quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Filme: Para Sempre Alice


Alice Howland (Julianne Moore) é uma linguista renomada que começa a ter lapsos de memória. Para seu desespero, é diagnosticada com uma forma rara e agressiva de Mal de Alzheimer, que acomete pessoas jovens.  O que acompanhamos no filme é sua luta para tentar manter as memórias que a constituem como indivíduo, enquanto observamos os efeitos da doença sobre Alice e sua família.


Alzheimer é uma doença assustadora que devasta não só o doente como todos que o cercam. Se a perda das funções cognitivas já é aterrorizante em idosos, imaginem em uma pessoa adulta, no auge da carreira e, para piorar, uma pessoa que é definida justamente por sua capacidade intelectual... Para Alice, as memórias perdidas representam pedaços dela que vão desaparecendo pouco a pouco, sua identidade pessoal e profissional que se desintegra a cada dia.


A luta da protagonista contra a doença é um esforço para continuar a existir, mas ela sabe desde o início que é uma batalha perdida. Se debatendo para manter a cabeça fora do mar de esquecimento, Alice começa a anotar tudo o que considera importante, programa alertas para coisas corriqueiras no celular, envia lembretes para si mesma por e-mail, grava um vídeo com instruções para sua versão desmemoriada do futuro. Triste. Para mim, uma cena que marcou muito e que representa a degradação e humilhação da protagonista é uma em que Alice faz xixi nas calças porque não consegue encontrar o banheiro em sua própria casa.


Paralelamente às dificuldades pessoais de Alice, temos as consequências da doença sobre os familiares. O primeiro abalo vem logo após o diagnóstico de Alice, quando ela conta aos seus três filhos adultos que eles podem desenvolver a doença também. Um faz o teste e tem resultado negativo, a moça que tentava engravidar fica arrasada ao receber o resultado positivo e a mais jovem prefere não saber e recusa o teste. Outro momento tenso ocorre quando o marido, pesquisador que batalhava havia tempos por um novo avanço na carreira, finalmente consegue uma promoção, mas, para tanto, precisa mudar para outra cidade, o que obviamente aflige Alice, que se apega fortemente às poucas lembranças que ainda tem e que estão na casa em que moram.


O maior conflito, contudo, e também a maior fonte de carga dramática e emocional, é a relação entre Alice e Lydia (Kristen Stewart), a caçula que foge aos padrões de vida regrada e acadêmica tão prezada pelos Howland. Sem ter cursado uma faculdade e vivendo de bicos e pequenos papéis, Lydia é atriz iniciante e mora do outro lado do país. Suas conversas com a mãe sempre acabam em discussão por causa de suas escolhas profissionais e os irmãos também não a levam a sério. No entanto, quando a situação fica realmente feia, é a rejeitada Lydia que se mostra mais aberta a fazer sacrifícios pelo bem-estar da mãe.


“Para Sempre Alice” é baseado no romance “Still Alice”, de Lisa Genova, e foi exibido pela primeira vez no Festival de Toronto em 2014. Desde então, Julianna Moore foi indicada a melhor atriz em várias premiações, das quais já ganhou os prêmios da Associação de Críticos de Cinema de Chicago, de San Francisco e de Washington. Enquanto o resultado de outras premiações, como o Globo de Ouro, não sai, o filme segue como forte candidato a indicação ao Oscar na categoria de Melhor Atriz. E quero dizer que, além da Julianne Moore arrasar (como sempre) nesse papel, a Kristen Stewart finalmente entrega uma boa interpretação, sem fazer aquela cara de tédio padrão de seus trabalhos anteriores.

Para quem curte dramas e conflitos familiares. Recomendo e aguardo ansiosa pela lista de indicações do Oscar 2015!

Trailer legendado:

2 comentários:

Aline Aimée disse...

Oi, Michelle!
Fiquei muito interessada nesse filme!
Gosto bastante da Julianne Moore.
E morro de medo dessa doença. Minha avó teve é uma coisa bem triste de se acompanhar (imagina de viver).
Você viu no cinema ou baixou?
Será que acho nos torrents da vida?
Resenha excelente! Obrigada!

Beijo!

Michelle disse...

Aline,
Também sou fã da Julianne Moore.
Alzheimer é bem assustador, não? É tão triste...
Te passei o link. Depois conta o que achou ;)