segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Resenha: O Vendedor de Histórias (Jostein Gaarder)

O Vendedor de Histórias
Jostein Gaarder
Cia. das Letras
207 páginas


..................................



“Lembro-me bem da primeira vez que alguns meninos tocaram a campainha e perguntaram se eu queria sair para brincar. As roupas deles estavam sujas, e um deles tinha um nariz ranhento. E lá estavam eles me perguntando se eu queria brincar de índio e caubói. Fingi estar com dor de barriga, ou dei alguma outra desculpa mais plausível. Não via sentido em brincar de índio e caubói em volta de automóveis e varais de charque. Era capaz de brincar muito melhor na minha própria imaginação, onde havia cavalos e machadinhas de guerra de verdade, rifles, arco-e-flechas, caubóis, caciques e feiticeiros. Eu podia ficar sentado na cozinha ou na sala de visitas e, sem erguer um dedo, encenar as batalhas mais pitorescas entre peles-vermelhas e caras pálidas. Eu estava sempre do lado dos índios. Hoje em dia está quase todo mundo do lado dos índios, mas agora é tarde demais”.
[página 17]

Petter era um garoto com imaginação hiperativa, mas que não gostava de interagir com outras pessoas, principalmente com outras crianças de sua idade. Para ele, era perda de tempo tentar explicar coisas óbvias a elas, pois nunca entenderiam. Então, ele passava muito tempo fisicamente imóvel, mas com um turbilhão de ideias povoando sua cabeça, criando e recriando diversas histórias e aventuras. Ele era a única criança com pais divorciados e era perseguido pelos meninos da escola.

Apesar de pequeno, Petter era "boca grande", o que o colocava em várias enrascadas. Sua incrível capacidade de se expressar e de compreender as coisas rapidamente fez com que ele passasse a ajudar colegas de classe e logo começasse a ser pago para fazer deveres de casa alheios, o que acabou o levando ao que futuramente seria seu negócio de venda de histórias. É também na escola que ganha o apelido de Pequeno Petter Aranha. Anos mais tarde o codinome de Aranha vem a calhar: ele era o escritor fantasma que ganhava a vida vendendo ideias para pessoas que queriam ser escritores famosos.

"O Vendedor de Histórias" é o primeiro livro que leio de Jostein Gaarder, famoso escritor de "O Mundo de Sofia". O livro é narrado em primeira pessoa, então temos acesso aos pensamentos de Petter o tempo todo. Fica claro o quanto ele era egocêntrico e manipulador. Desde cedo, ele dava dicas para professores, fornecia informações adicionais a eles de forma discreta, para que achassem que eles próprios é que tinham pensado nessas coisas. Para Petter, ninguém estava à sua altura, mas a fama não importava; mais valia saber que suas ideias corriam soltas pelo mundo. 

No fundo Petter é muito solitário. Apenas sua imaginação fértil e seu amigo imaginário, o Homem-Metro, servem de companhia. Gostei do livro, no geral. Só achei meio repetitivo em certos momentos em que Petter narra uma história dentro de outra e depois retoma o mesmo personagem em uma história diferente,  mas ainda assim é interessante.

3 comentários:

Maxwell Soares disse...

Não possuo, ainda, este. A respeito de Jostein Gaarden tenho quase tudo. "O Mundo de Sofia" é fantástico. Um abraço...

Ana Leonilia disse...

Parece ser aquele tipo de livro que deixa uma mensagem reflexiva no final. Eu gostei do enredo e ainda não li nada do autor. Se eu tiver uma oportunidade, leio.

Bjs ;)

Mayllee-Chan disse...

Adoro esse livro! Falando de Jostein Gaarder, nunca é perda de tempo uma leitura!Já li vários e nunca achei um ruim!^_~