segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Resenha Dupla: A vida naquela hora/ Duas tardes

Hoje o post é especial e traz resenha de dois livros do escritor paulista João Anzanello Carrascoza: “A vida naquela hora” e “Duas tardes”. Embora os dois livros sejam de contos e apresentem a escrita poética do autor, o tema das duas obras é diferente: enquanto a primeira foca mais nas pequenas descobertas e no crescimento de personagens jovens, a segunda se volta para a melancolia de cenas corriqueiras.


Em “A vida naquela hora” a oralidade se faz presente, as frases são curtas, a marcação de diálogos é moderna (nada de travessões e aspas). As letras são impressas em um tom azul-esverdeado e em tamanhos de fonte diferentes: começam grandonas e vão diminuindo ao longo dos contos – a representação gráfica perfeita do amadurecimento dos personagens que, como crianças, aprendem a ler em edições que privilegiam edições ilustradas e com tipologia graúda, e aos poucos vão trocando imagens por blocos de texto com espaçamento cada vez menor e com um número de caracteres crescente.

Nos oito contos que compõe o livro, nos deparamos com crianças e adolescentes que se espantam diante de revelações inesperadas da vida, que perdem pouco a pouco a inocência, que questionam em seu íntimo as atitudes dos adultos, que anseiam por abraçar as novidades ao mesmo tempo em que relutam em deixar para trás seus sonhos infantis.

Com um visual tão agradável e histórias que abordam a memória e a perspectiva peculiar da infância, devorei o livro todo de uma vez. Foi meu primeiro contato com a escrita do autor e deixou um gostinho de ‘quero mais’.

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Por sorte, me emprestaram dois livros do Carrascoza ao mesmo tempo... rs. Então, pouco depois de terminar o primeiro, já iniciei a leitura do segundo. Mas, desta vez, eu não queria chegar logo ao final. Além disso, o tom mais sóbrio e melancólico dos contos de “Duas tardes” exigia uma incursão mais lenta por suas páginas.

Aqui, as cenas são descritas detalhadamente e criam a ambientação tristonha das histórias; a ausência e o não dito têm tanto ou mais peso do que a presença e as falas; os personagens relembram o passado com nostalgia, vivem um futuro bem diferente do que haviam imaginado e seguem rumo a um futuro incerto e nada promissor; a vida parece em suspenso e a todo momento se tem a impressão de que chegará o ponto de virada, mas nada acontece.

Em comum com o outro livro, a escolha precisa das palavras e pequenos dramas pessoais que tocam a todos nós por sua universalidade. Terminei a leitura já com saudade daqueles personagens que conheci tão brevemente, mas que mexeram comigo. E mais uma vez me peguei planejando conhecer os outros livros do autor. 

Por ter uma escrita envolvente e fluida e por abordar temas universais, recomendo a leitura desses contos deliciosos.

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