quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Resenha: Hideout


Seiichi Kirishima é um escritor que está enfrentando problemas no trabalho e em casa. Para tentar se acertar com a esposa, Miki, viaja com ela para uma ilha, na qual existe uma cachoeira que supostamente traz felicidade aos casais. Mesmo que o plano de Seiichi não fosse exatamente o que ele propôs à mulher, certamente ele não esperava encerrar o passeio da forma como terminou.

Não sou leitora habitual de mangás e nunca tinha ouvido falar de “Hideout”. No entanto, ao me deparar com aquela capa perturbadora, bonita em seu acabamento, mas que exibia um ser assustador com garras afiadas e olhar penetrante, não resisti à curiosidade e peguei o livro da prateleira. Na capa traseira, apenas uma mancha de sangue em formato de mão e o texto “Caso encontre a entrada, entre sem fazer cerimônia. Venha me salvar... Não aguento mais... Não suporto mais ficar sozinho...”. Eu definitivamente ‘pre-ci-sa-va’ ler aquela história. Ao ler a indicação ‘Volume Único’ ali no cantinho (é, eu detesto histórias com vários volumes...), tive certeza de que seria uma boa experiência.

Li o mangá em minutos, num desses dias insuportavelmente quentes e preguiçosos entre o Natal e o Ano Novo. Achei angustiante e triste. Não quero falar muito sobre a trama porque, como em toda boa história de terror, o mais legal é sentir a tensão crescendo, a aflição aumentando e o horror mostrando sua cara. “Hideout” é uma história de pessoas que cometeram erros, tentaram superar, sentiram raiva, buscaram vingança e, por fim, acabaram destruindo a si mesmas. Mas, além disso, é também uma história de amor e desprendimento, de fazer sacrifícios pelo outro, de ver além das aparências.

Se da trama eu não quero falar muito, sobre a arte eu preciso comentar. Achei o traço bem preciso, os ambientes sombrios e claustrofóbicos, os personagens repulsivos (o que, neste caso, é um elogio). É uma pena que só as primeiras páginas sejam coloridas. Não que as demais sejam ruins (nem de longe!), mas não consigo deixar de pensar no quanto seria mais impactante ver aquelas cenas em cores. 


A única coisa que me incomodou é a quantidade absurda de onomatopeias. Pode parecer bobeira se importar com coisas assim, eu sei, mas nunca tinha reparado nelas, até dar de cara com o uso excessivo desse recurso. Achei desnecessário e, ao mesmo tempo, fiquei com uma dúvida: será que é uma característica comum em mangás? Não tenho parâmetro para saber. Se alguém aí, mais familiarizado com esse tipo de história, souber, me diga, por favor.

Para fãs de terror e quadrinhos em geral. Recomendo!

6 comentários:

Lígia disse...

Não conhecia esse mangá, a arte é muito bonita! Não tenho um vasto conhecimento de mangás, mas acho que é comum ter bastante onomatopeias. Como as letras japonesas são bonitas, dá para usá-las de maneira estilizada sem ficar algo estranho como ficaria com o alfabeto romano (não sei se é esse o caso desse mangá).

Maira Neves disse...

Michelle, ultimamente eu também prefiro quadrinhos em volume único...adorei sua resenha, fiquei bem curiosa para saber mais dessa história, e vc definitivamente ne pegou quando disse que era sobre pessoas que cometem erros e tentam superar...acho que é nesse ponto que as obras se tornam universais.
Bj grande,

Nice disse...

Oi Michelle,

mangás costumam ter muitas onomatopéias mesmo. Fiquei curiosa pra ler.
Um Beijo.

Juliana disse...

Oi, michelle!

Esse comentário não é sobre o post.

Eu tenho um blog e todo fim de ano faço um sorteio. A ideia é dar um presente de Natal pra um dos leitores, fazer um agrado pra quem tá sempre lendo o que escrevo. A pessoa sorteada, por sua vez, tem o direito de escolher alguém que goste de blogs (não precisa ter blog nem ler o meu) pra tb ganhar um presente.

Esse ano, a pessoa sorteada foi a Julia, do blog Livros e outras Felicidades. Eu pedi que ela escrevesse um textinho explicando por que tinha escolhido vc.

eu postei o textinho dela aqui:

http://juliana-finaflor.blogspot.com.br/2015/01/a-escolha-da-julia.html

Pra te mandar seu presente, vou precisar que você me dê algum endereço pra entrega. Meu e-mail é: julianasantana2606@gmail.com

Espero que você goste de ter sido escolhida e aceite ganhar presente. =)

beijo

Filipe Mafagafo disse...

Estou tão por fora dos lançamentos de mangás!!! São meu tipo favorito de quadrinho! Não conhecia esse ainda.

Essas onomatopeias são bastante comuns sim. Não li esse especifico para comparar, mas em todos os mangás que já li é uma característica básica. Na verdade são sempre uma parte tão comum da leitura que se fundem com o resto do cenário. Mas pode ser que o autor tenha pesado a mão nesse. Como o desenho dos mangás costuma ser bastante focado nos personagens e depois no cenário essa escolha das onomatopeias para complementar o quadrinho é de praxe, Assim como a escolha de só haverem alguma páginas coloridas na história, são para chamar a atenção do leitor mesmo.

Uma característica do mercado editorial de quadrinhos no Japão são publicações semanais das editoras que reúnem um capítulo de cada um dos títulos da editora. Só depois de alguns capítulos lançados é que eles organizam os "Tonkobon" , que reúne vários capítulos de uma história em um volume especifico, que é como eles chegam aqui no Brasil.
Essas publicações semanais são bastante grossas e feitas em papel jornal para cortar custos. Por isso, e também por que o autor do mangá e quem realiza todas as etapas de arte, os mangás são geralmente em preto e branco, já é tradição, corte de custos , etc...

Abraços :)










Michelle disse...

Obrigada pelos esclarecimentos, gente! :)

Lígia,
É verdade. Talvez as letras japonesas me incomodariam menos.

Maira,
Eu não tenho paciência para ficar acompanhando uma história infinitamente...rs

Nice,
Como só tinha lido 1 ou 2 antes, eu não tinha reparado. Vou prestar mais atenção nisso. ;)

Juliana,
Fiquei muito feliz pela lembrança da Júlia e por sua iniciativa. Tks!!

Filipe,
Isso das cores faz todo sentido! Muito obrigada pela aulas explicações!