quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Resenha: Contos de Lugares Distantes


“Contos de lugares distantes” é um livro peculiar, fácil de gostar, mas impossível de explicar. Então, vou dar a palavra ao Neil Gaiman, responsável pelo texto da quarta capa, e muito mais capacitado a falar sobre o mundo mágico desta obra: ‘Shaun Tan é singular. É um artista de histórias curtas, mágicas e perfeitas, muitas vezes sem palavras. São, na verdade, sonhos que se pode trazer para o mundo da vigília, este em que vivemos, iluminando-o. São tramas que Kafka poderia ter contado, caso gostasse um pouco mais da vida. Shaun Tan cria beleza a partir das pequenas coisas e também daquilo que nunca existiu, mas que nem por isso é menos real. Inventa enredos inesquecíveis que, acredite, vão deixar sua vida um pouco mais mágica’.

As pequenas histórias do livro trazem elementos fantásticos para o dia a dia e dão vida a criaturas imaginárias. Realidade e fantasia convivem em harmonia e transportam o leitor para dentro desse universo mágico e encantador. Das mãos de Shaun Tan saíram contos que podem parecer improváveis à primeira vista, mas que cativam e se tornam mais críveis a cada página.

Uma das histórias fala de um búfalo enorme que vivia em um terreno baldio e era perito em indicar direções com sua pata; outra fala de um garoto que recebe em sua casa um estudante de intercâmbio que parece ter hábitos inexplicáveis, mas que conquista a todos; há aquela em que um mergulhador aparece com seu traje antigo no jardim da vizinha rabugenta e a transforma; em outra, um gigantesco animal marinho surge no gramado de uma casa que ficava a quilômetros do mar e muda a vida de uma família; tem também a história de dois irmãos que saem em uma aventura para descobrir o motivo do término abrupto de algumas ruas em um mapa. Em todas, o tom é reconfortante e a mensagem é clara: acredite, não apenas no que os olhos veem.

Sendo Shaun Tan um renomado ilustrador, é lógico que o livro é uma obra de arte. Misturando diversas técnicas (colagem, canetinha, tintas de vários tipos), ele imprime aos desenhos uma delicadeza que remete à atmosfera nebulosa dos sonhos e vai montando um enorme mosaico de palavras e imagens que se complementam perfeitamente. Achei bem bacana o formato de envelope e, nas últimas páginas, o cartão de biblioteca, como se fôssemos mais um leitor a pegar emprestado o exemplar e a embarcar nessa viagem ao redor do mundo.


A habilidade de desenhista de Shaun Tan fez com que ganhasse a admiração dos colegas de classe quando criança e foi crucial na escolha de sua carreira. Ganhou diversos prêmios, dentre eles o Astrid Lindgren Memorial Award, em reconhecimento à sua contribuição para a literatura infantil. O artista também trabalha com animações, e transformou um de seus livros, ‘A coisa perdida’, em curta-metragem, vencedor o Oscar 2011 nessa categoria. Eu já tinha visto o filme, mas, agora que tive contato um pouco maior com seu trabalho, consegui enxergar outras características de suas obras e fiquei com vontade de conhecer outros trabalhos do artista.


Contos que misturam fantasia e realidade para criar mundos incríveis e encantadores. Recomendo!

Este post faz parte do Desafio Literário Skoob 2015 - Mês de Fevereiro: Fantasia (em comemoração ao carnaval). Para ver a apresentação do desafio, minha lista de obras selecionadas e outros posts do DLSkoob2015, clique AQUI.

Assista ao curta 'The Lost Thing' (legendado):

Um comentário:

Maira Neves disse...

Michelle, que bonito esse livro. Acho que livros assim aquecem o coração. E eu não conhecia esse curta! Vou assistir e depois conversamos!
Beijo grande