sábado, 28 de fevereiro de 2015

Filme: O Homem que Ri


Para quem ainda não viu, resenhei o livro no post anterior, então não vou repetir a sinopse de novo. O objetivo aqui é falar um pouco sobre duas das três adaptações da história: a primeira delas, americana, lançada em 1928, e a mais recente, francesa, de 2012. Bora ver os pontos fortes e fracos de cada uma?

O Homem que Ri (The Man Who Laughs), 1928


O filme foi um dos primeiros da Universal Pictures a fazerem a transição do cinema mudo para o falado. Embora naquela época ainda não fosse possível sincronizar o som com as imagens e se utilizassem aqueles cartazes de fala dos personagens, a música já marcava presença, dando muito mais dramaticidade às cenas.


Seguindo a cartilha do expressionismo alemão, com seu jogo de claro-escuro e expressões intencionalmente exageradas, o sorriso de Gwynplaine acaba se tornando muito macabro, o que faz com que o filme seja classificado como terror, embora a história seja, no fundo, um drama. De fato, a combinação de sorriso sombrio, olhares penetrantes e música poderosa me fez sentir mais medo do que pena do protagonista.


Independente do gênero cinematográfico em que se enquadra, é uma obra muito boa, que consegue prender a atenção e sustentar o drama até o final, pecando apenas por alterar o desfecho, o que enfraquece a história. De qualquer forma, recomendo muito.

Para quem gosta de um bom filme, independente de gênero ou época.


Veja uma cena incrível do filme:

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O Homem que Ri (L’Homme Qui Rit), 2012

A versão mais recente da história ganha pontos por manter o desfecho do livro e a característica trágica da trama. No entanto, o visual é mais suave e romantizado e o amor entre Gwynplaine e Dea é mais bem explorado.


Outro ponto positivo é que a personalidade desbocada e ranzinza de Ursus foi muito bem transposta para a tela, em uma interpretação de Gérard Depardieu, que alterna com perfeição momentos de rudeza e doçura.


Embora pequenas alterações tenham sido feitas para aumentar a carga dramática ou dar mais fluidez à trama, algumas me agradaram bastante, como, por exemplo, a cena em que Ursus e Dea são convidados por Gwynplaine para visitá-lo no castelo (isso não acontece no livro), e, lá, Dea é separada de Ursus de propósito e fica vagando, perdida no labirinto, até ser assediada pelos serviçais. Imagino que seria bem possível isso acontecer e o terror da cena foi bem real. Apenas um ou outro detalhe me desagradou, mas nada ruim o bastante para estragar o filme. Vale a pena conferir.

Tem drama, tem romance e tem aventura. E um visual incrível. Precisa de mais?


Trailer legendado em português:

NOTA 1: A segunda adaptação de “O homem que ri” (L'Uomo che Ride) é italiana e foi lançada em 1966. A ação foi transferida da Inglaterra para a Itália, na época dos Bórgias. Não assisti. Se alguém viu, deixe um comentário falando o que achou.



NOTA 2: A aparência assustadora do Gwynplaine americano serviu de inspiração para um personagem clássico dos quadrinhos (e, atualmente, de filmes): o Coringa. O primeiro encontro do vilão com o homem-morcego foi retratado no gibi “Batman: O Homem que Ri”, de 2005 (que, aliás, eu li, mas achei apenas OK. Desculpem, mas não é a minha praia).


Seja no livro, nos filmes ou inspirando quadrinhos, "O homem que ri" tem um visual marcante. Fato.

Um comentário:

Maira Neves disse...

Adoro o fato de você ir a fundo em uma obra, pesquisar suas adaptações e referências. Confesso que nem sempre tenho esse fôlego. Comecei a ver essa versão mais nova, mas dormi antes de final e nunca retomei...mas dormi de cansaço, não porque era chato, rs.
bjs