional feriado de 15 de agosto se aproxima. Sabendo de sua dificuldade financeira, o proprietário do apartamento lhe faz uma proposta: se Gianni hospedar a mãe dele no feriado, perdoará parte de suas dívidas com o aluguel.
 Ao saber disso, seu médico e um de seus amigos também lhe pedem que fique com suas mães (sem contar uma tia que vem de brinde!). Subitamente, o pequeno apartamento de Gianni se vê repleto de senhoras que causam muita confusão com suas excentricidades. Divertido, com pitadas de drama familiar e conflitos humanos, o filme ainda mostra Gianni e as mammas fazendo pratos de encher os olhos e fazer a barriga roncar.


Ratatouille (Ratatouille, 2007) [Estados Unidos]
Remy (Patton Oswalt) é um rato que sonha se tornar um grande chef. Só que sua família é contra a ideia e, por ser um rato, ele sempre é expulso das cozinhas que visita. Um dia, enquanto estava nos esgotos, ele fica bem embaixo do famoso restaurante de seu heroi culinário, Auguste Gusteau (Brad Garrett). Ele decide visitar a cozinha do lugar e lá conhece Linguini (Lou Romano), um atrapalhado ajudante que não sabe cozinhar e precisa manter o emprego a qualquer custo. Remy e Linguini realizam uma parceria, em que Remy fica escondido sob o chapéu de Linguini e indica o que ele deve fazer ao cozinhar. Como todas as animações da Pixar, esta não fica atrás em termos de qualidade visual e enredo. É diversão garantida com a sofisticação da cozinha francesa.

Chocolate (Chocolat, 2000) [Suécia]
Baseado no romance homônimo de Joanne Harris, o filme conta a história de Vianne Rocher (Juliette Binoche), uma forasteira que, sem marido e acompanhada apenas da filha de seis anos, chega a um conservador vilarejo no interior da França. Como se isso não bastasse, ela abre uma loja de chocolates ao lado da igreja em plena quaresma! Sua capacidade de criar doces e chocolates incríveis e de perceber os desejos de cada cliente e satisfazê-los completamente faz com que seja considerada uma feiticeira por muitos moradores. Sua situação, que já não era boa, piora ainda mais com a chegada de Roux (Johnny Depp), um músico andarilho com quem ela acaba se envolvendo. Impossível assistir a este filme e não ficar com vontade de comer um docinho...

Bom Apetite (Bon Appétit, 2010) [Espanha]

Este é um daqueles filmes deliciosos, mas infelizmente sem divulgação, que só tive o prazer de ver porque dei de cara com ele começando na TV a cabo. É uma comédia romântica, falado em três línguas diferentes, às vezes ao mesmo tempo (inglês, espanhol e alemão), com toques de drama, muitos pratos tentadores e paisagens lindíssimas. A história gira em torno de Daniel (Unax Ugalde), jovem e ambicioso chef espanhol em início de carreira, que consegue o emprego de seus sonhos em um renomado restaurante em Zurique. Logo passa a ser o preferido do chef Thomas (Herbert Knaut) e faz amizade com Hugo (Giulio Berruti), chef italiano, e com Hannah (Nora Tschirner), sommelière alemã. Tudo parece estar indo às mil maravilhas para o grupo de talentosos amigos, até que Hannah dá um beijo em Daniel, o que é suficiente para que ele se apaixone completamente e questione seu relacionamento com a namorada. Será que vale a pena investir no relacionamento com a volúvel Hannah? Sensível, divertido, encantador!

Como Água para Chocolate (Como Água para Chocolate, 1993) [México]
Baseado no romance homônimo de Laura Esquivel, (então mulher do diretor Alfonso Arau), a história se passa no início do século XX, numa fazenda mexicana, na fronteira com o Texas, Tita (Lumi Cavazos), a quem foi negado o direito de se casar, por ser a filha mais nova, e que teve que permanecer ao lado da mãe Elena (Regina Torne) para cuidar dela, vive um amor ardente, mas contido, por Pedro (Marco Leonardi), que acaba aceitando casar-se com sua irmã Rosaura (Yareli Arizmendi), apenas para permanecer perto da mulher que ama. Tita, que cresceu na barra da saia de Nacha (Ada Carrasco), cozinheira da fazenda, conhece como ninguém os mistérios da culinária e transpõe para os alimentos todas as suas emoções, que acabam nos pratos dos comensais. A atmosfera do filme é de conto de fadas, cheio de aromas, rituais, texturas e temperos. Pena que a TV não permite sentir o cheirinho das comidas...

