sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Série: Sonic Highways


Em 2014, o Foo Fighters lançou seu oitavo disco: “Sonic Highways”. Pouco tempo depois de o álbum chegar às lojas, começou a ser exibida a série de mesmo nome, na qual acompanhamos a história de cada uma das 8 faixas do disco, gravadas cada uma em uma cidade americana diferente.

Com Butch Vig no estúdio

Nunca gostei de Nirvana enquanto a banda existiu. A superexposição e o fanatismo que geraram me irritavam e, por birra, eu me recusava a ouvir qualquer música deles. Só fui começar a ouvir (e gostar) após a morte do Kurt Cobain. Quando o Foo Fighters lançou seu primeiro disco, lá por 94-95, fiquei curiosa e comprei logo. Queria ouvir a banda “do baterista do Nirvana”. O álbum de estreia, no qual Dave Grohl cantou e tocou todos os instrumentos, me conquistou. Era óbvio que ali estava um cara muito talentoso. De lá para cá, o Foo Fighter se tornou minha banda favorita.

Momento de compor

A banda está em turnê pelo Brasil. Hoje tem show aqui em SP e eu não vou (#mimimi). Então, decidi vir falar um pouco sobre a série para tentar compensar a tristeza. “Sonic Highways” é um documentário criado e dirigido pelo próprio Grohl para a HBO, filmado durante a produção do álbum. A cada episódio, uma cidade diferente, escolhida devido à sua importância para a banda e para a história da música americana.

Taylow Hawkis suando em New Orleans

Acompanhar o processo de composição e gravação das faixas do álbum foi incrível! Ao contrário do que eu imaginava, as canções foram escritas nas próprias cidades, durante as filmagens. Eles escolhiam o destino, um estúdio que tivesse uma história interessante para eles ou para a música em geral, chamavam uns músicos locais de destaque, se trancavam no estúdio e deixavam rolar. Ouvir as músicas e prestar atenção às letras depois de saber como foram criadas dá um sentido diferente a elas. As referências e as inspirações ficam muito claras e ganham mais significado.

Até Obama marca presença.

Entremeadas ao processo de gravação das faixas, entrevistas com músicos de vários segmentos da indústria complementam o que é mostrado nas imagens, ajudam a esclarecer alguns pontos, dão ênfase a determinadas cenas musicais.

Josh Homme (QOTSA) no espisódio de L.A.

Gostei muito de como a série foi montada. Para mim, algumas cidades eram óbvias na lista (Chicago, Washington, Seattle, Nova York) e eu estava curiosa para saber mais sobre o papel delas na história da banda. De outras cidades (Nashville, Austin), eu não sabia o que esperar e acabaram me surpreendendo positivamente. Outras (New Orleans, Los Angeles), eu deduzi que teriam um peso grande, mas não imaginava que suas histórias seriam tão tocantes.

Foo Fighters: New Orleans style

Como eu já tinha percebido no disco, as duas últimas músicas são bem melancólicas e, assistindo à série, é fácil entender o motivo. Seattle foi o lar o Nirvana e onde Dave teve que enfrentar suas inseguranças e duras críticas para poder seguir em frente com seu trabalho de músico após a morte do companheiro de ex-banda. Nova York já viveu sua década de ouro, enfrentou decadência, tornou-se o centro musical com o punk e agora vê seus icônicos estúdios fecharem, em parte graças à revolução tecnológica que permite a qualquer um gravar um disco na sala de casa, em parte pelo gosto musical atual que privilegia música pop, bases gravadas e batidas eletrônicas. É um ciclo e, no momento, a curva é descendente.

Com Zac Brown em Nashville

Muito além de uma série para fãs do Foo Fighters, é um programa excelente para quem gosta de boas histórias e de música (rock ou outro tipo). Como o próprio Dave diz em certo momento "É uma carta de amor à história da música americana". Simplesmente imperdível!

Para quem perdeu a exibição, dá para ver os episódios online com legendas no Bis Play (assinantes da NET).

Trailer legendado:

Um comentário:

Daniele disse...

Oi, Michelle! Poxa, também vai ter show do Foo Fighters aqui no Rio dia 25/01, e eu não vou. =/ Gostei dessa série, acho que irei assisti-la como consolo.