quarta-feira, 4 de abril de 2012

Filmes: Memórias Póstumas de Brás Cubas / O Grande Gatsby (1974)


Como já postei aqui, estou participando do Desafio 7 Clássicos em 2012. Os dois primeiros livros lidos e resenhados foram “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “O Grande Gatsby”. Eu geralmente faço um “Leia o Livro, Veja o Filme” quando a história é apresentada nos dois formatos, mas, como eram resenhas do desafio, achei melhor fazer separado. Para não passar em branco, vou escrever aqui sobre as duas adaptações cinematográficas. Se quiser ler a resenha e saber mais sobre as histórias, clique nos respectivos títulos acima. Aqui, só vou fazer observações sobre os filmes.


O filme segue basicamente a mesma estrutura do livro, com Brás Cubas (interpretado por Reginaldo Faria quando adulto e por Petrônio Gontijo quando jovem) dirigindo-se diretamente ao espectador. Suas intervenções nas cenas e digressões foram mantidas e bem resolvidas na tela. A falta de iniciativa e de perspectiva de Brás Cubas são bem exemplificadas, pois grande parte do filme ele passa sentado à escrivaninha imaginando o que poderia ter feito e o que gostaria de fazer. Na prática, nada é realizado.

Uma das cenas mais bacanas é justamente quando ele está sentado em seu canto imaginando coisas e suas ideias são projetadas na parede na forma de teatro de sombras. Adorei o uso desse recurso simples, mas muito eficaz. Ainda no campo de sua imaginação, a parte em que ele cria várias campanhas publicitárias e slogans para o emplasto que pretendia criar é divertida.

A forma de falar é uma coisa que me incomoda constantemente em adaptações de obras clássicas brasileiras. Acho muito forçada e artificial. Lógico que isso está de acordo com o que era usado na época, mas não consigo gostar. Essa marca temporal não afeta em nada minha leitura, mas não aprecio seu uso em filmes.
 
Gostei muito das interpretações do Reginaldo Faria e do Marcos Caruso (que vive Quincas Borba, amigo de Brás Cubas) e achei o trabalho de Petrônio Gontijo e Otávio Müller (que dá vida a Lobo Neves, marido de Virgília) OK, mas a Virgília apresentada por Viétia Rocha não me convenceu.

No fim, o filme é mediano. Se adaptar livros geralmente já é um trabalho árduo, a tarefa se torna muito ingrata quando se trata de Machado de Assis. Para apreciar toda sua genialidade, só lendo mesmo.
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Quanto a “O Grande Gatsby”, assisti à versão de 1974, cujo roteiro foi elaborado pelo próprio F. Scott Fitzgerald e Francis Ford Coppola, sob a direção de Jack Clayton.

É uma adaptação bem fiel ao livro, com algumas frases idênticas. Das alterações que valem a pena mencionar, somente a forma como Nick conhece Gatsby é diferente, porém menos divertida que no livro.

A futilidade de Daisy (interpretada por Mia Farrow) fica evidente em sua primeira aparição e é comprovada ao longo da história. Já Gatsby foi uma ótima surpresa para mim, pois na minha cabeça ele era um cara gordo bigodudo, estilo Mário Bros. Beeeem diferente do galã sedutor vivido por Robert Redford.

Um outro ponto mais bem resolvido no filme do que na minha imaginação foi a área onde ficava a oficina de Wilson (Scott Wilson). Só vendo na tela consegui compreender a real desolação do lugar, constantemente sob o olhar vigilante do outdoor do Dr. T. J Eckleburg. A cena em que Gatsby começa a espalhar todas as roupas do armário pelo quarto para mostrar o quanto era bem-sucedido também ficou muito bonita de se ver.

Vale destacar aqui a produção primorosa dos cenários e o figurino maravilhoso de Ralph Lauren. Adorei também a música e as dancinhas típicas da época.

A conclusão é que é um bom filme, extremamente fiel ao original e, talvez por isso, extenso demais. Uma duração menor poderia deixá-lo mais dinâmico e interessante. Ainda assim, vale dar uma chance.

UPDATE: Para ver a resenha do livro, clique AQUI; para ver a crítica da versão cinematográfica de 2013, clique AQUI.

8 comentários:

lualimaverde disse...

O Gatsby Mário Bros foi engraçado! Não sei se porque eu já sabia que o Redford tinha feito ele no cinema, na minha imaginação ele era super bonito, rs. Agora fico pensando que a oficina do Wilson deve ter ficado mais marcante no filme mesmo, deu vontade de ver. =) Beijo!

andreia inoue disse...

Eu prefiro assim como vc,ler o livro e depois assistir o filme.
Ainda nao vi o filme do bras cubas, e agora estou querendo muito assistir. Os livros sao sem comentarios,muito bons mesmo.
Beijao.

Ana Leonilia disse...

Eu li o livro ano passado e, de fato, é uma obra-prima.
Tenho vontade de assistir o filme, mas é muito difícil achar a versão de 74 aqui. Eu acho que uma adpatação fiel ao livro é muito melhor. Principalmente qdo há frases idênticas.
Eu tbm imaginava Gatsby mais ou menos como o Mario Bros.
Mas tenho curiosidade de conferir Redford no papel.

Bjs ;)

Jacqueline Braga disse...

Não sabia que ambos os livros possuiam uma adaptação.
Vergonha dizer, mas não li nenhum dos dois. Preciso ler mais clássicos.
Mas acho que vou assistir o filme antes, pois a lista de leitura desse ano está imensa.
bjs

Michelle disse...

Ainda bem que não fui a única a imaginar um Gatsby não-atraente!
Ler as obras é sempre bem diferente de ver as adaptações, mas acho as duas formas válidas. O que importa é conhecer a história, né?

Cah disse...

Oi Michelle
Também sigo a ideia leia o livro, veja o filme, nessa ordem, Amo Memórias Póstumas mas nunca vi o filme, acho que deve ser bem difíl mesmo adaptar uma obra tão genial. O Gatsby ainda está na minha lista de não lidos, então estou fugindo das resenhas, estou com muita vontade de ler, antes de ver o filme, claro!

Bju, [Parabéns pelo blog] e boa semana pra vc!

Juliana disse...

eu li sabendo da adpatação que tá pra sair, então Gatsby pra mim é o Di Caprio e ponto. Porém, não penso nele como sedutor.

Michelle disse...

Oi, Juliana!
Quando eu li, não gostei nada do Gatsby. Mas quando vi o Robert Redford... mudei de ideia. Não só pela beleza física dele. Achei a forma como ele lidou com as situações mais delicada do que no livro. A história é a mesma, eu sei. Porém ver a trama na tela foi uma experiência completamente diferente para mim. Vamos ver o que acontece com o Di Caprio.
bjo.