sexta-feira, 11 de maio de 2012

E o tema é. . . Guerra Civil Espanhola


Oi, gente!

Hoje venho apresentar o primeiro TOP 5 de maio sobre Fatos Históricos, que é o tema do Desafio Literário deste mês. Já que o primeiro livro que li para o desafio era sobre a Guerra Civil Espanhola, decidi mostrar aqui 5 filmes que têm esse conflito como tema de fundo.
Para ajudar vocês a se situarem no contexto, um pouco de História:

A Guerra Civil Espanhola aconteceu entre 1936 e 1939 e colocou os Nacionalistas contra os Republicanos. Os Nacionalistas, também eram chamados de Franquistas, pois eram partidários do General Franco, e defendiam a volta da monarquia e tinham uma visão mais conservadora, contando com o apoio da Igreja Católica; já os Republicanos eram conhecidos também como Governistas ou Rojos (vermelhos), por contarem como o apoio de movimentos de esquerda (como comunismo, anarquismo e socialismo), e desejavam mudanças radicais. No fim, o General Franco e seus partidários venceram a guerra, com a ajuda da Alemanha Nazista e da Itália Fascista. Esse fato pode ser considerado o embrião da Segunda Guerra Mundial.

E agora vamos aos filmes!

O Labirinto do Fauno (El Laberinto Del Fauno, 2006)
Espanha, 1944. Mesmo alguns anos após o fim da Guerra Civil Espanhola, um grupo da resistência republicana ainda atuava nas montanhas da região de Navarra, um local isolado devido a sua geografia. É lá que encontramos Ofelia (Ivana Baquero), menina de 10 anos que se muda para a região com a mãe, Carmen (Ariadna Gil), onde se encontram com o padrasto de Ofelia, o Capitão Vidal (Sergi Lopez). Vidal pertence ao exército do general Franco que luta para combater os rebeldes das redondezas. Sendo a única criança em um mundo de adultos, Ofelia se sente solitária, e logo faz amizade com Mercedes (Maribel Verdú), cozinheira da casa e irmã de um dos rebeldes. Um dia, passeando pelo jardim da casa, Ofelia encontra um labirinto abandonado e conhece o Fauno (Doug Jones), criatura mística que revela à menina sua verdadeira identidade. Ficção e realidade acabam, por fim, se fundido de forma trágica. Quando penso em Guerra Civil Espanhola, é este o filme que me vêm à cabeça. Talvez por ter sido o primeiro desse período histórico a que assisti; talvez pelo talento do diretor Guillermo Del Toro... não sei ao certo. Só sei que é uma fábula emocionante que merece ser vista e revista.

A Espinha do Diabo (El Espinazo Del Diabo, 2001)
Durante a Guerra Civil Espanhola, era comum que os republicanos, preocupados com o desenrolar dos fatos e tentando proteger seus filhos dos horrores do conflito, os mandassem para lugares distantes. É exatamente isso que acontece com Carlos (Fernando Tielve), garoto de 12 anos que é deixado no orfanato de Santa Lucía, no meio do nada. Graças aos seus gibis, Carlos consegue fazer amizade com alguns meninos logo que chega ao local, mas também acaba despertando a inveja de outros internos. No núcleo adulto da trama, temos Carmen (Marisa Paredes), que dirige o local com o auxílio de Casares (Federico Luppi), professor de ciências e médico improvisado. Temos também Conchita (Irene Viseto) e Jacinto (Eduardo Noriega), um jovem casal que às vezes acaba formando um quadrilátero amoroso com Carmen e Casares. As conturbadas relações entre os adultos são fundamentais para o destino do orfanato. Aos poucos, Carlos vai se acostumando com a idéia de não voltar mais para casa, e começa a descobrir os mistérios do orfanato. Um deles envolve o fantasma de Santi (Junio Valverde), um antigo interno que veio lhe pedir ajuda para pôr em prática sua vingança. Este foi o segundo filme desse período histórico que vi e, coincidência ou não, também é obra do diretor Guillermo Del Toro. Serviu para colocar o diretor na minha lista de preferidos e é uma ótima dica para quem curte um bom filme de terror sobrenatural.

A Língua das Mariposas (La Lengua de Las Mariposas, 1999)
O filme conta a história de Moncho (Manuel Lozano), garoto de 7 anos que tem de enfrentar seu primeiro dia de aula. Aterrorizado por ter ouvido falar que os professores batiam nos alunos, o menino, que carrega uma bombinha de ar para ataques de pânico, fica tão assustado quando o professor chama seu nome que acaba fazendo xixi nas calças. Felizmente o professor Don Gregório (Fernando Fernán Gómez) não é adepto de castigos para ensinar seus alunos, e acaba se transformando em mentor e amigo de Moncho. Em casa, Moncho se sente dividido entre as crenças católicas da mãe e o ateísmo do pai, e confessa seu medo da morte ao irmão, Andrés (Alexis de los Santos). Aliás, o irmão mais velho é seu modelo, tanto no desenvolvimento do talento musical quando nas questões do coração. Don Gregório se torna um grande amigo da família e sua aposentadoria é um golpe forte na vida no pequeno Moncho. Como se não bastasse, a perseguição aos ateus, comunistas, republicanos ou qualquer um que fosse contra os ideais nacionalistas é o tiro de misericórdia nessa relação tão bonita. O longa foi adaptado pelo diretor José Luiz Cuerda a partir de três contos do livro "Qué me quieres amor?", de Manuel Rivas, e ganhou o Prêmio Goya de melhor roteiro adaptado de 1999. Embora esse filme estivesse na minha lista de filmes a serem vistos há anos, só assisti agora, depois de ter escolhido o livro para o desafio. Impossível não se emocionar.