Estômago (Estômago, 2008) [Brasil]
Em “Estômago” se desenrolam duas histórias paralelas envolvendo Raimundo Nonato (João Miguel), um migrante nordestino que foi para a cidade grande na esperança de ter uma vida melhor. Contratado como faxineiro em um bar, logo ele demonstra seu talento nato para a culinária. Suas famosas coxinhas transformam o bar em um sucesso e Raimundo é contratado por Giovanni (Carlo Briani), dono de um conhecido restaurante italiano da região, para ser assistente de cozinheiro. Na esfera pessoal, ele se apaixona pela prostituta boa de garfo Iria (Fabiula Nascimento). Enquanto acompanhamos sua melhora de vida, simultaneamente conhecemos sua vida na prisão, onde seus dotes culinários lhe garantem várias regalias. O motivo da prisão só aparece quando o filme já está bem adiantado, mas isso não nos impede que salivar vendo os quitutes preparados por Raimundo. Confesso que, mesmo estando há anos sem comer nenhum tipo de carne e de não sentir falta, as coxinhas do filme me deixaram com muita vontade. Fiquei com elas na cabeça durante semanas!

Julie & Julia (Julie & Julia, 2009) [Estados Unidos] 
Baseado em duas histórias reais (adaptação da escritora e diretora Nora Ephron de duas autobiografias de sucesso: Julie & Julia de Powell e My Life in France, de Julia Child com Alex Prud'homme), Julie & Julia intercala a vida de duas mulheres que, apesar de separadas pelo tempo e pelo espaço, estão ambas perdidas, até descobrirem que com a combinação certa de paixão, coragem e manteiga, tudo é possível. Em 1948, Julia Child (Maryl Streep) mudou-se para Paris na companhia do marido, nomeado adido cultural dos EUA. Apaixonada pela cultura francesa, ingressou em uma famosa escola de gastronomia e lançou o livro Mastering the Art of French Cooking, tornando-se extremamente popular nos EUA. Décadas mais tarde, em Nova York, Julie Powell (Amy Adams) acaba de fazer 30 anos e vive frustrada com sua vida de funcionária pública. Com o apoio do marido, resolve que testará todas as receitas do livro de Child por um ano e publicará os resultados em um blog. Alternando momentos de plena satisfação consigo mesma por conseguir reproduzir as receitas e de grandes frustrações por não ser capaz de obter o resultado desejado, o filme nos envolve nas lambanças de Julie e nos faz desejar que a hora do jantar chegue logo.
[#vejamaismulheres]

O Primeiro que Disse (Mine Vaganti, 2010) [Turquia]
Tommaso (Riccardo Scamarcio) é o membro mais jovem da tradicional família Cantone, proprietária de uma fábrica de massas no sul da Itália. Ele vai a Roma para uma reunião familiar em que seu irmão será anunciado como eleito para tocar os negócios da empresa e pretende aproveitar a ocasião para contar a todos sobre sua homossexualidade. Só que ele não esperava que seu irmão Antônio (Alessando Preziosi) tomaria a dianteira comunicando aos familiares que também é gay, obrigando Tommaso a esconder sua revelação e ainda assumir a fábrica a contragosto. Temendo que seu pai tenha um infarto após o choque da declaração do irmão, Tommaso segue empurrando seus dias na fábrica enquanto tenta planejar quando contará à família sobre seus desejos. Uma visitinha da turma de amigos deixa tudo mais agitado e divertido, dando mais tempero a esta ótima comédia italiana com toques de drama. Aqui a culinária não é o foco principal, mas, se a história se passa na Itália, qual a probabilidade de assistir a um filme todo sem dar de cara com pratos saborosos desfilando na tela?

