segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Resenha: A Estrada da Noite (Joe Hill)


"A Estrada da Noite” é o aclamado livro de estreia de Joe Hill, filho de Stephen King. E dá para ver que o menino aprendeu as lições direitinho. Conta a história do ciquentão Jude Coyne, roqueiro da extinta banda de heavy metal “O Martelo de Judas”, que tem uma queda pelo oculto e coleciona itens macabros. Ao ficar sabendo de um fantasma que está sendo leiloado pela internet, ele não pensa duas vezes e acaba arrematando o paletó do morto, que vem com o espírito do finado de brinde. Para azar de Jude, o que parecia ser apenas mais uma peça de colecionador se mostra uma grande dor de cabeça. Craddock, o fantasma que ele adquiriu, era padrasto de uma de suas ex-namoradas, e culpa Jude pelo suicídio da enteada ao fim do namoro. A missão de Craddock é acabar com Jude e levar junto todos que cruzarem seu caminho.

Outros personagens que acabam cruzando esse caminho são seu agente Danny e sua atual namorada gótica e jovem, Geórgia, quer dizer, Marybeth. Jude tinha o péssimo hábito de arranjar jovens góticas em cada estado em que se apresentava com a banda e, depois de um tempo vivendo com elas, partia para o próximo estado deixando uma trilha de garotas com o coração partido. Além de ter que lidar com jovens góticas e com um fantasma sanguinário, Jude também tem contas a acertar com seu pai e seu passado. E a estrada da noite é longa...

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"Revistou o térreo e só encontrou sombras e quietude, o que devia deixá-lo tranquilo, mas não deixou. Era o tipo errado de quietude, a imobilidade chocada que se segue ao estouro de um rojão. Seus tímpanos latejavam com a pressão de todo aquele sereno e terrível silêncio".
(página 24)

O livro é, antes de tudo, um delírio para fãs do bom e velho rock n’ roll. Começa com o título em inglês “Heart-Shaped Box”, em referência clara ao Nirvana, passa pelo nome dos cachorros de Jude (Bon e Angus) e vai citando ícones do rock sem parar: Johnny Cash (o paletó do morto era igual ao de Cash), Ozzy Osbourne e o Black Sabbath, Anthrax, Rancid (ou “Rançosa” como aparece tristemente traduzido), Coldplay, etc, achando ainda espaço para referência atuais perturbadoras como o Massacre de Columbine.

Eu já tinha visto o livro em promoções de sites de compra, mas não tinha dado muita bola. Daí, descobri que a obra havia sido escolhida para a discussão de fevereiro do Círculo do Livro. Decidi comprar para ver como era e não conseguir desgrudar. É tanta tensão que você quer terminar logo, saber o que acontece em seguida. A trama tem todo aquele clima tenso de histórias de fantasma desde o início, com descrições primorosas do ambiente e das sensações. É muito fácil imaginar a cena toda. É um roteiro de cinema esperando para ser rodado e, pelo que li, será. Até o momento, tudo o que se sabe é que Neil Jordan (diretor de “Entrevista com o vampiro”, “Traídos pelo Desejo”, entre outros) ocupará a cadeira de diretor. Aliás, o outro livro de Hill, “O Pacto” (Horns) também vai virar filme e tem até protagonista confirmado: Shia LaBeouf. A julgar pelo sucesso que já alcançou, Hoe Hill vai longe.

5 comentários:

Thaís Cavalcante disse...

Se não me engano, vi este livro na Amazon para comprar um dia desses e quando vi o título quase pirei! Não tinha muita certeza do que havia imaginado, este lance de ter uma ligação com o Nirvana, mas depois de ter total certeza agora, eu quero lê-lo!

Por ser uma história que agrega elementos dos clássicos, me atraiu bastante!

Um beijão,
Pronome Interrogativo.
http://www.pronomeinterrogativo.com

Karla disse...

Juro que não boatava muita fé nesse livro...
Vou dizer a verdade, sempre achei o Stephen King um pouco forçado e acho que só gostei do iluminado (filme) pq foi dirigido pelo Kubrick.
Mas o Joe Hill parece ser um tanto mais "sensato" no seu estilo de terror, retirando aquele ar do king que eu não gosto muito.
Vou ler sim!
òtima resenha!

danamartins disse...

Não sabia que o Joe Hill era filho do Stephen King. :o Com a minha lerdeza de sono tava aqui pensando por que não usa o mesmo sobrenome ou podia ser "Joe Prince"(?) #fail HUAH Se o forte deles fosse o humor e não o terror aposto que seria algo assim ;x

Parece ser um livro bem trabalhado e a história chama atenção, mas eu passo longe de qualquer coisa que pareça terror. Pra ter ideia, outro dia tive um pesadelo depois de ver Kid vs. Kat, imagina algo sério mesmo. HUAH

Michelle disse...

Hahaha... Joe Prince é ótimo! Pesadelo com Kid Vs Kat? É... acho que terror não é muito sua praia, Dana.

Brenda Martins disse...

Tenho um respeito e admiração tremendos por um escritor que consegue me fazer suar frio e arrepiar a nuca, por medo de um fantasma. Sou muito chata com fantasmas, eu preciso de motivos e ótimo enredo pra me fazer comprar a história. Hoje em dia você lê "o espírito maligno"... "a sombra sinistra", "o mal...". E ai temos apenas que temer o mal porque sim. Essa coisa de bem e mal me incomoda há séculos. Renovei um pouquinho da minha fé no terror com A Estrada, embora o Craddok vá perdendo seu charme maquiavélico no final.
Mas enfim, vale a pena ler galera, senão vejam por vocês mesmos: http://portugues.free-ebooks.net/ebook/A-estrada-da-noite