segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Resenha: Mate-me quando quiser


Uma mulher decide morrer, mas não tem coragem de pôr fim à própria vida. A solução? Contratar um matador, fazer o pagamento adiantado e dar a ele um prazo de quatro meses para que realize o trabalho em um lugar distante e que parece não combinar com a missão: a ensolarada Barcelona.

Com uma premissa dessas, nem pensei duas vezes antes de aceitar o convite da Editora Gutenberg para ler o livro. O que encontrei foi menos uma história policial e mais uma trama que mostra pessoas comuns, lidando de formas diferentes com as dificuldades e frustrações do dia a dia.

Para começar, o único personagem com nome é o matador (Soares). Sua cliente é conhecida apenas como Mulher e, no desenrolar da trama, seu caminho cruza o do Homem, o que acaba fazendo com que, por tabela, entrem na jogada também a Morena e a Loira, ambas esposas do Homem.

O Homem é o típico filhinho da mamãe, daquele tipo tratado feito criança mesmo depois de barbado. Como consequência, é incapaz de tomar decisões e deixa a cargo do acaso ou de outras pessoas os rumos de sua vida. O fato de ter duas esposas é o mais óbvio deles. A intromissão da Mulher coloca em risco o frágil equilíbrio de seu mundo.

As esposas são intencionalmente contrastantes: enquanto a Loira é de uma beleza comum, desprovida de dotes culinários e amarga, a Morena é daquelas que fazem cabeças girar na rua, um prodígio na arte do forno e fogão e sonhadora. Embora encarem a frustração de modo distinto, ambas estão claramente insatisfeitas com o casamento, mas, assim como o Homem, se recusam a tomar uma atitude para mudar a situação. E todos se arrastam pela vida afora...

O mais irônico, para mim, é que o rumo da história foi definido por uma suposição do matador, que criou um passado de decepções amorosas para sua cliente e, a partir daí, desenvolveu toda uma teoria sobre o que estava acontecendo. A explicação, no fundo, era bem mais simples do que ele supunha.

Apesar de não ter encontrado a história policial que eu havia imaginado, a leitura foi agradável e rápida, graças aos capítulos curtos e à escrita dinâmica da autora. Na verdade, a sensação que eu tive ao virar a última página foi de que havia terminado de ler um conto - provavelmente o conhecimento superficial que temos dos personagens e o tempo da narrativa, breve, me deram essa impressão de recorte de suas vidas. O que não quer dizer que seja ruim (eu gosto muito de contos), só que não rolou um apego aos personagens, aquela identificação que nos faz rir, chorar, sofrer e torcer por eles, sabe?

“Quatro meses. O tempo de gestação de um suíno. De uma hiena. De uma cabra e uma ovelha prematuras. O tempo que Soares tinha para matar a Mulher, não fosse a interpretação dos fatos o guia falho da humanidade. Pois não ouvimos o que o outro diz, mas o que queremos. O que sabemos do outro é a interseção do que compreendemos em nós mesmos”.


Em todo caso, foi uma leitura gostosa, boa para se fazer jogado no sofá, apenas relaxando.


Este livro foi lido como cortesia da Editora Gutenberg/Grupo Autêntica. Muito obrigada! 

Assistam ao book trailer:


4 comentários:

Melissa Padilha disse...

Já vi tantas pessoas falarem bem e mal desse livro que eu preciso ler para saber exatamente o que eu vou achar, mas pelo que eu ouvi esse é o livro de estreia da autora (?) ter bons reviews já é um grande passo e o mote do livro tb parece muito interessante.
bjos

Aline Aimée disse...

Fui ler o livro achando que seria mais dramático, por conta do tema do suicídio, e achando que também haveria uma investigação policial.
Mas eu ria lendo o livro, achei-o divertido. Embora, como você, não tenha conseguido me envolver com nenhum personagem.

Beijo!

Unknown disse...

Não é um livro que desperte muito a minha curiosidade, mas é, no mínimo, curiosa a proposta de uma mulher não ter coragem de se matar e contratar um matador de aluguel pra si mesma.

Michelle disse...

Mel,
Sim, é o primeiro livro da autora. Não foi como eu tinha imaginado, mas gostei da experiência. Só lendo para saber, né?

Aline,
Eu também esperava outra coisa, mas foi bem diferente. É legal ser surpreendida às vezes, não?

Unknown,
Sim, a ideia é bem inusitada :)