quarta-feira, 27 de junho de 2012

Filme: Deus da Carnificina (Carnage)

"Deus da Carnificina" é baseado na peça de mesmo nome (Le Dieu du Carnage), de Yasmina Reza, aqui transformada em roteiro pela própria autora em parceria com o diretor Roman Polanski. Toda a ação se dá dentro de um apartamento, mais precisamente na sala de visitas, com algumas cenas na cozinha, no banheiro e no corredor. Como o cenário é limitado, a força se concentra nos diálogos afiados protagonizados pelo casal Nancy (Kate Winslet) e Alan Cowan (Christoph Waltz) e pelo casal formado por Penelope (Jodie Foster) e Michael Longstreet (John C. Reilly). Esses quatro indivíduos distintos se reúnem no apartamento dos Longstreet para discutir como adultos e resolver civilizadamente uma agressão envolvendo os filhos dos respectivos casais: Zachary, filho de Nancy e Alan, que acertou com um pedaço de pau Ethan, filho de Penelope e Michael, que perdera dois dentes nesse episódio.

A conversa começa de forma amigável, com os quatro adultos reunidos ao redor do computador de Penelope, que redige um termo de agressão conforme os palpites e sugestões dos demais. Entre elogios à decoração dirigidos aos donos da casa, cafezinho de cortesia e bolo com receita da sogra, o grupo fala sobre amenidades, sobre suas profissões, sobre como lidar com os filhos. Tudo vai bem, até que Nancy e Penelope decidem marcar um encontro para reconciliação dos garotos. Então, as pequenas diferenças de opiniões são trazidas à tona e o verniz da falsa cordialidade começa a ruir, expondo a verdadeira face de cada um dos personagens.

O legal do filme é que cada integrante do grupo tem características bem marcantes, o que não impede que eles mudem de atitude conforme o clima vai esquentando. Por exemplo, Penelope concilia o emprego de meio período em uma livraria com o de escritora voltada para os problemas africanos. Com personalidade forte e decidida, é ela quem assume a defesa dos Longstreet e que bate de frente com Alan nas discussões. Seu marido, Michael, é vendedor de material hidráulico e outras utilidades e encarna o pacificador, fazendo de tudo para evitar conflitos. Essa sua atitude faz com que ele seja apontado por Alan como submisso e fraco. E, falando no Alan, ele é um advogado com clientes importantes e que no momento defende a indústria farmacêutica. Arrogante e cínico, ele tem o dom de ser irritante, se apega a detalhes e seu celular toca sem parar, deixando claro que o trabalho é a prioridade de sua vida. Sendo assim, Nancy, que trabalha como corretora de investimentos, é subestimada pelo marido e seu papel é o de esposa perfeita, que se encarrega sozinha de todos os problemas domésticos e da educação dos filhos.

Outro ponto importante é a diferença social. Fica claro desde o início que os Longstreet, embora tenham uma vida confortável de classe média, são mais pobres que os Cowan. No início, marido e esposa se unem para atacar a dupla adversária, mas, conforme as horas passam, os problemas conjugais de ambas as duplas são desenterrados e a lavagem de roupa suja faz os protagonistas apontarem os defeitos alheios sem dó, não importando se são os do próprio cônjuge ou os das visitas.

Um ótimo filme que nos faz rir e pensar, pois não há como não se reconhecer, com vergonha, é verdade, em algumas atitudes dos protagonistas.

Aqui está o trailer para quem quiser conhecer um pouco mais da história:
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E para quem curte blockbuster de aventura, tem post de Branca de Neve e o Caçador lá no Equalize.

Beijo e até a próxima!

8 comentários:

lualimaverde disse...

Estou louca pra ver esse filme! =)

Gabriela Orlandin disse...

Nunca tinha ouvido falar sobre, mas fiquei com muita vontade de ver esse filme. O roteiro parece mesmo muito parado, mas os diálogos, a forma como você expôs como os personagens vão mostrando a "outra face" me deixou curiosíssima. Acho muito interessante essa coisa de mostrar como as pessoas realmente são. Deve nos deixar pensando em nossas próprias atitudes!
Beijos.

BrunaReis disse...

Desde que vi o trailer desse filme, fiquei afim de vê-lo. Gosto desse tipo de filme que nos faz pensar e rir e parece ser mais realista. Mesmo sendo parado, se os roteiristas conseguirem um bom diálogo, quem está assistindo se concentra no que está sendo dito e nem vê o filme passar.
Adorei a temática do livro também.

Beijos
Bruna Reis
http://desbravandohistorias.com.br

Camila Bezerra disse...

Fiquei super curiosa para assistir esse filme. Parece muito bom, apesar do cenários limitado. Já vi alguns filmes nesse estilo e gostei bastante.
Amei seu blog e já estou seguindo. Se puder faz uma visita no meu.
Bjão!
Camila - Meu Livro Cor-de-Rosa
http://meulivrocorderosa.blogspot.com.br/

Por que você faz poema? disse...

Não tenho nada contra "teatro filmado", adoro "Quem tem medo de Virgínia Woolf?", por exemplo, mas aqui Polanski perdeu a mão, o elenco parece sempre um tom acima, com seus exageros e caretas, com exceção de Christoph Waltz, que faz a pelicula valer a pena.

Michelle disse...

O povo surta no final, mas sei lá. Talvez as coisas aconteçam assim mesmo quando perdemos o controle.
E, sim, o filme é de Christoph Waltz, sem dúvida.

Raíssa disse...

quero ver esse filmeee! Tá passando no cinema da livraria Cultura, né? O dia que eu fui ver Prometheus, fiquei em dúvida com esse, mas acho que no dia tava afim de ver uma coisa mais povaréu. XD~

Adorei o elenco e o filme parece ser realmente ótimo!

bjs!

Michelle disse...

Oi, Raíssa!
Tá sim (ou pelo menos estava). Acho que você vai gostar.
Bjo