sexta-feira, 10 de maio de 2013

Dia do Testemunho: O Livro que Mudou Minha Vida


Oi, gente!

Como eu disse no post anterior, hoje é o Dia do Testemunho!

E aqui está o livro, ou melhor, a coleção de livros que mudou minha vida: "O Sítio do Picapau Amarelo", do Monteiro Lobato.


Esta semana, enquanto preparava o post de divulgação da Igreja do Livro Transformador, fiquei perdida, sem saber qual livro escolher como responsável pela minha transformação. Leio muita coisa, gosto de um monte de livros, tenho meus queridinhos, guardo tantos outros na memória, mas na hora de eleger aquele que foi essencial na minha formação como leitora... sofri. Pensei em desistir e deixar para dar o testemunho outro dia.

Mas não seria “justo”. Dar meu depoimento no dia marcado virou “questão de honra” para mim. E comecei a quebrar a cabeça e a olhar a estante... A resposta estava na minha cara o tempo todo. A coleção do Sítio foi a única parte do meu acervo infantil que fiz questão de guardar (os outros livros foram doados para a biblioteca da escola em que estudei da 1ª até a 8ª série). E ainda hoje morro de ciúme dela!

Por que esses livros merecem estar no lugar mais alto do pódio?
Porque o universo mágico e encantador criado por Lobato me fez querer entrar no livro e participar das aventuras juntamente com Emília, Pedrinho e Narizinho. Porque as histórias são tão envolventes e as descrições tão ricas que eu conseguia facilmente me imaginar naqueles lugares incríveis.


Na verdade, a leitura dos livros do Sítio me ajudaram muito a desenvolver não só minhas habilidades de leitura, como também de escrita. Lembro de uma vez, quando eu tinha uns 8-9 anos, e, na volta das férias, houve a clássica ocasião em que a professora pediu para a classe fazer uma “composição” contando sobre o que tinham feito de bom durante o recesso escolar. Eu inventei que tinha ido visitar meu tio no sítio (mentira dupla: não tenho tio nem sou pessoa com vivência no campo) e andado a cavalo e tirado leite das vacas e cuidado das galinhas... e mais um monte de coisa que nunca havia feito, mas que achava que teria sido ótimo fazer.

Enfim... minha narração foi tão convincente que a professora chamou minha mãe para me elogiar, e, obviamente, minha digníssima progenitora ficou orgulhosa do meu texto, mas com vergonha das minhas mentiras. E me desmascarou para a professora, que quis saber então de onde eu havia tirado aquelas ideias. Como vocês podem imaginar, minha inspiração veio das histórias do Sítio do Picapau Amarelo, que eram a única fonte de experiência rural desta interlocutora, desde sempre estritamente urbana.

Monteiro Lobato me surpreendeu novamente muitos anos mais tarde, quando li “O Presidente Negro”, uma de suas obras destinadas a adultos. A história é extremamente instigante e assustadoramente real. E a capacidade do autor de “antever” fatos que só ocorreram décadas depois e de descrever em detalhes tecnologias ainda a serem inventadas é de fazer a gente pensar.


Resumindo, "O Sítio do Picapau Amarelo" é a obra definitiva que mudou minha vida e Monteiro Lobato é o autor que conseguiu me impressionar tanto na infância quanto na vida adulta.


13 comentários:

lualimaverde disse...

Michelle, eu não cheguei a ler todos os livros do Sítio, mas li alguns emprestados de vizinhos na infância e quero um dia reler alguma coisa, estou esperando sair uma edição bem legal. Adorei a tua narrativa "mentirosa", rs. Beijo!

Raphael disse...

Nossa, Monteiro Lobato é muito bom mesmo. Eu só fui ler depois de velho, mas não tem como não se encantar com a Emília. Em certas passagens da série vc consegue escavar muitas camadas de significação. Com certeza é uma obra que deve ser relida em todas as idades.


Parabéns pelo post!!

Abraços

Raphael e Clara [CJL?]

Juliana disse...

Michelle,
adorei o texto!
Monteiro Lobado (e o sítio) foram muito importantes na minha formação como leitora :)
hahahaha sensacional a história da redação. Mas acho que é isso mesmo. Às vezes vivemos tanto aquilo que nos é contado, que qual o problema de nos apropriarmos um pouquinho? ;)
bjsss

Melissa Padilha disse...

Oi Michelle!
Poxa não li Monteiro Lobato na minha infância, assistia o sítio na TV mas nunca li nada, o que é uma pena, por ser um autor tão fantástico.
Fui ler Monteiro bem mais velha, minha infância foram regada a livro da série Vagalume, da Ruth Rocha e outros escolhidos pela escola.
Adorei o "testemunho"!
bjos

Sarah disse...

Que legal esse movimento Mi! Não conhecia, visitei os links que vc colocou aqui no post e adorei.
Monteiro Lobato é demais mesmo. Tenho a coleção completa guardada na casa da minha mãe, intacta e linda, esperando pelos dedinhos e olhinhos do Bento. Mas só pra qdo ele for maiorzinho, os textos são longos ainda pra ele.