Liberdade (Libertarias, 1996)
Verão de 1936. Os acontecimentos de 19, 20 e 21 de julho, que marcam o início oficial da Guerra Civil Espanhola, são apresentados na forma de prólogo. Na sequência, vemos ataques a igrejas, frases contra o capitalismo e mortes de sacerdotes. A madre superiora, temendo pela vida das freiras, dá a cada uma delas um pouco de dinheiro e as manda para casa. No entanto, já não havia tempo para fugir. A irmã María (Ariadna Gil - de novo 1) pede ajuda em um bordel, que a acolhe. Pouco depois, as milicianas do movimento Mulheres Livres invadem o local, pregando ideais feministas e anarquistas e conseguindo assim algumas adeptas para a causa. Sem saber o que fazer, a irmã María vai com elas e logo desenvolve uma forte amizade com Pilar (Ana Belén), uma das líderes do movimento. O bacana neste filme, além de conhecer um pouco mais da Guerra Civil Espanhola, é também ter contato com a luta dessas bravas mulheres que constituíam a minoria das minorias e que tiveram que enfrentar não só os nacionalistas, mas também a resistência e o preconceito de membros de seu próprio movimento, o que acabou as levando a um fim trágico. Descobri esse filme por acaso, enquanto procurava mais filmes sobre a Guerra Civil Espanhola para completar meu TOP 5. Foi um achado e tanto! Recomendadíssimo.

Os Girassóis Cegos (Los Girasoles Ciegos, 2008)
Por fim, mas não menos importante, o filme que é a adaptação cinematográfica do livro e conto de mesmo nome e cuja história eu já apresentei AQUI. No filme, a carta enviada pelo Irmão Salvador ao padre se transforma em uma confissão, enquanto acompanhamos os outros acontecimentos, com o foco mais voltado para Elena (a ótima Maribel Verdú – de novo 2). Ricardo, o marido "morto", é interpretado por Javier Cámara, e o garoto Lorenzo ganha vida por meio de Roger Princet. Todo o clima opressor do livro, com sua tensão crescente, está presente no filme. Talvez pelo fato de o texto original ser um conto, não houve muito o que cortar, e as alterações e inserções feitas pelo diretor José Luis Cuerda (de novo 3) conseguiram aperfeiçoar ainda mais a trama. Os personagens do segundo conto do livro também aparecem no filme, com um desfecho um pouco diferente, mas ainda assim bem triste. Um raro caso de filme baseado em livro que consegue superar o material original. O filme foi pré-selecionado para concorrer ao Oscar 2009 na categoria Melhor Filme Estrangeiro, mas acabou ficando de fora. Independente disso, o filme é imperdível.

E vocês, gostam de filmes com contexto histórico? Têm algum filme para indicar?
bjo!

5 comentários:

Gleice Couto disse...

Desses, já vi O Labirinto do Fauno que é TENSO. Mas vale MUITO a pena. Vou anotar o nome dos outros pra poder conferir. Obrigada pelas dicas! ;)

Beijooos

Gleice
www.murmuriospessoais.com

lualimaverde disse...

Adoro O Labirinto do Fauno e fico adiando ver A Espinha do Diabo simplesmente porque é terror (que eu evito ver).
Como sempre, muitas indicações ótimas! =) Beijo!

Jacqueline Braga disse...

Já assisti O Labirinto do Fauno e achei chocante. Meu marido odiou rs
bjos

Karla disse...

Mi, eu assisti aos filmes do Del Toro,mas o Labirinto do Fauno continua imbatível. Quando vi que o tema era a Guerra Civil Espanhola, logo pensei nele...rs
Engraçado que ao contrário dos livros, eu quase não tenho indicação de filmes históricos. Sei lá, acho que a imagem é tão poderosa, por isso, algumas coisas eu prefiro ler do que ver...

Beijão!

silencereports disse...

Já assisti ao Labirinto do Fauno e acho que ele representa bem a violência do período. É um filme que oscila entre um conto de fadas fantástico (sem princesas cor de rosa) e a realidade violenta. Gosto bastante do diretor.
Adorei as dicas. Estou numa vibe de assistir filmes em língua espanhola e vou incluir suas sugestões à minha lista.
E parabéns pelo texto, muito envolvente e bem escrito!