Sem Reservas (No Reservations, 2007) [Uganda]
O filme é uma refilmagem de “Simplesmente Martha” (Bella Martha, 2001), uma produção ítalo-germânica-austríaca-suíça. Conta a história de Kate (Catherine Zeta-Jones), chef de cozinha workaholic de um sofisticado restaurante de Manhattan. Sua personalidade extremamente séria e perfeccionista faz com que esteja em atrito constante com o novo e animado subchef (Aaron Eckhart), que é avesso a regras, extremamente criativo e gosta de ouvir ópera na cozinha. Como se isso não bastasse para deixar os nervos de Kate à flor da pele, ela ainda tem que lidar com a súbita chegada de Zoe (Abigail Breslin), sua sobrinha órfã de 9 anos, que se sente deslocada na rotina da tia. No meio de tantas adaptações, Kate percebe que o mundo vai muito além da cozinha.

Tomates Verdes Fritos (Fried Green Tomatoes, 1991) [Estados Unidos]
Este é clássico! O filme se baseia no romance escrito por Fannie Flag, que assina o roteiro com mais uma mulher, Carol Sobieski. Ainda que tenha sido filmado por um diretor homem, é uma obra de alma feminina, uma pequena ode à vida e à amizade, que aborda ainda questões como discriminação racial, violência doméstica, liberdade, terceira idade e recuperação da auto-estima. Duas histórias ocorridas em épocas diferentes vão se intercalando conforme Ninny (Jessica Tandy), interna de um asilo, passa a encontrar Evelyn (Kathy Bates), uma visitante desconhecida, e vai compartilhando histórias. Os tais tomates verdes fritos do título era uma receita servida aos fregueses do antigo café dirigido pelas outras duas personagens femininas importantes da história, Idgie e Ruth. Não é propriamente um filme de temática culinária, mas dá gosto observar os pratos preparados por Evelyn e os ingredientes da cozinha do Café.

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Enquanto eu estava selecionando os filmes para o post, percebi que a temática culinária realmente me atrai. Os filmes mencionados acima são só alguns com esse tema a que já assisti. Ainda tenho muitos outros para comentar e mais uma série de títulos a serem vistos, mas acho que o post já ficou grande o bastante. Em breve posto a "Parte 2" com mais indicações de filmes.
E aí, gostaram? Quais os seus favoritos? Que filme acrescentariam?

5 comentários:

Por que você faz poema? disse...

Nada melhor do que abrir a refeiçao com um bom vinho, por isso minha dica é SIDEWAYS, de Alexander Payne.

Por que você faz poema? disse...

Além do livro "Jantares de Cinema: receitas dos seus filmes preferidos".

Raíssa disse...

;dos que você citou eu já assisti Ratatouille, Sem Reservas e Chocolate. :) Fiquei bem interessada em ver os outros!

Tem um que chama Maus Hábitos, vc já viu? Não é tão gostoso de ver, hahah, fala sobre transtornos alimentares em várias situações diferentes: http://www.cinepop.com.br/filmes/maushabitos.htm

procura ver qq dia, é meio tenso, mas é muito bom! :)

bjs!

Michelle disse...

Tirando "Sideways", que eu já conhecia, o livro "Jantares de cinema" e o filme "Maus hábitos" são novos para mim. Vou atrás deles.
Valeu pelas dicas, pessoal!

danamartins disse...

também descobri que gosto de filme com essa temática, apesar de não ter visto muitos. Dessa lista mesmo só vi 3. HAUHA
Daí o que eu mais fiquei com vontade é o "Bom Apetite", mas eu com certeza vou tentar ver os outros.

Não consigo lembrar de nenhum filme assim, mas esses dias tava lendo "Ainda não te disse nada" e, apesar de não ser sobre comida, dá vontade de largar o livro e ir comer uma macarronada. HAUHA

Adorei o post! Quero a parte 2 *-*