Eu lembrei de 2 que me marcaram bastante. Não na infância, porque dessa época lembro mais de pessoas lendo pra mim. Mas na adolescência, quando eu mesma já lia e refletia sobre a história e tals.

O primeiro foi Dom Casmurro. Como assim, uma história sem final óbvio? Ou melhor, sem final claro e explícito?? E que ainda por cima gerava possibilidades infinitas para o que Capitu tinha ou não feito, para o que era ou não imaginação de Bentinho...
(e que, mais tarde, me inspiraria pro nome do filhote!)

E o segundo livro que lembrei foi Memorial do Convento, do Saramago. Não especificamente pelo livro, mas por ser o primeiro do Saramago que li. E descobri um estilo de escrita totalmente diferente e único... e que me fez querer fazer igual quando crescesse (ou melhor, qdo nascesse de novo, porque né... hahhaha)!
bjos!

ellen disse...

poxa, nunca li monteiro lobato quando era criança.

parece muito bacana

:)

andreia inoue disse...

Michelle,
acredita que na infancia não tive oportunidade de ler nada do Monteiro Lobato?em contrapartida, eu conhecia e adorava o sitio do picapau amarelo,nao perdia um episodio.
No ano passado, peguei na biblioteca os livros do sitio,a bibliotecaria pensou que eu era professora e iria fazer algum tipo de trabalho com os alunos,hahaha...
Gostei muito do seu post,um abracao e futuramente pretendo ler os livros do Monteiro Lobato que sao voltados para os adultos.

Carissa Vieira disse...

Achei a ideia da "igreja" muito boa. Fiquei até com vontade de fazr um post como esse.
Acredita que nunca li os livros do Monteiro Lobato? E lia muito na infância, mas infelizmente nenhum livro dele.

Beijos

Maura C. Parvatis disse...

Michelle, também adorei seu texto :)

Só conheci os livros do Lobato recentemente, mas a turma do Sítio me acompanhou enquanto eu assistia as aventuras da Emília e daqueles primos :)
A história da 'história das férias' que existiu e não existiu é ótima, o tipo de história que dá para contar para os filhos, netos... :D

Beigos!

Tati disse...

Ah Michelle, confessa que quando escreveu a redação você achava que estava mesmo no sítio não foi? rsrsrs
Linda sua história com o Lobato, linda mesmo! Eu li algumas coisas dele quando era criança, mas mais por causa da série que passava na TV Cultura. Quando eu li de verdade o Reinações da Narizinho já era mais grandinha, mas o fascínio é o mesmo, afinal ele mexe com a criança que existe em cada um de nós né??
Beijo enorme,
Tati

Michelle disse...

Lua,
Bem que poderiam mesmo lançar uma nova edição. As novas gerações (e as antiguinhas também) merecem!

Raphael / Clara,
É assim mesmo, cheio de significados. E recomendo a leitura em qualquer idade!

Juliana,
Você também foi transformada pelo Lobato, então sabe exatamente como me sinto. Faltam palavras para explicar toda a importância.

Melissa,
A coleção Vaga-lume também fez parte da minha infância! Acho que eles vieram pouco depois do Lobato.

Sarah,
Que legal! Certeza que o Bento vai amar. "Dom Casmurro" é bem marcante mesmo, por causa do final incerto e das dúvidas que ficam no ar. É... com Saramago é meio difícil comparar. Faça um testemunho lá no seu blog! Acho bacana compartilhar sua história com outras pessoas também!

Ellen,
Sempre é tempo de conhecer Lobato, viu? Vale a pena!

Andreia,
Eu também era louca pelo programa. Não perdia 1! Dos livros adultos, só li esse que citei, mas me impressionou bastante.

Carissa,
Faça um post sim! Quero conhecer seus livros transformadores ;)

Maura,
Ser desmascarada me deixou com vergonha, mas sem dúvida rendeu uma boa história de vida.

Tati,
Claro! Para mim aquele universo era tão real que eu não estava mentindo. É difícil não ser tocado pelas histórias do Sítio.

Raíssa disse...

Nunca li toda a coleção do Sítio, quando eu era pequena, lembro de ter encontrado um livro da coleção aqui em casa, ter começado a ler e gostado muito! :)

O livro que fez eu começar a ler mais com certeza foi "Clara luz: A Fada que tinha ideias". Nunca conheci ninguém que leu esse livro, nem sei se ele ainda é fácil de achar, mas lembro que a minha mãe lia sempre pra mim, e qdo aprendi a ler, lia ele sempre também. XD Adora a ver os desenhos, as fadinhas moldando nuvens, maior legal! XD

Adorei o post!

bjão!

Michelle disse...

Raíssa,
Acho que lembro desse livro da fadinha. Li emprestado da biblioteca da escola. Tô com uma imagens na cabeça (mas talvez seja só a minha imaginação...rs)
bjo